UEL 2004

36- Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi implantado, no exame vestibular, o sistema de cotas raciais, que desencadeou uma série de discussões sobre a validade de tal medida, bem como sobre a existência ou não do racismo no Brasil, tema que permanece como uma das grandes questões das Ciências Sociais no país. Roger Bastide e Florestan Fernandes, escrevendo sobre a escravidão, revelam traços essenciais do racismo à brasileira, observando que: “Negro equivalia a indivíduo privado de autonomia e liberdade; escravo correspondia (em particular do século XVIII em diante) a indivíduo de cor. Daí a dupla proibição, que pesava sobre o negro e o mulato: o acesso a papéis sociais que pressupunham regalias e direitos lhes era simultaneamente vedado pela ‘condição social’ e pela ‘cor’.” (BASTIDE, R.; FERNANDES, F. Brancos e negros em São Paulo. 2.ed. São Paulo: Nacional, 1959. p. 113- 114.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a questão racial no Brasil, é correto afirmar:
a) O racismo é produto de ações sociais isoladas desconectadas dos conflitos ocorridos entre os grupos étnicos.
b) A escravatura amena e a democracia nas relações étnicas levaram à elaboração de um ‘racismo brando’.
c) As oportunidades sociais estão abertas a todos que se esforçam e independem da ‘cor’ do indivíduo.
d) Nas relações sociais a ‘cor’ da pessoa é tomada como símbolo da posição social.
e) O comportamento racista vai deixando de existir, paulatinamente, a partir da abolição dos escravos.
resposta: D

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Larissa
    abr 19, 2013 @ 17:10:20

    pq as outras estão erradaaaaaaaas?

    Responder

  2. Jean
    out 12, 2020 @ 19:35:31

    Oi, Larissa. Vamos lá, passo a passo:

    • A alternativa A está errada pois remete o racismo a um meio isolado da sociedade. Como é até intuitivo de se perceber, isso jamais acontece: é justamente a partir da vivência social que essa prática é intensificada, segundo o próprio Florestan, por causa do ”mito da democracia racial” que perdura desde a abolição da escravidão em 1888.

    • A alternativa B é equivocada, uma vez que, de cara, julga a escravatura como sendo um fenômeno ameno, agradável. Absurdo.

    • No caso da alternativa C, ela é incorreta porque vai exatamente contra o que foi dito anteriormente no texto: se uma política de cotas raciais foi aplicada, quer dizer que há um entrave na inserção do negro no ensino público, ou seja, as oportunidades de ensino interferem de acordo com a cor do indivíduo, e isso invalida a afirmação de que ”as oportunidades estão abertas a todos”.

    • A alternativa D é correta, conforme dito acima.

    • Por último, há um evidente equívoco histórico na questão nessa alternativa E. Se tratarmos mais uma vez da perspectiva de Florestan Fernandes, é fácil perceber que a abolição da escravidão só foi bonita na teoria. Isso porque o negro, desde esse período, segue vivendo na estratificação social das classes brasileiras (daí a origem do ”mito da democracia real”), e mais uma vez o texto serve como referência na questão das cotas raciais, demonstrando diretamente essa desigualdade social.

    Responder

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