ENEM 2016

(Enem 2016)  Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

ADORNO, T HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

 

 

A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a)

a) legado social.

b) patrimônio político.

c) produto da moralidade.

d) conquista da humanidade.

e) ilusão da contemporaneidade.

 

Resposta: E

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Unesp 2014

(Unesp 2014)  Segundo Franz Boas, as pessoas diferem porque suas culturas diferem. De fato, é assim que deveríamos nos referir a elas: a cultura esquimó ou a cultura judaica, e não a raça esquimó ou a raça judaica. Apesar de toda a ênfase que deu à cultura, Boas não era um relativista que acreditava que todas as culturas eram equivalentes, nem um empirista que acreditava na tábula rasa. Ele considerava a civilização europeia superior às culturas tribais, insistindo apenas em que todos os povos eram capazes de atingi-la. Não negava que devia existir uma natureza humana universal ou que poderia haver diferenças entre as pessoas de um mesmo grupo étnico. O que importava para ele era a ideia de que todos os grupos étnicos são dotados das mesmas capacidades mentais básicas.

(Steven Pinker. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana, 2004. Adaptado.)

 

Considerando o texto, é correto afirmar que, de acordo com o antropólogo Franz Boas,

a) os critérios para comparação entre as culturas são inteiramente relativos.

b) a vida em estado de natureza é superior à vida civilizada.

c) as diferenças culturais podem ser avaliadas por critérios universalistas.

d) as diferenças entre as culturas são biologicamente condicionadas.

e) o progresso cultural é uma ilusão etnocêntrica europeia.

 

Resposta: C

UEL 2009

Leia os textos a seguir e responda à questão 37.
 
Texto II
Reserva da insensatez
O processo de demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, é o mais antigo e conturbado
da história do Brasil […] Ao delimitarem uma reserva desse tamanho [7,5% da área do estado],
os antropólogos da Funai pressupunham que os índios continuariam vivendo como nômades, de caça e da
pesca, a exemplo de seus ancestrais. Mas eles estão totalmente integrados às cidades do entorno. Moram
em casas, fazem compras em supermercados e falam português […].
(Revista Veja, 30 set 2008.)
 
Texto III
Selva é com ele
O Comandante da Amazônia [general-de-exército Augusto Heleno Pereira] chamou a atual política indigenista
de “lamentável” e “caótica”, por impedir não-índios de entrar em reservas e por abandonar as comunidades
indígenas à miséria depois da demarcação […] A doutrina militar defende desde sempre a ocupação e a
civilização da Amazônia como a melhor forma de protegê-la. A ameaça de invasão da região por traficantes
e terroristas estrangeiros, como os da Farc, é real. Só quem pode contê-la é o Exército. Por isso, é de bom
senso sempre ouvir o que os generais têm a dizer sobre a Amazônia.
(Revista Veja, 23 abr. 2008. p. 58.)
 
37) Em 2008, o Supremo Tribunal Federal brasileiro discutiu a demarcação contínua da Reserva Raposa Serra do
Sol, em Roraima. Fortes críticas à permissão da demarcação (como ilustrado pelos textos anteriores) revelam
valores e formas de pensamento de setores da sociedade brasileira.
Sobre esta polêmica, considere as seguintes afirmativas.
I. Este processo de disputa atesta a dificuldade, ainda nos dias atuais, da efetivação dos direitos de etnias
indígenas em meio aos interesses de proprietários de terra.
II. Embora contrárias à demarcação, as críticas expostas nos textos estão livres do sentimento de superioridade
cultural pelos não-índios.
III. As polêmicas são causadas pelas debilidades culturais das etnias indígenas, que não lhes permitem
integrar-se de forma harmoniosa ao Estado brasileiro.
IV. O argumento segundo o qual se deve “civilizar” a Amazônia demonstra que pressupostos etnocêntricos
ainda se encontram presentes na sociedade brasileira.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e III são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
 
resposta: B

UEL 2010

Leia o texto a seguir e responda às questões 24 e 25.
A palavra “bárbaro” é de origem grega. Ela designava, na Antiguidade, as nações não-gregas, consideradas primitivas, incultas, atrasadas e brutais. A oposição entre civilização e barbárie é então antiga. Ela encontra uma nova legitimidade na filosofia dos iluministas, e será herdada pela esquerda. O termo “barbárie” tem, segundo o dicionário, dois significados distintos, mas ligados: “falta de civilização” e “crueldade de bárbaro”.
A história do século 20 nos obriga a dissociar essas duas acepções e a refletir sobre o conceito – aparentemente contraditório, mas de fato perfeitamente coerente – de “barbárie civilizada”. […] Se nós nos referimos ao segundo sentido da palavra “bárbaro” – atos cruéis, desumanos, a produção deliberada de sofrimento e a morte deliberada de não-combatentes (em particular, crianças) – nenhum século na história conheceu manifestações de barbárie tão extensas, tão massivas e tão sistemáticas quanto o século XX. (LOWY, M. Barbárie e Modernidade no século 20. Disponível em: <http://www.socialismo.org.br/portal/filosofia/155-artigo/1226-barbariee-modernidade-no-seculo-20&gt; Acesso em: 30 out. 2009).

 

24) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema barbárie e civilização, é correto afirmar:
a) A civilização moderna garantiu, com seus progressos na ciência e na moral, um tipo de paz duradoura, pois não utiliza mais a força e a crueldade, essas continuam presentes apenas em sociedades arcaicas.
b) O processo civilizatório com todos os progressos científicos e políticos não foi capaz de superar as tendências sociais destrutivas; ao contrário, as aperfeiçoou a partir da racionalidade técnica.
c) A civilização tradicional e moderna não manteve os princípios agressivos presentes em tempos longínquos de nossa história; assistimos ao progressivo declínio da barbárie na sociedade.
d) A barbárie primitiva opõe-se à barbárie civilizada, na medida em que a última eliminou por completo o uso da força e da violência na resolução dos conflitos entre os Estados Nação.
e) A civilização e a cultura pré-moderna sobreviveram até os dias atuais, permitindo uma articulação da vida bucólica e pacífica com a vida moderna tendenciosamente mais cruel que outras épocas.

 

Resposta: B

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