Após Fukushima, governo alemão reavalia aval a Angra 3

DENISE MENCHEN
EM BERLIM

O acidente nuclear de Fukushima, no Japão, levou o governo alemão a reavaliar a garantia de crédito prometida para a usina de Angra 3.
O Ministério de Economia e Tecnologia do país confirmou à Folha que o assunto está sendo repensado “à luz dos acontecimentos recentes e dos parâmetros legais”.
Em fevereiro de 2010, a agência alemã Hermes, ligada ao governo, aprovou de forma preliminar uma garantia de crédito às exportações da multinacional Areva para Angra 3, um projeto da Eletronuclear.
A empresa irá fornecer equipamentos e serviços de engenharia nuclear para a usina. O contrato deve ser fechado em maio e ainda tem seu valor final negociado.
Para pagar à Areva, a Eletrobras conta com empréstimo de 1,5 bilhão (cerca de R$ 3,4 bilhões) de um pool de bancos liderado pelo Société Générale.
O garantidor da operação será o governo brasileiro. Caso a Eletrobras e o governo não honrem com as amortizações, a agência alemã o fará. O mecanismo é usado para viabilizar investimentos e fomentar as exportações e a geração de empregos.
O acidente japonês, porém, colocou a energia nuclear em xeque na Alemanha, país que conta com 17 usinas. Pressionada, a chanceler Angela Merkel determinou o desligamento temporário das sete unidades mais antigas. Nos próximos três meses, elas deverão passar por novos testes.
Atualmente, a Alemanha tem dez concessões de garantia de crédito a exportadores do setor nuclear em andamento. Em nove casos, está previsto o fornecimento de equipamentos, principalmente de segurança, para usinas já existentes.
“O outro diz respeito à conclusão da usina de Angra 3 e, por causa dos acontecimentos atuais, será novamente avaliado em conversas com o Brasil”, afirmou em nota o Ministério de Economia.
No fim de fevereiro, o Partido Social Democrata e os Verdes, da oposição, já tinham levado à votação no Bundestag uma moção para que o governo cancelasse o aval à Angra 3. O pedido não foi aprovado.
ONGs ambientalistas também tentam pressionar o governo a mudar de posição.
Um abaixo-assinado promovido pela Campact já tinha mais de 120 mil assinaturas até ontem. O material será enviado aos ministérios da Economia, das Finanças, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento alemães.
Procurada, a Eletronuclear informou que o aval expedido pela Hermes em fevereiro de 2010 tinha validade de um ano, mas foi estendido até agosto de 2011.
“No momento, a Eletronuclear não vê motivações para procurar outra agência garantidora. Até hoje, não houve nenhum comunicado ou outro tipo de manifestação da agência Hermes e/ou do governo alemão cancelando ou manifestando intenção de cancelar o aval”.

A USINA
Angra 3 tem um custo estimado de R$ 10,4 bilhões, a maior parte (R$ 6,1 bilhões) financiada pelo BNDES. Há ainda uma parcela de recursos da Eletrobras, controladora da Eletronuclear.
Quando entrar em operação, a usina terá capacidade de gerar mais de 10.000.000 MWh por ano, que é suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte.

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