UEM 2008 – verão

Questão 20
Nas décadas de 1950 e 1960, os estudos da Cepal
(Comissão Econômica para a América Latina) motivaram
um intenso debate sobre a condição subdesenvolvida de
países como o Brasil. Sobre esse assunto, assinale o que
for correto.
 
01) Pesquisadores como Celso Furtado afirmaram que as
economias capitalistas não seguem uma trajetória
evolucionista. Assim, o subdesenvolvimento não
seria uma etapa anterior ao desenvolvimento, mas
resultado de processos históricos autônomos.
02) No período indicado acima, os estudiosos do
subdesenvolvimento defendiam que o Estado deveria
intervir na economia como caminho para o
desenvolvimento. Esse diagnóstico influenciou as
políticas econômicas implantadas em vários países da
América Latina.
04) A Cepal foi instituída pela ONU (Organização das
Nações Unidas) no final da década de 1940, com o
objetivo de formular planos de desenvolvimento para
a América Latina.
08) No período histórico em questão, o Brasil alcançou
um grau significativo de industrialização, a exemplo
do setor automobilístico. A geração de emprego
nesse e em outros setores da economia nacional foi
suficiente para romper as barreiras do
subdesenvolvimento.
16) Os estudiosos do subdesenvolvimento preconizavam
que, além da industrialização, o Estado deveria
promover reformas sociais para alcançar o
desenvolvimento.
 
resposta: 23

UEM 2008 – inverno

03 – Ao longo da história, várias sociedades foram
marcadas por profundas desigualdades sociais e
políticas, motivando diferentes interpretações sobre
elas. Assinale o que for correto.
 
01) Para Rousseau, o contrato social teria por
objetivo alcançar o bem comum, estabelecendose
um pacto em que os indivíduos estariam
igualmente submetidos à vontade geral da
sociedade.
02) O pensamento liberal interpreta as diferenças
sociais como o resultado da desigual
apropriação dos meios de produção, do capital e
da força de trabalho e considera que essa
situação leva à dominação entre os indivíduos.
04) Nas décadas de 1950 e 1960, o Brasil passou
por um processo de industrialização, mas sem
sair do subdesenvolvimento devido às
características de seu modelo de crescimento
industrial, que gerou uma acumulação altamente
concentrada da riqueza.
08) A partir de 1970, o governo brasileiro conseguiu
diminuir as desigualdades no país mediante um
desenvolvimento com custo social reduzido, a
desconcentração da renda, a absorção da mãode-
obra economicamente ativa e o fim da
inflação.
16) Segundo Karl Marx, na sociedade capitalista, o
operário cria as mercadorias e apropria-se de
uma parcela da sua produção, eliminando as
desigualdades sociais.
 
resposta: 05

UEM 2008 – inverno

08 – Sobre as mudanças sofridas pelo Estado brasileiro,
os padrões que marcaram sua relação com a
sociedade civil e as interpretações produzidas sobre
essa temática, assinale o que for correto.
 
01) A passagem do Império para a República
implicou fortes transformações na organização
do poder político. Conforme exigências da nova
ordem, a denominada Primeira República
dissolveu o fenômeno da apropriação privada do
Estado pelas oligarquias.
02) O conceito de “modernização conservadora” é
aplicado para designar o grande controle que o
Estado exerceu sobre os processos de mudança
ocorridos no Brasil, como, por exemplo, aqueles
relacionados à industrialização.
04) A ascensão de Getúlio Vargas ao poder
promoveu, pela primeira vez no Brasil, a
inclusão, de forma autônoma, da classe
trabalhadora nos centros decisórios de políticas.
Por isso, esse estadista foi denominado “o pai
dos pobres”.
08) O patrimonialismo atribuído ao Estado
brasileiro por vários teóricos corresponde, entre
outros fatores, às relações de lealdade que se
estabeleceram entre os detentores do poder e
determinados grupos de elite. Como resultado,
dificultou-se a consolidação de uma burocracia
moderna para gerir a máquina pública do país.
16) No Brasil, o poder executivo concentrou,
historicamente, as maiores parcelas de poder
político. Ao lado de outros elementos, esse fato
explica a fragilidade do sistema partidário
brasileiro em cumprir sua função de permitir a
expressão e de garantir os direitos dos diferentes
grupos existentes em nossa sociedade.
 
resposta: 26

A miséria do ‘novo desenvolvimentismo’

José Luís Fiori

“O capitalismo só triunfa quando se identifica com o estado, quando é o estado”
Fernand Braudel, “O Tempo do Mundo”, Editora Martins Fontes, SP, p: 34

O “debate desenvolvimentista” latino-americano não teria nenhuma especificidade se tivesse se reduzido à uma discussão macro-econômica entre “ortodoxos”, neo-clássicos ou liberais, e “heterodoxos”, keynesianos ou estruturalistas. Na verdade, ele não teria existido se não fosse por causa do estado, e da discussão sobre a eficácia ou não da intervenção estatal, para acelerar o crescimento econômico, por cima das “leis do mercado”. Até porque, na América Latina como na Ásia, os governos desenvolvimentistas sempre utilizaram políticas ortodoxas, segundo a ocasião e as circunstâncias, e o inverso também se pode dizer de muitos governos europeus ou norte-americanos ultra-liberais ou conservadores que utilizaram em muitos casos, políticas econômicas de corte keynesiano ou heterodoxo. O pivô de toda a discussão e o grande pomo da discórdia sempre foi o estado, e a definição do seu papel no processo do desenvolvimento econômico.

Apesar disto, depois de mais de meio século de discussão, o balanço teórico é decepcionante.. De uma forma ou outra a “questão do estado” sempre esteve presente, nos dois lados desta disputa, que acabou sendo mais ideológica do que teórica. Mas o seu conceito foi sempre impreciso, atemporal e ahistórico, uma espécie de “ente” lógico e funcional criado intelectualmente para resolver problemas de crescimento ou de regulação econômica. Desenvolvimentistas e liberais sempre compartilharam a crença no poder demiúrgico do estado, como criador ou destruidor da boa ordem econômica, mas atuando em todos os casos, como um agente externo à atividade econômica. Um agente racional, funcional e homogêneo, capaz de construir instituições e formular planos de curto e longo prazo orientados por uma idealização do modelo dos “capitalismos tardios” ou do estado e desenvolvimento anglo-saxão. E todos olhavam negativamente para os processos de monopolização e de associação do poder com o capital, que eram vistos como desvios graves de um “tipo ideal” de mercado competitivo que estava por trás da visão teórico dos desenvolvimenjtistas tanto quando dos liberais.

Além disto, todos trataram os estados latino-americanos como se fossem iguais e não fizessem parte de um sistema regional e internacional único, desigual, hierarquizado, competitivo e em permanente processo de transformação. E mesmo quando os desenvolvimentistas falaram de estados centrais e periféricos, e de estados dependentes, falavam sobretudo de sistema econômico mundial que tinha um formato bipolar relativamente estático, onde as lutas de poder entre os estados e as nações ocupavam um lugar bastante secundário..

No final do século XX, a agenda neoliberal reforçou um viés da discussão que já vinha crescendo desde o período desenvolvimentista: o deslocamento do debate para o campo da macroeconomia. Como volta a acontecer com o chamado “neo-desenvolvimentismo” que se propõe inovar e construir uma terceira via (uma vez mais), “entre o populismo e a ortodoxia”. Como se tratasse de uma gangorra que ora aponta para o fortalecimento do mercado, ora para o fortalecimento do estado.

Na prática, o “neo-desenvolvimentista” acaba repetindo os mesmos erros teóricos do passado e propondo um conjunto de medidas ainda mais vagas e gelatinosas do que já havia sido a ideologia nacional-desenvolvimentista dos anos 50. Passado a limpo, trata-se de um pastiche de propostas macroeconômicas absolutamente ecléticas, e que se propõem fortalecer, simultaneamente, o estado e o mercado; a centralização e a descentralização; a concorrência e os grandes “campeões nacionais”; o público e o privado; a política industrial e a abertura; e uma política fiscal e monetária, que seja ao mesmo tempo ativa e austera. E, finalmente, com relação ao papel do estado, o “neo-desenvolvimentismo” propõe que ele seja recuperado e fortalecido mas não esclarece em nome de quem, para quem e para quê, deixando de lado a questão central do poder, e dos interesses contraditórios das classes e das nações.

Neste sentido, fica ainda mais claro que o desenvolvimentismo latino-americano sempre teve um parentesco maior com o keynesianismo e com “economia do desenvolvimento” anglo-saxônica, do que com o nacionalismo econômico e o anti-imperialismo, que são a mola mestra do desenvolvimento asiático. E que, além disto, os desenvolvimentistas latino-americanos sempre compartilharam com os liberais, a concepção econômica do estado do paradigma comum da economia política clássica, marxista e neo-clássica. Este paradoxo explica – aliás – a facilidade teórica com que se pode passar de um lado para o outro, dentro do paradigma líbero-desenvolvimentista, sem que de fato se tenha saído do mesmo lugar.

José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

UEL 2005

24- “Luiz Ignácio Lula da Silva é o 21º presidente a governar o
Brasil desde que Getúlio Vargas se suicidou, há cinqüenta
anos, em meio a uma turbulenta crise política. Getúlio
assombrou, de uma forma ou de outra, todos eles. Para
muitos, governar significou usar as instituições e modelos
que, implementados por Vargas na década de 30,
fundaram o Brasil moderno. Após Fernando Collor (1990-
1992), parte do trabalho dos governantes é tentar
desmontar o que se convencionou chamar de a herança
da ‘era Vargas’”. (Folha de São Paulo, São Paulo, 22 ago.
2004. Caderno Especial, p. A 1.)
Assinale a alternativa que apresenta características da
“herança da era Vargas”, combatidas por esses
governos a partir da década de 1990.
a) Desequilíbrio entre os três poderes, instaurado por Getúlio
Vargas, quando, munido da Constituição de 1937, atribuiu
ao Executivo direitos absolutos de comando.
b) Traços de forte liberalização, que visam restringir a
regulação e a intervenção estatal na economia; legislação
trabalhista acentuadamente flexível, ancorada,
principalmente, na negociação direta entre trabalhadores
e empresários.
c) Caráter “entreguista”, marca do governo Vargas,
manifestado na política econômica que busca atender às
demandas do mercado interno através de importações
crescentes.
d) Presença de órgãos de fiscalização à imprensa, como o
DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda –
responsáveis por monitorar e censurar os meios de
comunicação.
e) Presença expressiva do Estado na economia,
especialmente por meio de empresas estatais; legislação
trabalhista minuciosa e corporativista.
resposta: E

Blog Stats

  • 1.353.336 visitas
%d blogueiros gostam disto: