Unesp 2014

(Unesp 2014)  Não somente os tipos das canções de sucesso, os astros, as novelas ressurgem ciclicamente como invariantes fixos, mas o conteúdo específico do espetáculo só varia na aparência. O fracasso temporário do herói, que ele sabe suportar como bom esportista que é; a boa palmada que a namorada recebe da mão forte do astro, são, como todos os detalhes, clichês prontos para serem empregados arbitrariamente aqui e ali e completamente definidos pela finalidade que lhes cabe no esquema. Desde o começo do filme já se sabe como ele termina, quem é recompensado, e, ao escutar a música ligeira, o ouvido treinado é perfeitamente capaz, desde os primeiros compassos, de adivinhar o desenvolvimento do tema e sente-se feliz quando ele tem lugar como previsto. O número médio de palavras é algo em que não se pode mexer. Sua produção é administrada por especialistas, e sua pequena diversidade permite reparti-las facilmente no escritório.

(Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. “A indústria cultural como mistificação das massas”. In: Dialética do esclarecimento, 1947. Adaptado.)

 

O tema abordado pelo texto refere-se

a) ao conteúdo intelectualmente complexo das produções culturais de massa.

b) à hegemonia da cultura americana nos meios de comunicação de massa.

c) ao monopólio da informação e da cultura por ministérios estatais.

d) ao aspecto positivo da democratização da cultura na sociedade de consumo.

e) aos procedimentos de transformação da cultura em meio de entretenimento.

 

Resposta: E

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Unesp 2014

(Unesp 2014)  Segundo Franz Boas, as pessoas diferem porque suas culturas diferem. De fato, é assim que deveríamos nos referir a elas: a cultura esquimó ou a cultura judaica, e não a raça esquimó ou a raça judaica. Apesar de toda a ênfase que deu à cultura, Boas não era um relativista que acreditava que todas as culturas eram equivalentes, nem um empirista que acreditava na tábula rasa. Ele considerava a civilização europeia superior às culturas tribais, insistindo apenas em que todos os povos eram capazes de atingi-la. Não negava que devia existir uma natureza humana universal ou que poderia haver diferenças entre as pessoas de um mesmo grupo étnico. O que importava para ele era a ideia de que todos os grupos étnicos são dotados das mesmas capacidades mentais básicas.

(Steven Pinker. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana, 2004. Adaptado.)

 

Considerando o texto, é correto afirmar que, de acordo com o antropólogo Franz Boas,

a) os critérios para comparação entre as culturas são inteiramente relativos.

b) a vida em estado de natureza é superior à vida civilizada.

c) as diferenças culturais podem ser avaliadas por critérios universalistas.

d) as diferenças entre as culturas são biologicamente condicionadas.

e) o progresso cultural é uma ilusão etnocêntrica europeia.

 

Resposta: C

Unesp 2015

(Unesp 2015)  A crise de abastecimento de água em São Paulo se agravou significativamente a partir de 2002, quando a empresa pública Sabesp passou a priorizar a obtenção de lucro. Com essa alteração, a água deixou de ser considerada bem público e recurso essencial para a sociedade, abandonando-se o foco na universalização dos serviços de saneamento básico. Nesse mesmo caminho, seguiu uma diretriz estratégica de atender à expansão econômica, beneficiando-se com a lucratividade do aumento do consumo, ignorando a suficiência de água para atender a essa crescente demanda. Do ponto de vista neoliberal, a crise hídrica oferece “grandes e novas oportunidades” de negócios, tanto para obras como para serviços, especialmente no setor de gestão das águas, uma vez que se trata de um bem essencial de que todos são obrigados a dispor a qualquer preço e custo.

(Delmar Matter et al. “As obras e a crise de abastecimento”. http://www.diplomatique.org.br, 06.02.2015. Adaptado.)

 

No texto, o problema do abastecimento de água em São Paulo é abordado sob o ponto de vista

a) da crise ética da sociedade e das questões relativas ao negligenciamento dos valores morais e espirituais.

b) da defesa da necessidade de investimentos públicos para a construção de novos reservatórios de água.

c) dos efeitos positivos da racionalidade instrumental ao converter a natureza em objeto de dominação.

d) das tendências do sistema capitalista de transformar toda a realidade em mercadoria disponível no mercado.

e) das consequências do aumento da demanda ocasionado pela democratização do consumo da água.

 

Resposta: D

Unesp 2015

(Unesp 2015)  A decisão de uma prefeitura nos arredores de Paris de distribuir mochilas escolares azuis para os meninos e rosa para meninas provocou polêmica na França. Nas bolsas distribuídas pela prefeitura de Puteaux, há também um kit para construir robôs, para os meninos, e miçangas para fazer bijuterias, para as meninas. A distinção causou polêmica no momento em que o governo implementa na rede educacional um programa para promover a igualdade entre homens e mulheres e lutar contra os estereótipos.

(“Distribuição de mochilas escolares azuis e rosas causa polêmica na França”. http://www.bbc.co.uk. Adaptado.)

 

A polêmica citada pela reportagem envolve pressupostos sobre a sexualidade que podem ser definidos pela oposição entre fatores

a) comunitários e individuais.

b) metafísicos e empiristas.

c) teológicos e materiais.

d) antropocêntricos e teocêntricos.

e) biológicos e sociais.

 

Resposta: E

Unesp 2016

(Unesp 2016)  Defendo a liberdade de expressão irrestrita, mesmo depois desse trágico evento em que os cartunistas do jornal satírico “Charlie Hebdo” foram mortos, além de outras pessoas em um mercado kosher, em Paris. […] Sou intransigente no que diz respeito à liberdade de expressão de cada um: e sou ainda mais intransigente quando matam em nome de Alá, de Maomé, de Cristo, de comunismo, de nazismo, de fascismo etc. Caricaturar nunca é crime. Caneta e lápis não matam. Exageram, humilham, fazem rir, mas não matam.

(Gerald Thomas. “Quem ri por último ri melhor”. Folha de S.Paulo, 17.01.2015.)

 

O argumento defendido no texto está baseado na

a) valorização do caráter absoluto de todo tipo de simbologia teológica e religiosa.

b) primazia de princípios originalmente burgueses e liberais no campo da cultura.

c) utopia comunista da igualdade econômica e da liberdade de expressão.

d) depreciação do livre-arbítrio, em favor de uma concepção totalitária de mundo.

e) defesa intransigente de restrições para o exercício da autonomia de pensamento.

 

Resposta: B

Unesp 2016

(Unesp 2016)  A escola que se autointitula a primeira colocada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocupa, ao mesmo tempo, a  e a  posição no ranking que a imprensa faz com os resultados do Enem. A escola separou numa sala diferente os alunos que acertavam mais questões em suas provas internas. Trouxe, inclusive, alguns alunos de suas franquias pela Grande São Paulo. E “criou” uma outra escola (abriu outro CNPJ), mesmo estando no mesmo espaço físico. E de lá pra cá esta ‘outra escola’ todo ano é a primeira colocada no Enem. A  posição é a que melhor reflete as condições da escola. O  lugar é uma farsa. A primeira colocada no Enem NÃO é uma escola, é uma artimanha jurídica que faz com que os alunos tenham suas notas computadas em duas listas diferentes. Todos estudam no mesmo prédio, com os mesmos professores, com o mesmo material, no mesmo horário, convivendo no mesmo pátio e no mesmo horário de intervalo. No Brasil todo temos centenas de escolas que trabalham com a regra na mão para tentar parecer que são a melhor e depois divulgar, em suas propagandas, que são a melhor escola do país, do estado, da região, da cidade e, em cidades grandes, como várias capitais, até mesmo que é a melhor escola de um determinado bairro.

(Mateus Prado. “Escola campeã do Enem ocupa, ao mesmo tempo, o  e o  lugar do ranking”. O Estado de S.Paulo, 26.12.2014. Adaptado.)

O fato relatado pode ser explicado em função da

a) hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação.

b) falência da meritocracia como critério de acesso ao ensino superior na sociedade atual.

c) priorização de aspectos humanísticos, em detrimento da preparação para o mercado de trabalho.

d) resistência dos educadores à transformação da escola em instrumento de reprodução ideológica.

e) separação rigorosa entre os âmbitos da educação e da publicidade na sociedade capitalista.

 

Resposta: A

Unesp 2016

(Unesp 2016)  Sob o ponto de vista individual, a corrupção pode ser vista como uma escolha racional, baseada em uma ponderação dos custos e dos benefícios dos comportamentos honesto e corrupto. No tocante às empresas, punir apenas as pessoas, ignorando as entidades, implica adotar, nesse âmbito, a teoria da maçã podre, como se a corrupção fosse um vício dos indivíduos que as praticaram no seio empresarial. O que constatamos é bem diferente disso. A corrupção era, para as empresas envolvidas na operação Lava Jato, um modelo de negócio que majorava o lucro em benefício de todos.

(Entrevista com Deltan Martinazzo Dallagnol [procurador público].O Estado de S.Paulo, 18.03.2015. Adaptado.)

A corrupção é abordada no texto como um problema que pode ser explicado sob um ponto de vista

a) ético, devido ao comportamento irracionalista que é assumido pelos indivíduos.

b) moral, pois o fenômeno é abordado como resultado de comportamentos desregrados.

c) pragmático, pois é considerada, sobretudo, a avaliação dos efeitos práticos das ações.

d) jurídico, pois é necessária uma legislação mais rigorosa para coibir o fenômeno

e) materialista, pois suas causas relacionam-se com a estrutura do sistema capitalista.

 

 

Resposta: C

ENEM 2015

Q39 (Enem 2015 – azul)  Na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a imagem de um indivíduo, principalmente na indústria do espetáculo, pode agregar valor econômico na medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública. Aparecer é então mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado. Nesse âmbito, a lógica circulatória do mercado, ao mesmo tempo que acena democraticamente para as massas com os supostos “ganhos distributivos” (a informação ilimitada, a quebra das supostas hierarquias culturais), afeta a velha cultura disseminada na esfera pública. A participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, tanto falar e ser falado quanto ser visto são índices do desejo de “espelhamento”.

SODRÉ, M. Disponível em: http://alias.estadao.com.br. Acesso em: 9 fev. 2015 (adaptado).

 

A crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza

a) a prática identitária autorreferente.

b) a dinâmica política democratizante.

c) a produção instantânea de notícias.

d) os processos difusores de informações.

e) os mecanismos de convergência tecnológica.

 

Resposta: A

ENEM 2015

Q43 (Enem 2015 – azul)  Só num sentido muito restrito, o indivíduo cria com seus próprios recursos o modo de falar e de pensar que lhe são atribuídos. Fala o idioma de seu grupo; pensa à maneira de seu grupo. Encontra a sua disposição apenas determinadas palavras e significados. Estas não só determinam, em grau considerável, as vias de acesso mental ao mundo circundante, mas também mostram, ao mesmo tempo, sob que ângulo e em que contexto de atividade os objetos foram até agora perceptíveis ao grupo ou ao indivíduo.

MANNHEIM, K. Ideologia e utopia. Porto Alegre: Globo, 1950 (adaptado).

 

Ilustrando uma proposição básica da sociologia do conhecimento, o argumento de Karl Mannheim defende que o(a)

a) conhecimento sobre a realidade é condicionado socialmente.

b) submissão ao grupo manipula o conhecimento do mundo.

c) divergência é um privilégio de indivíduos excepcionais.

d) educação formal determina o conhecimento do idioma.

e) domínio das línguas universaliza o conhecimento.

 

Resposta: A

ENEM 2015

Q35 (Enem 2015 – azul)  Quanto ao “choque de civilizações”, é bom lembrar a carta de uma menina americana de sete anos cujo pai era piloto na Guerra do Afeganistão: ela escreveu que – embora amasse muito seu pai – estava pronta a deixá-lo morrer, a sacrificá-lo por seu país. Quando o presidente Bush citou suas palavras, elas foram entendidas como manifestação “normal” de patriotismo americano; vamos conduzir uma experiência mental simples e imaginar uma menina árabe maometana pateticamente lendo para as câmeras as mesmas palavras a respeito do pai que lutava pelo Talibã – não é necessário pensar muito sobre qual teria sido a nossa reação.

ZIZEK. S. Bem-vindo ao deserto do real. São Paulo: Bom Tempo. 2003.

 

A situação imaginária proposta pelo autor explicita o desafio cultural do(a)

a) prática da diplomacia.

b) exercício da alteridade.

c) expansão da democracia.

d) universalização do progresso.

e) conquista da autodeterminação.

 

Resposta: B

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