UEL 2015

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Leia o texto a seguir e responda à(s) próxima(s) questão(ões).

O desenvolvimento da civilização e de seus modos de produção fez aumentar o poder bélico entre os homens, generalizando no planeta a atitude de permanente violência. No mundo contemporâneo, a formação dos Estados nacionais fez dos exércitos instituições de defesa de fronteiras e fator estratégico de permanente disputa entre nações. Nos armamentos militares se concentra o grande potencial de destruição da humanidade. Cada Estado, em nome da autodefesa e dos interesses do cidadão comum, desenvolve mecanismos de controle cada vez mais potentes e ostensivos. O uso da força pelo Estado transforma-se em recurso cotidianamente utilizado no combate à violência e à criminalidade.

Adaptado de: COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. p.283-285.

 

(Uel 2015)  Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a concepção sociológica weberiana sobre o uso da força pelo Estado contemporâneo.

a) A força militar contemporânea, por seu poder de persuasão e atributos personalísticos, é um agente exemplar do tipo de dominação carismática.

b) Na sociedade contemporânea, o poder compartilhado entre cidadãos e Estado, para o uso da força, define a dominação legítima do tipo racional-legal.

c) O Estado contemporâneo caracteriza-se pela fragmentação do poder de força, conforme o tipo ideal de dominação carismática, a exemplo do patriarca.

d) O Estado contemporâneo define-se pelo direito de monopólio do uso da força, baseado na dominação legítima do tipo racional-legal.

e) O tipo ideal de dominação tradicional é exercido com base na legitimidade e na legalidade do poder de uso democrático da força pelo Estado contemporâneo.

 

Resposta: D

 

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UEL 2015

(Uel 2015)  Leia o texto a seguir.

Lembra-te de que tempo é dinheiro; aquele que pode ganhar dez xelins por dia por seu trabalho e vai passear, ou fica vadiando metade do dia, embora não despenda mais do que seis pence durante seu divertimento ou vadiação, não deve computar apenas essa despesa; gastou, na realidade, ou melhor, jogou fora, cinco xelins a mais.

WEBER, M. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira; Brasília: UNB, 1981, p.29.

 

O conselho de Benjamin Franklin é analisado por Max Weber (1864-1920) na obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

Com base nessa obra, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a compreensão weberiana sobre o sentido da conduta do indivíduo na formação do capitalismo moderno ocidental.

a) Tradicionalidade.

b) Racionalidade.

c) Funcionalidade.

d) Utilitariedade.

e) Organicidade.

 

Resposta: B

UEL 2016

(Uel 2016)  A ordem e o progresso constituem partes fundamentais da Sociologia de Auguste Comte.

Com base nas ideias comteanas, assinale a alternativa correta.

a) A ordem social total se estabelece de acordo com as leis da natureza, e as possíveis deficiências existentes podem ser retificadas mediante a intervenção racional dos seres humanos.

b) A liberdade de opinião e a diferença entre os indivíduos são fundamentos da solidariedade na formação da estática social; essa diversidade produz vantagens para a evolução, em comparação com a homogeneidade.

c) O desenvolvimento das forças produtivas é a base para o progresso e segue uma linha reta, sem oscilações e, portanto, a interferência humana é incapaz de alterar sua direção ou velocidade.

d) O progresso da sociedade, em conformidade com as leis naturais, é resultado da competição entre os indivíduos, com base no princípio de justiça de que os mais aptos recebem as maiores recompensas.

e) O progresso da sociedade é a lei natural da dinâmica social e, considerado em sua fase intelectual, é expresso pela evolução de três estados básicos e sucessivos: o doméstico, o coletivo e o universal.

 

Resposta: A

UEL 2012 – 2ª fase

4 – O texto a seguir nos dá notícia acerca da introdução de formas rígidas de organização das torcidas de futebol no Brasil.
 
Os integrantes de torcidas organizadas de todo o país terão que se cadastrar previamente para ter acesso aos estádios. No Rio de Janeiro, o procedimento começou hoje (13), com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as lideranças das torcidas, o Ministério Público e o Ministério do Esporte. O TAC prevê que as torcidas organizadas terão que se tornar pessoas jurídicas, com registro de seus estatutos em cartório. As que têm menos de 200 membros serão  dispensadas de registro em cartório. As torcidas terão seis meses para enviar à autoridade policial cadastro contendo a identificação completa de seus integrantes, incluindo foto, endereço e assinatura. Para entrar nos estádios vestindo ou portando adereços de torcidas organizadas, eles terão de ter carteira padronizada. Caso  seja descumprida a medida, a torcida organizada estará sujeita a sanções que vão desde multa de até R$ 10 mil ao banimento dos estádios por período de até três anos.
(Vladimir Platonow. Torcidas organizadas começam a cadastrar integrantes para entrar em estádios. Jornal do Brasil. 13 jun. 2011, p.1. Disponível em: <http://www.jb.com.br/esportes/noticias/2011/06/13/torcidas-organizadas-comecam-a-cadastrar-integrantes-para-entrar-em-estadios/&gt;. Acesso em: 30 jun. 2011.)
 
As torcidas organizadas de futebol constituem uma manifestação espontânea ou um movimento social? Justifique sua resposta.
 
QUESTÃO 4 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Movimentos sociais.
 
Resposta esperada
Espera-se que o candidato conheça os elementos que caracterizam os movimentos sociais e os diferenciam das manifestações espontâneas.

UEL 2012 – 2ª fase

3 – No debate sobre as cotas para o ingresso dos negros nas universidades públicas, reapareceram, de forma recorrente, argumentos favoráveis e contrários à adoção  dessa política afirmativa. Os trechos reproduzidos a seguir constituem exemplos desses argumentos.
 
Em um país onde a maioria do povo se vê misturada, como  combater as desigualdades com base em uma interpretação do Brasil dividido em “negros” e “brancos”? Depois de divididos, poderão então lutar entre si por cotas, não pelos direitos universais, mas por migalhas que sobraram do banquete que continuará sendo servido à elite. Assim sendo, o foco na renda parece atender mais à questão racial e não introduzir injustiça horizontal, ou seja, tratamento diferenciado de iguais.
(Adaptado de: Yvonne Maggie (Antropóloga da UFRJ).
O Estado de São Paulo. 7 mar. 2010. Este artigo de Yvonne Maggie serviu de base para o seu pronunciamento lido por George Zarur na audiência pública sobre ações afirmativas convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2010.)
 
Desde 1996 me posicionei a favor de ações afirmativas para negros na sociedade brasileira. Vieram as cotas e as apoiei, como continuo fazendo, porque acho que vão na direção certa – incluir socialmente os setores menos competitivos – embora saiba que o problema é muito maior e mais amplo. Tenho apoiado todas as medidas que diminuam a pobreza ou favoreçam a mobilidade social e todas as que combatam diretamente as discriminações raciais e a propagação dos preconceitos raciais. Em  curto prazo, funcionam as políticas de ação afirmativa; em longo prazo, funcionam políticas que efetivamente universalizem o acesso a bens e serviços.
(Antônio Sérgio Guimarães (Sociólogo da USP)
Entrevista concedida à Ação Educativa . Disponível em: <http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=633&gt;. Acesso em: 30 jun. 2011.)
 
A divergência dessas duas posições reproduz, atualmente, o antagonismo existente no debate sobre a questão racial na sociologia brasileira, exemplificado pela  oposição entre os pensamentos de Gilberto Freyre e Florestan Fernandes.Identifique e explique, nos trechos reproduzidos, os argumentos favoráveis e desfavoráveis à política de cotas para negros em universidades, comparando-os com as visões teóricas de Gilberto Freyre e Florestan Fernandes.
 
QUESTÃO 3 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Sociologia no Brasil. As várias formas de desigualdades sociais e a diversidade das explicações teóricas. Diversidade e miscigenação no Brasil. A questão dos negros nos estudos de Gilberto Freyre e de Florestan Fernandes.
 
Resposta esperada
Espera-se que o candidato analise as políticas brasileiras de ação afirmativa, no caso, a política de cotas para negros nas universidades, a partir das teorias de Freyre e de Fernandes (sabendo-se que esses autores não se debruçaram sobre a questão das cotas), comparando-as, dessa forma, aos argumentos favoráveis e desfavoráveis presentes nos textos lidos na questão. Espera-se, além disso, que o candidato seja capaz de mobilizar conceitos, tais como: raça, cor, desigualdade, diversidade,  miscigenação e democracia racial.

UEL 2012 – 2ª fase

2 – O texto a seguir narra um episódio exemplar da expansão econômica americana no Brasil, evidenciando a visão etnocêntrica da imprensa da época:
 
Em 1927, o governo do Pará cedeu a Henry Ford um milhão de hectares para o plantio de seringueiras. A Ford Motor Company precisava da borracha para fazer seus pneus, e os altos custos da importação de látex da Ásia pareciam uma boa razão para tal investimento em plena floresta amazônica. No caso de Ford, que tinha à sua disposição todos os recursos do mundo industrial, os jornalistas não tinham dúvida a respeito do resultado e falavam de sua missão civilizadora numa linguagem cheia de expectativa. A Revista Times relatou que Ford pretendia aumentar todos os anos suas plantações de seringueiras “até que toda a selva esteja industrializada”,  saudada pelos habitantes da floresta: “logo as jiboias virão, os macacos farão um grande alarido. Índios armados com pesadas lâminas liquidarão seus antigos  perseguidores para abrir caminho para limpadores de parabrisas, tapetes e pneus”. Ford estava levando a “magia do homem branco para o mundo selvagem”,   escreveu o Washington Post, “pretendendo produzir não apenas borracha, mas também os itens para os quais ela era a matéria-prima”.
(Adaptado de: GRANDIN, Greg. Fordlândia: a ascensão e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva. Rio de Janeiro: Rocco, 2010. p.18.)
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a industrialização no Brasil, explique as consequências dessas transformações econômicas e culturais.
 
QUESTÃO 2 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Relação homem/natureza na perspectiva do trabalho e da cultura. Os processos de industrialização e as mudanças econômicas e sua interferência no modo de vida das populações regionais.
 
Resposta esperada
O candidato deve analisar as transformações ocorridas no Brasil, no século XX, e as mudanças culturais na sociedade brasileira, aplicando e fazendo sínteses dos  conceitos de cultura, trabalho, etnocentrismo e desenvolvimento econômico. Será importante, também, explicar a concepção tradicional de desenvolvimento  econômico e a visão etnocêntrica de processo civilizatório (o etnocentrismo e a diversidade étnica.) 

UEL 2012 – 2ª fase

1 – Considere os trechos a seguir.
 
A classe operária não pode apossar-se simplesmente da maquinaria de Estado já pronta e fazê-la funcionar para os seus próprios objetivos.
(MARX, Karl. A revolução antes da revolução. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p.399.)
 
Também do ponto de vista histórico, contudo, o “progresso” a caminho do Estado regido e administrado segundo um direito burocrático e racional e regras pensadas racionalmente, atualmente, está intimamente ligado ao moderno desenvolvimento capitalista.
(WEBER, Max.Parlamento e governo na Alemanha reordenada: crítica política do funcionalismo e da natureza dos partidos. Petrópolis:Vozes, 1993, p.43.)
 
Com base nos trechos, compare as concepções clássicas de Estado formuladas nas obras de Karl Marx e Max Weber.
 
 
QUESTÃO 1 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Política, Estado, Dominação e Poder. Teorias sociológicas clássicas sobre o Estado. Os conceitos de Estado em Karl Marx e em Max Weber.
 
Resposta esperada
Espera-se que o candidato demonstre conhecimento e aplicação do conceito de Estado em Marx e Weber. A aplicação dos conceitos dos autores para a compreensão do Estado será revelada se o condidato, além de apresentar os conceitos, for capaz de, por meio da comparação, estabelecer as relações entre as duas compreensões teóricas distintas. A visão de Estado como aparato da classe dominante, no capitalismo, a classe burguesa; a visão de Estado como dominação racional baseada na organização burocrática e impessoal.

UEL 2011

40) Leia o texto a seguir.
Na verdade, a ideologia impessoal do liberalismo democrático jamais se naturalizou entre nós. Só assimilamos
efetivamente esses princípios até onde coincidiram com a negação pura e simples de uma autoridade
incômoda, confirmando nosso instintivo horror às hierarquias e permitindo tratar com familiaridade os governantes.
(HOLANDA, S. B. de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 160.)

 

O trecho de Raízes do Brasil ilustra a interpretação de Sérgio Buarque de Holanda sobre a tradição política
brasileira.
A esse respeito, considere as afirmativas a seguir.
I. As mudanças políticas no Brasil ocorreram conservando elementos patrimonialistas e paternalistas que
dificultam a consolidação democrática.
II. A política brasileira é tradicionalmente voltada para a recusa das relações hierárquicas, as quais são incompatíveis com regimes democráticos.
III. As relações pessoais entre governantes e governados inviabilizaram a instauração do fenômeno democrático
no país com a mesma solidez verificada nas nações que adotaram o liberalismo clássico.
IV. A cordialidade, princípio da democracia, possibilitou que se enraizassem, no país, práticas sociais opostas
aos princípios do clientelismo político.

 

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

 

resposta: B

UEL 2011

39) Leia o texto a seguir.
A maior parte dos sábios, como Isaac Newton, era profundamente crente e pensava que descobrir as leis da
natureza graças à física é descobrir a obra de uma providência absolutamente divina e convencer-se de que a
organização do mundo não é produto do acaso. Muito antes das Luzes, é no declínio das antigas hierarquias
e no turbilhão suscitado pela chegada ao Novo Mundo que devemos buscar a fonte da revolução científica.
É nesse contexto que as novas ciências abandonam a concepção de natureza como algo maravilhoso, governado
por princípios ocultos, e passam a imaginá-la como uma máquina gigantesca. A tal engrenagem
seguiria leis reguladoras e necessárias, passíveis de serem traduzidas em linguagem matemática. Isso não
impediria, contudo, que a visão mecanicista da natureza continuasse por muito tempo como um ato de fé,
incapaz de explicar fenômenos tão familiares como a coesão de materiais, a queda dos corpos ou a maré.
(Adaptado de: JENSEN, P. O saber não é neutro. Le Monde Diplomatique Brasil, Ed. Instituto Polis, jun. 2010, ano 3, n. 35, p. 34.)

 

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a revolução científica, é correto afirmar:
a) A revolução científica possibilitou demonstrar, no terreno da vida social, que o saber é neutro, pois é baseado em provas empíricas reveladoras de uma forma de verdade que não comporta manipulações pelos homens.
b) A revolução científica comprovou que as mesmas leis gerais que regem o mundo físico atuam também sobre a
realidade social, de tal modo que, compreendendo uma, se compreende diretamente a outra.
c) Para a revolução científica, ciência e religião são formas de compreensão racional da realidade, estando ambas regidas pelos princípios de observação, verificação e experimentação capazes de demonstrar a hipótese inicial.
d) A grande contribuição da revolução científica para as ciências humanas foi demonstrar que as relações sociais
possuem regularidades matemáticas, o que permite prever com exatidão os comportamentos dos indivíduos e de
grupos de indivíduos.
e) Ainda que impossibilitada de explicar a dinâmica da vida social, a revolução científica trouxe para o terreno
das ciências humanas o princípio da racionalidade da investigação como caminho para a apreensão objetiva
dos fatos.
 
resposta: E

UEL 2011

38) O positivismo foi uma das grandes correntes de pensamento social, destacando-se, entre seus principais teóricos, Augusto Comte e Émile Durkheim. Sobre a concepção de conhecimento científico, presente no positivismo do século XIX, é correto afirmar:
a) A busca de leis universais só pode ser empreendida no interior das ciências naturais, razão pela qual o conhecimento sobre o mundo dos homens não é científico.
b) Os fatos sociais fogem à possibilidade de constituírem objeto do conhecimento científico, haja vista sua incompatibilidade com os princípios gerais de objetividade do conhecimento e a neutralidade científica.
c) Apreender a sociedade como um grande organismo, a exemplo do que fazia o materialismo histórico, é rejeitado como fonte de influência e orientação para as investigações empreendidas no âmbito das ciências sociais.
d) A ciência social tem como função organizar e racionalizar a vida coletiva, o que demanda a necessidade de
entender suas regras de funcionamento e suas instituições forjadas historicamente.
e) O papel do cientista social é intervir na construção do objeto, aportando à compreensão da sociedade os valores por ele assimilados durante o processo de socialização obtido no seio familiar.
 
resposta: D

 

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