ENEM 2017

(Enem 2017)  Muitos países se caracterizam por terem populações multiétnicas. Com frequência, evoluíram desse modo ao longo de séculos. Outras sociedades se tornaram multiétnicas mais rapidamente, como resultado de políticas incentivando a migração, ou por conta de legados coloniais e imperiais.

GIDDENS. A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012 (adaptado).

 

Do ponto de vista do funcionamento das democracias contemporâneas, o modelo de sociedade descrito demanda, simultaneamente,

a) defesa do patriotismo e rejeição ao hibridismo.

b) universalização de direitos e respeito à diversidade.

c) segregação do território e estímulo ao autogoverno.

d) políticas de compensação e homogeneização do idioma.

e) padronização da cultura e repressão aos particularismos.

 

Resposta: B

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UEL 2012 – 2ª fase

3 – No debate sobre as cotas para o ingresso dos negros nas universidades públicas, reapareceram, de forma recorrente, argumentos favoráveis e contrários à adoção  dessa política afirmativa. Os trechos reproduzidos a seguir constituem exemplos desses argumentos.
 
Em um país onde a maioria do povo se vê misturada, como  combater as desigualdades com base em uma interpretação do Brasil dividido em “negros” e “brancos”? Depois de divididos, poderão então lutar entre si por cotas, não pelos direitos universais, mas por migalhas que sobraram do banquete que continuará sendo servido à elite. Assim sendo, o foco na renda parece atender mais à questão racial e não introduzir injustiça horizontal, ou seja, tratamento diferenciado de iguais.
(Adaptado de: Yvonne Maggie (Antropóloga da UFRJ).
O Estado de São Paulo. 7 mar. 2010. Este artigo de Yvonne Maggie serviu de base para o seu pronunciamento lido por George Zarur na audiência pública sobre ações afirmativas convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2010.)
 
Desde 1996 me posicionei a favor de ações afirmativas para negros na sociedade brasileira. Vieram as cotas e as apoiei, como continuo fazendo, porque acho que vão na direção certa – incluir socialmente os setores menos competitivos – embora saiba que o problema é muito maior e mais amplo. Tenho apoiado todas as medidas que diminuam a pobreza ou favoreçam a mobilidade social e todas as que combatam diretamente as discriminações raciais e a propagação dos preconceitos raciais. Em  curto prazo, funcionam as políticas de ação afirmativa; em longo prazo, funcionam políticas que efetivamente universalizem o acesso a bens e serviços.
(Antônio Sérgio Guimarães (Sociólogo da USP)
Entrevista concedida à Ação Educativa . Disponível em: <http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=633&gt;. Acesso em: 30 jun. 2011.)
 
A divergência dessas duas posições reproduz, atualmente, o antagonismo existente no debate sobre a questão racial na sociologia brasileira, exemplificado pela  oposição entre os pensamentos de Gilberto Freyre e Florestan Fernandes.Identifique e explique, nos trechos reproduzidos, os argumentos favoráveis e desfavoráveis à política de cotas para negros em universidades, comparando-os com as visões teóricas de Gilberto Freyre e Florestan Fernandes.
 
QUESTÃO 3 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Sociologia no Brasil. As várias formas de desigualdades sociais e a diversidade das explicações teóricas. Diversidade e miscigenação no Brasil. A questão dos negros nos estudos de Gilberto Freyre e de Florestan Fernandes.
 
Resposta esperada
Espera-se que o candidato analise as políticas brasileiras de ação afirmativa, no caso, a política de cotas para negros nas universidades, a partir das teorias de Freyre e de Fernandes (sabendo-se que esses autores não se debruçaram sobre a questão das cotas), comparando-as, dessa forma, aos argumentos favoráveis e desfavoráveis presentes nos textos lidos na questão. Espera-se, além disso, que o candidato seja capaz de mobilizar conceitos, tais como: raça, cor, desigualdade, diversidade,  miscigenação e democracia racial.

UEM 2008 – verão

Questão 06
Sobre o tema da diversidade étnica, as teorias
sociológicas afirmam que, na cultura brasileira,
 
01) o futebol pode ser pensado como símbolo de
nacionalidade que ultrapassa as barreiras existentes
entre diferentes grupos sociais, tornando possível a
um indivíduo como Pelé condensar o que seria o
estilo brasileiro de jogar.
02) o processo de miscigenação pelo qual passou a
sociedade brasileira não teve reflexos em nossa
culinária, tornando a feijoada e a caipirinha,
respectivamente, prato e bebida típicos apenas para
baianos e cariocas.
04) o contato interétnico é um fenômeno que ocorreu
somente no período colonial e foi fundamental para
manutenção dos rituais religiosos de algumas tribos
indígenas.
08) o carnaval possibilita o encontro de diferentes grupos
étnicos e sociais, subvertendo, ainda que
momentaneamente, as hierarquias presentes na
sociedade brasileira.
16) o futebol, a culinária e o carnaval são práticas
culturais que mascaram a existência das
desigualdades socioeconômicas presentes na
sociedade brasileira; por isso, não devem ser tomados
como objeto de estudo pela sociologia.
 
resposta: 09

UEM 2008 – inverno

01 – Conhecer, registrar e analisar as características da
produção cultural e artística popular são recursos
importantes para a construção da memória e da
identidade de um povo. Nesse sentido, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).
 
01) No Brasil, existem diversas festas entendidas
como manifestações da tradição popular, porém
os folcloristas reconhecem como brasileiras
apenas aquelas que não possuem influência
estrangeira.
02) Alguns países europeus tiveram problemas em
relação à definição e à manutenção de suas
fronteiras e de sua soberania, bem como com
questões étnico-culturais. Por isso, utilizaram
suas tradições populares com o objetivo de
imprimir e difundir a idéia de nação.
04) As noções de “cultura erudita” e “cultura
popular” são construções utilizadas para
diferenciar as crenças, os valores e os costumes
do povo e das elites. Entretanto essas noções
obscurecem os diálogos e as trocas entre os
diferentes grupos existentes na sociedade.
08) Um exemplo de reflexão sobre a cultura
brasileira foi a Semana de Arte Moderna de
1922, que, entre outras coisas, pretendia mostrar
“o Brasil” às classes médias e às elites
nacionais, valorizando as expressões e os
costumes da população simples.
16) Para o senso comum, há uma hierarquia na
definição da cultura popular brasileira. Desse
modo, aquelas manifestações culturais restritas
a alguns grupos étnicos, religiosos ou regionais
tendem a ser entendidas como de menor
relevância para a cultura nacional.
 
resposta: 30

UEM 2008 – inverno

14 – Sobre a interação entre os grupos étnicos no Brasil e
a diversidade cultural do país, assinale o que for
correto.
 
01) O conceito de etnia diz respeito à origem
comum de um povo. Pertencem à mesma etnia
os grupos de indivíduos que compartilham uma
história, os mesmos laços lingüísticos e
culturais.
02) O Brasil é conhecido por sua diversidade étnica
e cultural. Ao longo de toda a história, esse
contato ocorreu sem conflitos, a interação social
e étnica deu-se de modo pacífico e harmonioso.
04) A mobilização de parcela de grupos de
indivíduos negros, reivindicando igualdade de
oportunidade no trabalho, na educação e o fim
da discriminação, é um exemplo de demanda de
etnicidade.
08) No início do século XX, ainda era possível
encontrar grupos indígenas isolados, como os
Xetá no noroeste paranaense. Com a
colonização cafeeira, eles foram perseguidos e
retirados de suas terras, restando pouquíssimos
deles como resultado daquele contato
interétnico.
16) A vida cultural brasileira é fruto de um processo
de assimilação das heranças culturais de
diferentes grupos étnicos – indígenas, africanos,
europeus, asiáticos, entre outros. Os integrantes
desses grupos interagem, negociam e disputam
em torno de suas idéias e interesses, formando
nosso legado cultural.
 
resposta: 29

UEL 2011

22) No dia 16 de junho de 2010, o Senado brasileiro aprovou o Estatuto da Igualdade Racial.
Os senadores […] suprimiram do texto o termo “fortalecer a identidade negra”, sob o argumento de que não
existe no país uma identidade negra […]. “O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes,
o preconceito e a discriminação não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e
miscigenada”, defende o relatório de Demóstenes Torres.
(Folha.com. Cotidiano, 16 jun. 2010. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/751897-sem-cotas-estatuto-da-igualdaderacial-e-aprovado-na-ccj-do-senado.shtml&gt;. Acesso em: 16 jun. 2010.)
Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre a questão da identidade, é correto afirmar:
a) A identidade nacional brasileira é fruto de um processo histórico de realização da harmonia das relações sociais entre diferentes raças/etnias, por meio da miscigenação.
b) A ideia de identidade nacional é um recurso discursivo desenraizado do terreno da cultura e da política, sendo sua base de preocupação a realização de interesses individuais e privados.
c) Lutas identitárias são problemas típicos de países coloniais e de tradição escravista, motivo da sua ausência em países desenvolvidos como a Alemanha e a França.
d) Embora pautadas na ação coletiva, as lutas identitárias, a exemplo dos partidos políticos, colocam em segundo plano o indivíduo e suas demandas imediatas.
e) As identidades nacionais são construídas socialmente, com base nas relações de força desenvolvidas entre
os grupos, com a tendência comum de eleger, como universais, as características dos dominantes.
 
resposta: E

UEL 2008

37) A formação cultural do Brasil tem como eixo central a miscigenação. Autores, como por exemplo Gilberto Freire, destacaram que a mistura de raças/etnias européias, africanas e indígenas configuraram nossos hábitos, valores, hierarquias, estilos de vida, manifestações artísticas, enfim, a maioria das dimensões da nossa vida social, política, econômica e cultural. Entretanto, outros pensadores consideravam-na um aspecto negativo em nossa formação e tentaram ressaltar as origens européias de algumas regiões, como o intelectual paranaense Wilson Martins afirmou:
Assim é o Paraná. Território que, do ponto de vista sociológico, acrescentou ao Brasil uma nova dimensão, a de uma civilização original construída com pedaços de todas as outras. Sem escravidão, sem negro, sem português e sem índio, dir-se-ia que a sua definição não é brasileira. Inimigo dos gestos espetaculares e das expansões temperamentais, despojado de adornos, sua história é a de uma construção modesta e sólida e tão profundamente brasileira que pôde, sem alardes, impor o predomínio de uma idéia nacional a tantas culturas antagônicas. E que pôde, sobretudo, numa experiência magnífica, harmonizá-las entre si, num exemplo de fraternidade humana a que não ascendeu a própria Europa, de onde elas provieram. Assim é o Paraná.
(MARTINS, W. Um Brasil diferente: ensaio sobre fenômenos de aculturação no Paraná. 2. ed. São Paulo: T. A Queiroz, 1989. p. 446.)
O preconceito em relação às origens africanas e indígenas criou uma ambigüidade no processo de autoafirmação dos indivíduos em relação às suas origens. Assinale a alternativa em que a árvore genealógica relatada por um indivíduo evidencia esse sentimento de ambigüidade em relação à formação social brasileira.
a) Meu avô paterno, filho de italianos, casou-se com uma filha de índios do interior de Minas Gerais; meu avô materno, filho de português casado com uma negra, casou-se com uma filha de portugueses. Apesar de saber que sou fruto de uma mistura, dependendo do lugar em que estou, destaco uma dessas descendências: na maioria das vezes, digo que descendo de portugueses e/ou de italianos; raramente digo que descendo de negros e índios, quando o faço é porque terei alguma vantagem.
b) Meu avô paterno, filho de negros, casou-se com uma filha de índios do Paraná; meu avô materno, filho de português casado com uma espanhola, casou-se com uma filha de italianos. Sempre destaco que sou brasileiro acima de tudo, pois descendo de negros, índios e europeus. Essa afirmação ajuda-me a obter vantagens em diferentes lugares, pois a identidade brasileira tem sido assumida com clareza pelo estado e pelo povo ao longo da história.
c) Meus avós maternos são filhos de italianos e os avós paternos são filhos de imigrantes alemães. Eu casei com uma negra, mas meus filhos serão, predominantemente, brancos. Tenho orgulho dessa descendência que é predominante nas diferentes regiões do Brasil. Costumo destacar que o Brasil é diferente, é branco e negro e eu descendo de famílias italianas e alemãs, assim como meu filho. Esse traço cultural revela a grandeza do país e a firmeza de nossa identidade cultural.
d) Meu avô paterno, filho de índios do Paraná, casou-se com uma filha de índios do Rio Grande Sul; meu avô materno, filho de negros, casou-se com uma filha de negros. Gosto de afirmar que sou brasileiro, pois índios, portugueses e negros formam nossa identidade nacional.
e) Meu avô paterno, filho de poloneses, casou-se com uma filha de índios do Paraná; meu avô materno, filho de ucranianos, casou-se com uma filha de poloneses. Como sou paranaense, costumo destacar que o Paraná tem miscigenação semelhante as das outras regiões do Brasil: aqui temos índios, europeus e negros.
resposta: A

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