UEM 2009 – inverno

Questão 01
Assinale o que for correto sobre a estrutura e a
estratificação social brasileira no período compreendido
entre 1950 e 1980.
 
01) O processo de modernização capitalista adotado pelo
regime militar modificou radicalmente a estrutura
agrária baseada no modelo concentrador de terras,
promovendo uma ampla reforma dos latifúndios
improdutivos e eliminando as condições precárias de
trabalho no campo.
02) Um dos efeitos do chamado “milagre econômico” foi
a ascensão social dos trabalhadores domésticos,
sobretudo das mulheres empregadas em serviços de
limpeza em residências.
04) A expansão da produção industrial promoveu a
valorização de profissões associadas ao novo padrão
de gestão e organização do trabalho, que se tornou
mais burocratizado e racionalizado.
08) As perspectivas de ascensão social alimentadas pela
classe média foram reforçadas pela consolidação do
sistema universitário que, por meio da educação
superior, criou novas possibilidades de qualificação
profissional.
16) A camada de trabalhadores especializados foi
ampliada em setores significativos da expansão
produtiva, tais como a indústria automobilística,
alterando o perfil do proletariado de regiões
altamente industrializadas.
 
resposta: 28

UEM 2008 – verão

Questão 02
No Brasil, ao refletir sobre a Estrutura Agrária e os
Movimentos Sociais no Campo, é correto afirmar que
 
01) o aumento no volume da produção agrícola não eleva
automaticamente os níveis de renda e emprego de
parcela da população mais pobre que vive nas áreas
rurais, ocasionando, pelo menos desde os anos de
1960, um deslocamento dessa população para as
áreas urbanas.
02) o desenvolvimento capitalista da agricultura se
baseou na produção intensiva, que optou por maior
uso de adubos, inseticidas, máquinas e trabalho
assalariado.
04) a luta pela democratização do acesso à terra teve
como principais defensores, nos anos de 1945 a 1964,
as Ligas Camponesas e, na atualidade, o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
08) a exploração capitalista das atividades agropecuárias
intensificou a concentração fundiária, tornando a
necessidade da reforma agrária um consenso na
sociedade brasileira.
16) o avanço do capitalismo no campo garantiu aos
assalariados rurais um lote mínimo para o plantio de
subsistência, gerando um significativo processo de
democratização do acesso à terra.
 
resposta: 07

UEL 2011

29) Na primeira metade do século XX, o desenvolvimento social brasileiro foi marcado por intensos debates a respeito do processo de modernização do País.
De acordo com esses debates:
I. O País era apresentado, por algumas correntes de pensamento, como sendo de vocação agrícola.
II. O desenvolvimento social e econômico do País passaria, necessariamente, pela modernização do campo.
III. O atraso brasileiro decorria de sua origem feudal, aqui reproduzida mediante a relação entre senhor e
escravo.
IV. A expansão da economia capitalista no campo seria fundamental para eliminar os focos de pobreza e os
movimentos sociais de caráter agrário.

 

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

 

resposta: D

UEL 2011

28) A imagem ao lado retrata um personagem, Jeca Tatu, criado pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato no começo do século XX.
Com base na imagem desse personagem e nos conhecimentos sobre a cultura caipira, é correto afirmar:
I. A cultura caipira resistiu ao desenvolvimento do capitalismo no campo, o que é demonstrado pela expansão
da música sertaneja moderna.
II. Jeca Tatu era visto como o modelo ideal de trabalhador para a indústria automobilística nascente,
por seu caráter dócil e seu espírito de iniciativa para enfrentar as adversidades.
III. A tradição da cultura caipira baseava-se na produção de valores de uso e mutirões, expressão do limitado
desenvolvimento da economia de mercado, nos agrupamentos rurais.
IV. Jeca Tatu exprimia, do ponto de vista econômico, a existência de disparidades sociais entre, de um
lado, um Brasil moderno e industrial e, de outro, aquele atrasado e agrário.
 
(Jeca Tatu – Monteiro Lobato – 1918)
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
resposta: C

Cana: mais máquinas, mesma exploração

Por Eduardo Sales de Lima, Brasil de Fato

 

A mecanização da colheita da cana-de-açúcar tem levado uma parcela significativa de ex-cortadores de a perderem seus empregos. Desde 2007, foram fechados no estado de São Paulo, cerca de 40 mil postos de trabalho no corte da cana, segundo o professor do departamento de Economia Rural da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), José Giacomo Baccarin.

A mecanização nas lavouras de cana de São Paulo alcançou 70% das usinas e 20% dos fornecedores do Estado na safra 2010/11, segundo balanço da Secretaria de Meio Ambiente.

Esses dados não significam, contudo, que a exploração sobre o cortador de cana que ainda permanece na ativa tenha acabado. É o que defende a professora do departamento de sociologia da Unesp, campus de Araraquara (SP), Maria Aparecida Moraes Silva.

Demanda

Com o crescimento interno da demanda pela produção de etanol, a pesquisadora explica que nos últimos anos a vida do cortador de cana ficou mais difícil e, a médio prazo, tende a piorar. “As condições de exploração não foram mudadas no trabalho, justamente porque a base dessa exploração é o trabalho por produção e pagamento muito baixo”, explica a socióloga da Unesp.

“Tem crescido o que as empresas chamam de média (que é a quantidade de toneladas de cana cortadas por dia). As empresas passaram a pedir, em média, dez toneladas por dia, por trabalhador”, relata.

Um boia-fria da região de Ribeirão Preto (SP) cortou na safra 2010/2011, em média, 1,5 tonelada de cana-de-açúcar a mais por dia que há cinco anos. É o que mostra levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo com dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

Para Maria Aparecida, a alta se deve a um endurecimento das usinas na cobrança sobre a mão-de-obra e à desvalorização da quantia pago pela cana cortada. “Se o trabalhador não atingir essa meta, no final do mês ele corre o risco de ser dispensado. A maioria ultrapassa essa capacidade, tem cãibras. Eles têm dores no corpo todo, vomitam, problemas de diarreia”, descreve a socióloga.

A pressão aumenta, o pagamento não. De acordo com a pesquisadora, em 2010, o preço de uma tonelada de cana era um pouco acima de R$ 3. Segundo ela, ano a ano, o preço dessa força de trabalho tem diminuído, e com isso é obrigado a intensificar mais seu ritmo de trabalho para que possa ter um salário que o possa o mantê-lo.

Além da pressão para cortar cada vez mais, aumentar mais a chamada “média”, existem outras particularidades que contribuem para o aumento da exploração, segundo a socióloga Maria Aparecida Moraes Silva. Ela informa que diversos tipos de cana estão cada vez mais pesados pois contêm uma quantidade maior de sacarose.

Outro ponto: o trabalhador não pode deixar “toco”. Há alguns anos atrás, como lembra Maria Aparecida de Moraes, não havia a obrigação de o trabalhador cortar a cana ao rente ao chão. “Pesquisas provaram que a maior quantidade de sacarose está exatamente na base da cana, praticamente em sua raiz. Isso exige um esforço maior, uma curvatura maior do corpo dele”, explica a professora.

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