Direitos humanos e pressões econômicas

Renata Parpolov Costa

O país que recebe recursos militares e econômicos tende a valorizar mais sua adesão ao grupo de nações que respeitam os direitos humanos. Isso se verifica pelo fato de que o governo desse país pode receber sanções e desinvestimentos caso violações a estes ocorram em seu território, o que evidencia o caráter utilitarista e não necessariamente ético de sua adesão. Apesar de o fluxo de ajuda ter aumentado para essa finalidade, as violações continuam ocorrendo principalmente em regiões onde realizar investimentos é considerado improfícuo.

Uma das razões para que isso aconteça é a seletividade por parte dos doadores. Estes irão decidir os locais mais adequados para estabelecer sua atividade, que consiste na realização de relatórios de denúncia e na aliança com grupos domésticos para pressionar os governos locais. Tal pode ser exemplificado por um fato extremo: a implantação da democracia no Iraque, realizada pela empresa RTI, recebeu em torno de US$20 milhões de ajuda por parte de doadores dos EUA. Constata-se, dessa forma, o caráter seletivo da ação de entidades de direitos humanos, uma vez que outros governos autoritários e igualmente violadores não obtiveram o mesmo grau de atenção nem de interferência.

A parcialidade dos doadores é também influenciada pela crença de que violações aos direitos humanos são exclusividade de governos autoritários, o que mobiliza a maior parte daqueles a apoiar causas em países onde haja este tipo de governo, além de desviar sua atenção das violações que acontecem dentro de países democráticos. Barack Obama foi eleito nos EUA sob a promessa de que encerraria as atividades iniciadas na Baía de Guantánamo em 2002 por George W. Bush, porém, apesar da pública exposição do centro de interrogatório e de centenas de prisioneiros torturados (muitos dos quais foram considerados, mais tarde, inocentes), não é possível aplicar sanções e desinvestimentos no país que é a própria fonte de investimentos. A Casa Branca declarou ter encontrado e assassinado Osama Bin Laden graças a um relatório obtido em Guantánamo, o que afirma a ideia de que o centro de detenção é um instrumento legítimo de guerra, apesar de não ser de nenhuma maneira amparado pelo Direito Internacional.

O caráter parcial das entidades que disseminam valores relativos a direitos humanos bem como pressionam sua implementação permite que muitas violações ainda ocorram. A pressão econômica exercida é somente eficaz quando realizada por aqueles que fazem os investimentos com finalidade de constranger países periféricos a aderir a seus valores, o que evidencia a seletividade das instituições de direitos humanos.

Renata Parpolov Costa é pós-graduanda em Política Internacional.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Rafael
    maio 14, 2011 @ 20:07:15

    Renata,
    sou o aluno do CPV, li o seu texto e na minha avaliação, a qual é mais rigorosa que a sua, uma vez que você é formada em letras, é a seguinte:

    Linguagem:2,5
    Estrutura:1,75
    Conteúdo:3,75
    Total:8,0

    O texto apresenta:
    -problema de queísmo
    -parenteses
    -este , esse, aquele usados nem sempre de forma correta
    -parenteses(o que deve ser evitado)
    -sigla sem explicar o significado
    -os exemplos discorrem excessivamente dos EUA e ignora a Europa

    Imprima e traga o seu texto para discutirmos no plantão

    Resposta

    • sociologado
      maio 16, 2011 @ 20:03:43

      Olá Rafael,

      obrigada pela nota, mas você esqueceu a apresentação. 🙂

      Lembre-se de que este texto não tem a finalidade de passar na FGV, e sim de obtenção de 0,1 ponto em uma disciplina do departamento de Ciência Política. Por isso os parÊnteses (com acento, pois é proparoxítona). Não é preciso desenvolver as siglas, pois pertencem a um campo de conhecimento específico.
      Seja você também rigoroso como autor de seu próprio texto e não cometa erros de concordância!

      abraço e obrigada pela audiência!

      Resposta

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