UEM 2009 – inverno

Questão 20
Leia o seguinte texto:
“Muitos trabalham ilegalmente nas oficinas de costura no
centro da cidade ou em atividades ligadas ao comércio.
Geralmente as jornadas de trabalho são de até 12 horas e,
lógico, estão completamente desprovidos do acesso à
saúde e educação. São, na maioria, homens, na faixa
etária de 20 a 40 anos, sem qualificação profissional, que
enfrentam uma longa viagem de ônibus em busca de uma
vida melhor. As principais portas de entrada são a
fronteira brasileira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu, no
Estado do Paraná e a fronteira da Bolívia com o Brasil,
em Corumbá, Estado do Mato Grosso do Sul. A
intermediação da imigração ilegal é feita por
agenciadores de mão-de-obra que cobram cerca de 400
dólares para facilitar a entrada e a colocação destes
imigrantes no mercado de trabalho.” (Revista Sociologia,
ano I, no.6, p. 66.)
A respeito do trecho acima e do tema por ele tratado,
assinale o que for correto.
01) Devido às dificuldades na travessia da fronteira
norte-americana, os mexicanos buscam o Brasil
como forma de oficializar seu movimento imigratório
e ingressar legalmente nos países de economias
desenvolvidas, como Portugal ou Canadá.
02) O elemento mediador da imigração moderna é o
trabalho. Por meio dele, produz-se o processo de
inserção ou de exclusão social e justifica-se a
presença na sociedade receptora e a ausência na
sociedade de origem.
04) O Brasil recebe atualmente um número significativo
de imigrantes oriundos de outros países da América
Latina, principalmente bolivianos e paraguaios, que,
ao ingressarem ilegalmente no país, passam a viver
em condições precárias de trabalho e de habitação.
08) No Brasil, historicamente, os movimentos de
imigração de populações têm sido essenciais no
suprimento da demanda de mão-de-obra empregada
em diferentes ramos das atividades produtivas.
16) As estruturas sociais da sociedade capitalista tendem
a se reproduzir na atividade imigratória
intrarregional. Assim, o grau de inserção social do
imigrante latino-americano está intimamente ligado à
sua condição de classe e escolarização.
 
resposta: 30

UEM 2008 – verão

Questão 02
No Brasil, ao refletir sobre a Estrutura Agrária e os
Movimentos Sociais no Campo, é correto afirmar que
 
01) o aumento no volume da produção agrícola não eleva
automaticamente os níveis de renda e emprego de
parcela da população mais pobre que vive nas áreas
rurais, ocasionando, pelo menos desde os anos de
1960, um deslocamento dessa população para as
áreas urbanas.
02) o desenvolvimento capitalista da agricultura se
baseou na produção intensiva, que optou por maior
uso de adubos, inseticidas, máquinas e trabalho
assalariado.
04) a luta pela democratização do acesso à terra teve
como principais defensores, nos anos de 1945 a 1964,
as Ligas Camponesas e, na atualidade, o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
08) a exploração capitalista das atividades agropecuárias
intensificou a concentração fundiária, tornando a
necessidade da reforma agrária um consenso na
sociedade brasileira.
16) o avanço do capitalismo no campo garantiu aos
assalariados rurais um lote mínimo para o plantio de
subsistência, gerando um significativo processo de
democratização do acesso à terra.
 
resposta: 07

A nova economia política brasileira

04 de Maio de 2012

Na década atual, a generalizada melhoria do quadro social se deve à combinação de importantes fatores: estabilidade monetária, expansão econômica, reforço das políticas públicas, elevação do salário mínimo, ampliação do crédito popular, reformulação e alargamento dos programas de transferência de renda, entre outros

por Marcio Pochmann

O Brasil não tem arraigada tradição democrática. Ao longo de mais de cinco séculos de história, o país mal registra cinquenta anos de democracia. Isso porque a herança política do Império (1822-1889) à República Velha (1889-1930) foi o prolongamento do antigo e carcomido regime da democracia censitária, em que votavam e eram votados tão somente homens de posse, o que significou a participação de não mais do que 5% do total da população nos períodos eleitorais.

Desde 1932, com a introdução do voto secreto e sua ampliação para homens e mulheres, a experiência democrática não foi contínua, tendo em vista que passou por duas interrupções abruptas durante o Estado Novo (1937-1945) e a ditadura militar (1964-1985). Por força disso, a economia política brasileira se fundamentou na apartação dos interesses das classes populares do conjunto dos objetivos da expansão das forças produtivas.

Ao mesmo tempo, as tradicionais reformas clássicas do capitalismo contemporâneo, realizadas em praticamente todos os países desenvolvidos, como a fundiária, a tributária e a social, deixaram simplesmente de ser efetivadas. Num país de dimensão continental e grande população, a estrutura produtiva manteve sua dinâmica prisioneira, sobretudo, daqueles segmentos sociais de maior poder aquisitivo e mais privilegiados pela atuação do Estado.

Assim, a economia política do desenvolvimento assentou-se na máxima de primeiro crescer para depois distribuir. E o crescimento econômico possível se tornou associado à concentração da renda e poder, o que concedeu ao Estado o papel policial a ser exercido sempre que o desconforto das classes populares começasse a ser mobilizado.

O resultado foi uma enorme exclusão social, cujos indicadores de pobreza e desigualdade tornaram o Brasil uma referência mundial do exemplo a não ser seguido. Em 1980, por exemplo, a economia nacional encontrava-se entre as oito mais importantes do planeta, embora registrasse o primeiro lugar no ranking mundial da desigualdade de renda, com dois terços de sua população na condição de pobreza absoluta.

Para piorar, as duas décadas seguintes (1980 e 1990) foram de regressão social e econômica em razão da substituição das velhas políticas desenvolvimentistas pela hegemonia neoliberal. Por força disso, o país regrediu, em 2000, ao posto de 13ª economia do mundo, com o rendimento dos proprietários (lucros, juros, aluguéis e renda da terra) respondendo por 68% da renda nacional (ante 50% em 1980) e o desemprego atingindo quase 12 milhões de trabalhadores (contra menos de 2 milhões em 1980).

Atualmente, percebe-se que foi a grande política que salvou o Brasil da pequenez do destino imposto pelo neoliberalismo, assim como impediu o retorno das políticas do desenvolvimentismo tradicional.

O vigor da marcha reestruturadora das políticas públicas encadeadas pela Constituição Federal de 1988 deu o primeiro impulso, seguido depois da estruturação vertical dos grandes eixos de intervenção do Estado no campo da proteção e do desenvolvimento social (saúde, educação, assistência e previdência, infraestrutura social, trabalho, entre outros). O país avançou no sentido já experimentado pelas economias desenvolvidas, de construção do Estado de bem-estar social.

Mesmo durante o longo período da superinflação (1980-1994) e a prevalência do baixo dinamismo econômico e contenção fiscal na década de 1990, a regulamentação de diversas políticas públicas no campo da assistência e previdência contribuiu para evitar que o contexto social desfavorável apresentasse ainda maior regressão, para além do crescimento do desemprego e a piora na distribuição funcional da renda.

Posteriormente, com a inflexão da política nacional na primeira década do século XXI, a nova economia política ganhou dimensão até então inédita e contribuiu decisivamente para a melhora socioeconômica generalizada no país.

As evidências do processo de expansão do bem-estar são expressão do padrão de inclusão possibilitado pela ampliação do consumo. De um lado, o enfrentamento da pobreza extrema, com o acesso à renda mínima garantindo a sobrevivência, e de outro a atuação na pobreza absoluta, por meio da complementação da renda para o consumo básico (alimentação, habitação, transporte, entre outros).

O processo atual de inclusão social é um avanço no contexto do capitalismo contemporâneo, enunciando o conjunto de méritos da nova economia política brasileira. Nesse sentido, o enfrentamento das necessidades básicas de todos, sobretudo das classes populares, gera inquestionáveis melhoras nos indicadores de redução da pobreza e da desigualdade de renda.

Assim, o movimento de inclusão social, por meio da ampliação do nível de renda na base da pirâmide social que tradicionalmente era excluída do acesso aos meios básicos de vida, segue cada vez mais a reorientação do Estado, que busca a universalização dos serviços públicos de qualidade (educação, saúde, saneamento, moradia, entre outros). Isso pode, inclusive, fazer a pobreza extrema ser superada, assim como o analfabetismo e outros estrangulamentos do desenvolvimento humano, nesta segunda década do século XXI.

Da exclusão à inclusão social

Grande parte dos avanços atualmente alcançados pelo Brasil no campo do enfrentamento da questão social está, direta e indiretamente, associada ao conjunto das políticas públicas motivadas pela Constituição Federal de 1988.

A consolidação de grandes e complexas estruturas verticais de intervenção do Estado de bem-estar social (saúde, educação, assistência e previdência, infraestrutura social, trabalho, entre outros) possibilitou obter resultados positivos no Brasil mais rapidamente e na mesma direção dos já alcançados pelos países desenvolvidos.

Mas para isso foi necessário avançar o gasto social. No último ano do regime militar (1985), o gasto social realizado no Brasil representava apenas 13,3% do PIB. Com a Constituição, ele aumentou para 19%, permanecendo estacionado nesse mesmo patamar ao longo da década neoliberal.

A partir dos anos 2000, o gasto social retomou a trajetória ascensional, alcançando atualmente 23% do PIB. Isso se tornou possível após o estabelecimento de uma nova maioria política, comprometida com o crescimento da economia e com a melhor distribuição das oportunidades desde 2003.

Em boa medida, os avanços sociais podem ser observados na tabela desta página, que apresenta sinteticamente os seis grandes complexos de intervenção social do Estado, bem como o contingente da população coberta pelas diversas políticas sociais. Essa estrutura do Estado brasileiro que se encontra voltada à atenção social não se distancia da registrada nas economias avançadas.

Para além da montagem dos grandes eixos estruturadores da intervenção social do Estado brasileiro e a expansão do gasto social em relação ao PIB, convém destacar dois fatores decisivos nas políticas públicas após a Constituição de 1988.

O primeiro resulta do movimento de descentralização da política social, isto é, do crescimento do papel do município na execução das políticas sociais, sobretudo em termos de educação, saúde e assistência social.

Em 2008, por exemplo, o conjunto dos municípios teve participação no gasto social brasileiro 53,8% maior que o verificado em 1980.

Em sentido inverso, a participação relativa dos estados no total do gasto social foi 7,6% inferior no mesmo período de tempo, ao mesmo tempo que a União registrou presença 5,9% menor.

O segundo fator relaciona-se à participação social no desenho e na gestão das políticas sociais brasileiras. De maneira geral, todas as principais políticas sociais possuem conselhos de participação social federal, estadual e municipal, quando não são acompanhadas por conferências populares que evidenciam a maior transparência e eficácia na aplicação dos recursos públicos.

A sucessiva regulação das diversas políticas públicas ao longo da década de 1990 teve o importante papel de impedir o maior agravamento do quadro social, para além do crescimento do desemprego e da concentração da distribuição funcional da renda nacional, motivados pelo baixo dinamismo econômico do período, assim como os constrangimentos impostos pela superinflação até 1994 e pela política macroeconômica de estabilização monetária (elevados juros, valorização cambial, contenção fiscal e ajustes no gasto social), que terminou por inibir a melhora dos resultados sociais no Brasil.

Na década atual, a generalizada melhoria do quadro social no Brasil se deve à combinação de importantes fatores: a continuidade da estabilidade monetária, a maior expansão econômica, o reforço das políticas públicas, a elevação real do salário mínimo, a ampliação do crédito popular, a reformulação e o alargamento dos programas de transferência de renda para os estratos de menor renda, entre outras ações.

Emergência da economia social

Como se sabe, o ciclo de expansão produtivo entre as décadas de 1930 e 1980 atribuiu à economia social um papel secundário e subordinado às decisões referentes a gastos privados e públicos. Como já dito, imperava até então a máxima de crescer para depois distribuir, o que abriu um espaço em geral estreito para o avanço e autonomia relativa do gasto social no desempenho de suas funções.

Basta lembrar que a escola brasileira somente se tornou universal um século após a proclamação da República (1889). Somente em 1988, com a Constituição, o Brasil definiu recursos necessários para que o ensino fundamental se tornasse capaz de atender a todas as crianças do país.

Com a nova maioria política estabelecida desde 2003, percebe-se o avanço do gasto social. De cada R$ 4 investidos no Brasil, um está vinculado diretamente à economia social. Se for contabilizado também seu efeito multiplicador (elasticidade de 0,8), pode-se estimar que quase a metade de toda a produção de riqueza nacional se encontra relacionada direta e indiretamente à dinâmica da economia social.

Apesar disso, o impacto econômico do Estado de bem-estar social não tem sido muito bem percebido. Tanto que se mantém reinante a visão liberal-conservadora que considera o gasto social secundário, quase sempre associado ao paternalismo de governantes e, por isso, passível de corte.

Novas referências técnicas têm lançado luzes sobre a emergência da economia social no país. Quase um quinto das transferências monetárias derivadas das políticas previdenciárias e assistenciais da seguridade social brasileira são fontes de rendimento familiar. Antes da Constituição de 1988, as famílias não chegavam a deter, em média, 10% de seus rendimentos provenientes das transferências monetárias.

Os segmentos de menor rendimento foram os mais beneficiados pela constituição do Estado de bem-estar social. Em 2008, a base da pirâmide social (10% mais pobres) tinha 25% de seu rendimento dependente das transferências monetárias, enquanto em 1978 ele era somente de 7% − uma elevação de 3,6 vezes. No topo da mesma pirâmide social (10% mais ricos), as transferências monetárias respondiam, em 2008, por 18% do rendimento per capitados domicílios, ante 8% em 1978. Ou seja, um aumento de 2,2 vezes.

Em 1978, somente 8,3% dos domicílios cujo rendimento per capitadas famílias se situava no menor decil da distribuição de renda recebiam transferências monetárias. Já no maior decil, as transferências monetárias alcançavam 24,4% dos domicílios. Quarenta anos depois, 58,3% das famílias na base da pirâmide social recebem transferências monetárias, assim como 40,8% do total dos domicílios mais ricos do país. Aumento de sete vezes nas famílias de baixa renda e de 1,7 vez nas famílias de maior rendimento.

É muito significativo o impacto das transferências previdenciárias e assistenciais sobre a pobreza. Sem elas, o Brasil teria, em 2008, 40,5 milhões de pessoas recebendo um rendimento de até 25% do salário mínimo nacional. Com a complementação de renda pelas transferências, o Brasil registra 18,7 milhões de pessoas com até um quarto de salário mínimo mensal.

Resumidamente, são 21,8 milhões de pessoas que conseguem ultrapassar a linha de pobreza extrema (até 25% do salário mínimo per capita). Em 1978, as políticas de transferência monetária impactavam somente 4,9 milhões de pessoas.

Com a emergência da economia social, o impacto das transferências monetárias nas unidades da federação é diferenciado. Observa-se maior peso das transferências no rendimento médio das famílias nos estados nordestinos, como Piauí (31,2%), Paraíba (27,5%) e Pernambuco (25,7%), bem acima da média nacional (19,3%). Até aí, nada muito destoante do senso comum, salvo pela constatação de o Rio de Janeiro ser o quarto estado da federação com maior presença das transferências no rendimento das famílias (25,5%) e o estado de São Paulo receber abaixo da média nacional (16,4%).

Já as famílias pertencentes aos estados mais ricos da federação absorvem a maior parte do fundo público comprometido com as transferências monetárias. Assim, a região Sudeste incorpora 50% do total dos recursos anualmente comprometidos com as transferências previdenciárias e assistenciais da seguridade social, ficando São Paulo com 23,5% do total, seguido do Rio de Janeiro (13,7%) e Minas Gerais (10,9%).

A economia social sustenta hoje parcela significativa do comportamento geral da demanda agregada nacional, além de garantir a considerável elevação do padrão de vida dos brasileiros, sobretudo daqueles situados na base da pirâmide social, o que corresponde aos compromissos da nova economia política brasileira. A descoberta dessas novidades no interior da dinâmica econômica brasileira atual impõe reavaliar a eficácia dos velhos pressupostos da política macroeconômica tradicional.

Marcio Pochmann é professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas. Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1179

UEL 2010

34) Observe a charge a seguir:

(BEYNON, H. Trabalhando para Ford. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p.192.)

 

Com base na charge e nos conhecimentos sobre o tema, considere as afirmativas a seguir:
I. Um dos impactos do sistema Ford de produção foi o elevado índice de homicídios entre os operários, decorrentes de brigas motivadas por ganhos de produtividade e ritmos extenuantes de trabalho.
II. A separação entre concepção e execução das tarefas representaram, no taylorismo-fordismo, o declínio do operário de ofício e a potencialização do trabalho desqualificado.
III. Datado historicamente, o taylorismo-fordismo foi abandonado com o desenvolvimento das formas de gestão propostas pelo toyotismo, que exige o desprezo pelo controle dos tempos e movimentos.
IV. Embora nascido no espaço fabril, os métodos propostos por Ford se generalizaram no século XX, abarcando o setor de serviços, como é o caso de fast-foods.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.

 

Resposta: B

UEL 2010

32) Leia o texto a seguir:
Do ponto de vista do cidadão, a equação de trabalhar sem prazer para viver livremente nos períodos de folga é dura demais, se considerarmos que passamos mais de 60% do dia envolvidos com o trabalho. E, como não há notícia de um ser humano que tenha conseguido desligar o cérebro durante suas tarefas, somos também nós mesmos durante o labor. (Dá para ser feliz no trabalho?, Época, 13 de jul. 2009, p. 68.)

 

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a visão sociológica do trabalho, considere as afirmativas a seguir:
I. Segundo a teoria marxista, só é possível avaliarmos que “passamos mais de 60% de nossas vidas envolvidos com o trabalho” devido à organização capitalista que, em razão da propriedade privada dos meios de produção e do assalariamento, separa tempo de trabalho e tempo de não-trabalho.
II. Para Max Weber, o desafio da explicação sociológica era o de reconstruir o processo por meio do qual se passou a aceitar o trabalho de forma disciplinada como um fim em si mesmo, tornando-o passível de uma avaliação moral positiva. Foi essa sua intenção ao analisar as afinidades eletivas do trabalho capitalista com a ética protestante.
III. O sentimento do trabalhador em relação à sua atividade estava ausente nas ideias da sociologia clássica, já que a felicidade ou não dos sujeitos no trabalho é uma preocupação da sociedade contemporânea globalizada, que se baseia em valores individualistas e hedonistas.
IV. Seguindo a linha de explicação oriunda de Émile Durkheim, a questão do prazer ou felicidade no trabalho não depende diretamente do número de horas trabalhadas, mas se há uma compreensão em cada indivíduo da importância de cada um no trabalho geral, em que exercemos nossa individualidade, “somos nós mesmos na execução de nossas especialidades”.

 

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
b) Somente as afirmativas II e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.

 

Resposta: E

UEL 2010

31) Analise o gráfico e leia o texto a seguir:
(Ministério do Trabalho e Emprego, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (MTE/CAGED))
Nota: Saldo = Admissões – Demissões
A crise econômica mundial poderá produzir um aumento considerável no número de pessoas que aumentarão as filas de desempregados, trabalhadores pobres e trabalhadores com empregos vulneráveis, afirma a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em seu relatório Tendências Mundiais do Emprego. [. . . ] o relatório assinala que o desemprego no mundo poderia aumentar em 2009 em relação a 2007 entre 18 e 30 milhões de trabalhadores e até além de 50 milhões caso a situação continue se deteriorando” (Relatório da OIT sobre as tendências mundiais de emprego para 2009. Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Brasil. Disponível em <http://www.oitbrasil.org.br/get_2009.php&gt;. Acessado em 25 de agosto de 2009.)
Com base nos conhecimentos sobre o tema e no gráfico, é correto afirmar, que no Brasil, nos últimos dois anos período da última crise do capitalismo mencionada no texto
a) houve uma elevação no saldo de empregos com carteira assinada
b) houve uma elevação nas admissões e no saldo de empregos com carteira assinada.
c) houve uma redução nas demissões e aumento das admissões com carteira assianda.
d) houve uma redução no saldo de empregos com carteira assinada.
e) manteve-se constante o saldo de empregos com carteira assinada.
Resposta: D

UEL 2010

28) Leia o texto a seguir:
Tenho 32 anos e, como a maioria das pessoas da minha geração, já fui demitido – mais de uma vez. Você fica mal e se sente impotente. Nossos pais entravam em uma empresa e saíam de lá aposentados, mas agora isso é passado. O mercado está em movimento o tempo todo e precisamos nos preparar para enfrentar essas mudanças. Quem está preparado não fica sem emprego. Por isso corro atrás. (Depoimento de André Luiz Fernandes. Demita o patrão. Super Interessante. São Paulo: Abril, 14 ago. 2009, ed. 268, p. 17.)
Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre o mundo do trabalho, é correto afirmar:
a) O fenômeno assinalado e presente com maior intensidade no Capitalismo a partir dos anos 1990 é definido conceitualmente como “empregabilidade”, isto é, tem maior oportunidade de conseguir emprego quem se qualifica permanentemente.
b) O traço distintivo entre o capitalismo do início do século XX e o do começo do século XXI é que o primeiro era estático, daí garantir estabilidade no emprego até o final do ciclo de vida do trabalhador.
c) O desenvolvimento recente do capitalismo garante trabalho aos que estudam, o que se reflete, hoje, nas baixas taxas de desemprego a níveis mundiais e o sucesso das políticas de pleno emprego.
d) As diferentes fases do capitalismo reforçaram a falta de conexão entre formação, qualificação e possibilidade de inserção no mercado de trabalho.
e) Foi de modo semelhante que as diversas gerações dos anos de 1950 e 1990 inseriram-se no mercado de trabalho, garantindo planejamento estável em termos de empregabilidade ao longo do tempo de vida produtiva.

 

Resposta: A

UEL 2004

39- “No tempo em que os sindicatos eram fortes, os trabalhadores podiam se queixar do excesso de velocidade na linha de produção e do índice de acidentes sem medo de serem despedidos. Agora, apenas um terço dos funcionários da IBP [empresa alimentícia norte-americana] pertence a algum sindicato. A maioria dos não sindicalizados é imigrante recente; vários estão no país ilegalmente; e no geral podem ser despedidos sem aviso prévio por seja qual for o motivo. Não é um arranjo que encoraje ninguém a fazer queixa. […] A velocidade das linhas de produção e o baixo custo trabalhista das fábricas não sindicalizadas da IBP são agora o padrão de toda indústria.” (SCHLOSSER, Eric. País Fast-Food. São Paulo: Ática, 2002. p. 221.)
No texto, o autor aborda a universalização, no campo industrial, dos empregos do tipo Mcjobs “McEmprego”, comuns em empresas fast-food. Assinale a alternativa que apresenta somente características desse tipo de emprego.
a) Alta remuneração da força-de-trabalho adequada à especialização exigida pelo processo de produção automatizado.
b) Alta informalidade relacionada a um ambiente de estabilidade e solidariedade no espaço da empresa.
c) Baixa automatização num sistema de grande responsabilidade e de pequena divisão do trabalho.
d) Altas taxas de sindicalização entre os trabalhadores aliadas a grandes oportunidades de avanço na carreira.
e) Baixa qualificação do trabalhador acompanhada de má remuneração do trabalho e alta rotatividade.
resposta: E

UEL 2004

38- Observe o quadro a seguir.

* Jogadores profissionais, inscritos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
** Salários mínimos.
Fonte: Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 fev. 1999, Caderno Esporte, p. 4-12.
Assinale a alternativa que melhor interpreta os dados apresentados no quadro anterior.
a) “No Brasil, um campo de futebol ou uma quadra de tênis é formado por linhas divisórias que promovem a inclusão social, que dão chances, fazem prosperar e levam ao sucesso os jovens da ‘ralé brasileira’, num processo de mobilidade instantânea.” (colunista de um grande jornal de São Paulo)
b) “Há muito tempo me desinteressei pelo futebol. Foi quando comecei a ver aqueles latagões, ganhando fortunas e tratados como odaliscas, não conseguirem dar um passe certo no meio do campo – sem qualquer pressão do adversário. Como artista plástico, tratado daquele jeito, eu morreria de vergonha se não pintasse uma Capela Sistina por semana.” (depoimento de um escritor e teatrólogo brasileiro)
c) “Por intermédio do futebol podemos conviver com jogadores de todas as raças e de todas as classes sociais; possuidoras de todo o tipo de sonho – algumas sem sequer capacidade de sonhar – e/ou realidade […] Daí sua riqueza como experiência de vida. Foi minha maior escola.” (depoimento de um ex-jogador da seleção brasileira e, atualmente, comentarista esportivo)
d) “O futebol já serviu para formar cidadãos. Hoje, pelo jeito – e é só acompanhar as manchetes policiais –, ele só serve para formar marginais. Uma verdadeira escola de malandragem. Até presidente [de clube] aprende a matéria.” (jornalista esportivo)
e) “Existe uma grande ilusão entre o povo brasileiro de que jogador de futebol ganha bem e leva vida de milionário. Essa visão distorcida é reforçada pela propaganda que a televisão faz de alguns raros craques que assinam contratos milionários.” (editorial de um jornal de circulação nacional)
resposta: E

UEL 2003

36 – O desemprego vem aumentando desde a década de 1980 em todo o mundo, nos países pobres e ricos. As explicações mais disseminadas entre acadêmicos e jornalistas referem-se sobretudo às inovações tecnológicas, às mudanças no modo de organizar a produção e à defasagem na qualificação dos trabalhadores. Contudo, alguns economistas têm apresentado uma outra variante fundamental para o entendimento do fenômeno do desemprego: o crescimento econômico. Sobre essa variante observe o gráfico abaixo, com dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

(Folha de S. Paulo, 1 maio 1998. Caderno Especial – Trabalho, p. 2.)
A partir da leitura do gráfico, considere as seguintes afirmativas sobre a redução do emprego.
I. Comparando-se os períodos de 1964-1973 e 1983-1992, os EUA foram o único país a ter um aumento da taxa de desemprego combinado com a elevação da taxa de crescimento econômico.
II. No período de 1983-1992, a França e o Reino Unido apresentaram os menores índices de desemprego entre os países desenvolvidos.
III. Nos períodos de 1964-1973 e 1983-1992, o Japão foi o único país a registrar um aumento relativamente pequeno no índice de desemprego, apesar de apresentar uma grande diminuição na taxa de crescimento econômico.
IV. O baixo índice de desemprego nos países desenvolvidos no período de 1964-1973 ocorre ao mesmo tempo em que se verificam taxas de crescimento econômico maiores do que as observadas no período 1983-1992, com exceção dos EUA.
Estão corretas apenas:
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) III e IV.
d) II e IV.
e) I e II.
resposta: B

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