Unesp 2014

(Unesp 2014)  Os reality shows são hoje para a classe mais abastada e intelectualizada da sociedade o que as novelas eram assim que se popularizaram como produto de cultura massificada: sinônimo de mau gosto. Com uma maior aceitação das novelas na esfera dos críticos da mídia, o reality show segue agora como gênero televisivo mundial, transmitido em horário nobre, e principal símbolo da perda de qualidade do conteúdo televisivo na sociedade pós-moderna. Os reality shows personificam as novas formas de identificação dos sujeitos nas sociedades pós-modernas. Programas como o BBB são movidos pelas engrenagens de uma sociedade exibicionista e consumista, que se mantém vendendo ao mesmo tempo a proposta de que cada um pode sair do anonimato e conquistar facilmente fama e dinheiro.

(Sávia Lorena B. C. de Sousa. O reality show como objeto de reflexão cultural. observatoriodaimprensa.com.br)

 

Sobre a relação entre os meios de comunicação de massa e o público consumidor, é correto afirmar que:

a) a qualidade da programação da tv não é condicionada pelas demandas e desejos dos consumidores culturais.

b) o reality show é uma mercadoria cultural relacionada com processos emocionais de seu público.

c) os critérios estéticos independem do nível de autonomia intelectual dos consumidores.

d) no caso dos reality shows, a televisão estimula a capacidade de fruição estética do público consumidor.

e) os programadores priorizam aspectos formativos relegando o entretenimento a uma condição secundária.

 

Resposta: B

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“Tudo como o previsto”

27 de Maio de 2014

por Gustavo Esteves Lopes

Alguém previu de imediato, quando da escolha do Brasil como país-sede da “Copa do Mundo Fifa 2014tm, ocorrida em 2007, que haveria este rebuliço todo em torno da organização deste mega-evento esportivo, e que possivelmente ocorrerá o mesmo em relação aos “Jogos Olímpicos Rio 2016tm”? É certo que sim. Feito tradição que precede e perpassa a realização de um mega-evento, em qualquer lugar do mundo, contendas e recrudescimentos múltiplos – gerados entre sociedade civil, estado, patrocinadores e comitês organizadores – estabelecem-se como componentes essenciais próprios ao que é denominado “civilização”, em que cada parte se julga no direito e no dever de impor seus pensamentos e ações sobre outrem. Inversamente a tal condição humana que se constitui coletivamente enquanto “civilidade” – vocábulo este que está muito além de seus sinônimos diretos “cortesia” ,“polidez” e “boas maneiras” –, quanto a uma partida de futebol, o que se passa dentro das quatro linhas, e segundo as regras do jogo, presume-se como o contrário em relação ao que acontece do lado de fora, em que leis e quaisquer outras normas jurídicas existem, também, para serem desobedecidas – como o fazem os “anônimos” e as pessoas “publicamente reconhecidas”, ininterruptamente. Se a regra do jogo for desrespeitada, este não há mais razão de ser, de existir – seja este uma loteria, uma modalidade esportiva individual, bem como uma modalidade esportiva coletiva, como o futebol e outras. Corrupção, exclusão social, acidentes de trabalho, difamação, protestos, violência generalizada, e ocorrências de morte de toda a sorte, já estavam previstos nas entrelinhas do contrato assinado entre todas as partes envolvidas. Ledo engano acreditar que ninguém quis ou quer ler tanto aquilo que estava escrito no contrato (social, aliás), como também aquilo que não estava. Ainda assim, é inegável que em meio a todo este rebuliço, há espaço, tempo e circunstância para que brasileiros, e muita gente espalhada ao redor do mundo, sejam contagiados pelos mais sinceros e graciosos sentimentos inatos aos seres humanos, “civilizados ou não”, como alegria, serenidade e fraternidade, de modo a contemplar, com toda a certeza, o que já era esperado de um mega-evento esportivo. Em suma, e com franqueza, é sabido que vem ocorrendo “tudo como o previsto”, dentro e fora das quatro linhas que engendram o esporte bretão. (Dedicado a José Carlos Sebe Bom Meihy, Roberto Damatta e Marcel Diego Tonini)

Gustavo Esteves Lopes – Historiador, e Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo. Só neste ano de 2014 publicará dois livrinhos, pois ambos já estão no prelo – um sobre o tempo de ditadura militar no Brasil (1964-1985), e outro sobre a história da comunidade local onde vive e trabalha (Hortolândia-SP). É praticante contumaz daquilo que se chama “história oral”.

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