“Tudo como o previsto”

27 de Maio de 2014

por Gustavo Esteves Lopes

Alguém previu de imediato, quando da escolha do Brasil como país-sede da “Copa do Mundo Fifa 2014tm, ocorrida em 2007, que haveria este rebuliço todo em torno da organização deste mega-evento esportivo, e que possivelmente ocorrerá o mesmo em relação aos “Jogos Olímpicos Rio 2016tm”? É certo que sim. Feito tradição que precede e perpassa a realização de um mega-evento, em qualquer lugar do mundo, contendas e recrudescimentos múltiplos – gerados entre sociedade civil, estado, patrocinadores e comitês organizadores – estabelecem-se como componentes essenciais próprios ao que é denominado “civilização”, em que cada parte se julga no direito e no dever de impor seus pensamentos e ações sobre outrem. Inversamente a tal condição humana que se constitui coletivamente enquanto “civilidade” – vocábulo este que está muito além de seus sinônimos diretos “cortesia” ,“polidez” e “boas maneiras” –, quanto a uma partida de futebol, o que se passa dentro das quatro linhas, e segundo as regras do jogo, presume-se como o contrário em relação ao que acontece do lado de fora, em que leis e quaisquer outras normas jurídicas existem, também, para serem desobedecidas – como o fazem os “anônimos” e as pessoas “publicamente reconhecidas”, ininterruptamente. Se a regra do jogo for desrespeitada, este não há mais razão de ser, de existir – seja este uma loteria, uma modalidade esportiva individual, bem como uma modalidade esportiva coletiva, como o futebol e outras. Corrupção, exclusão social, acidentes de trabalho, difamação, protestos, violência generalizada, e ocorrências de morte de toda a sorte, já estavam previstos nas entrelinhas do contrato assinado entre todas as partes envolvidas. Ledo engano acreditar que ninguém quis ou quer ler tanto aquilo que estava escrito no contrato (social, aliás), como também aquilo que não estava. Ainda assim, é inegável que em meio a todo este rebuliço, há espaço, tempo e circunstância para que brasileiros, e muita gente espalhada ao redor do mundo, sejam contagiados pelos mais sinceros e graciosos sentimentos inatos aos seres humanos, “civilizados ou não”, como alegria, serenidade e fraternidade, de modo a contemplar, com toda a certeza, o que já era esperado de um mega-evento esportivo. Em suma, e com franqueza, é sabido que vem ocorrendo “tudo como o previsto”, dentro e fora das quatro linhas que engendram o esporte bretão. (Dedicado a José Carlos Sebe Bom Meihy, Roberto Damatta e Marcel Diego Tonini)

Gustavo Esteves Lopes – Historiador, e Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo. Só neste ano de 2014 publicará dois livrinhos, pois ambos já estão no prelo – um sobre o tempo de ditadura militar no Brasil (1964-1985), e outro sobre a história da comunidade local onde vive e trabalha (Hortolândia-SP). É praticante contumaz daquilo que se chama “história oral”.

UEL 2012 – 2ª fase

4 – O texto a seguir nos dá notícia acerca da introdução de formas rígidas de organização das torcidas de futebol no Brasil.
 
Os integrantes de torcidas organizadas de todo o país terão que se cadastrar previamente para ter acesso aos estádios. No Rio de Janeiro, o procedimento começou hoje (13), com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as lideranças das torcidas, o Ministério Público e o Ministério do Esporte. O TAC prevê que as torcidas organizadas terão que se tornar pessoas jurídicas, com registro de seus estatutos em cartório. As que têm menos de 200 membros serão  dispensadas de registro em cartório. As torcidas terão seis meses para enviar à autoridade policial cadastro contendo a identificação completa de seus integrantes, incluindo foto, endereço e assinatura. Para entrar nos estádios vestindo ou portando adereços de torcidas organizadas, eles terão de ter carteira padronizada. Caso  seja descumprida a medida, a torcida organizada estará sujeita a sanções que vão desde multa de até R$ 10 mil ao banimento dos estádios por período de até três anos.
(Vladimir Platonow. Torcidas organizadas começam a cadastrar integrantes para entrar em estádios. Jornal do Brasil. 13 jun. 2011, p.1. Disponível em: <http://www.jb.com.br/esportes/noticias/2011/06/13/torcidas-organizadas-comecam-a-cadastrar-integrantes-para-entrar-em-estadios/&gt;. Acesso em: 30 jun. 2011.)
 
As torcidas organizadas de futebol constituem uma manifestação espontânea ou um movimento social? Justifique sua resposta.
 
QUESTÃO 4 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Movimentos sociais.
 
Resposta esperada
Espera-se que o candidato conheça os elementos que caracterizam os movimentos sociais e os diferenciam das manifestações espontâneas.

UEM 2008 – verão

Questão 06
Sobre o tema da diversidade étnica, as teorias
sociológicas afirmam que, na cultura brasileira,
 
01) o futebol pode ser pensado como símbolo de
nacionalidade que ultrapassa as barreiras existentes
entre diferentes grupos sociais, tornando possível a
um indivíduo como Pelé condensar o que seria o
estilo brasileiro de jogar.
02) o processo de miscigenação pelo qual passou a
sociedade brasileira não teve reflexos em nossa
culinária, tornando a feijoada e a caipirinha,
respectivamente, prato e bebida típicos apenas para
baianos e cariocas.
04) o contato interétnico é um fenômeno que ocorreu
somente no período colonial e foi fundamental para
manutenção dos rituais religiosos de algumas tribos
indígenas.
08) o carnaval possibilita o encontro de diferentes grupos
étnicos e sociais, subvertendo, ainda que
momentaneamente, as hierarquias presentes na
sociedade brasileira.
16) o futebol, a culinária e o carnaval são práticas
culturais que mascaram a existência das
desigualdades socioeconômicas presentes na
sociedade brasileira; por isso, não devem ser tomados
como objeto de estudo pela sociologia.
 
resposta: 09

UEL 2004

38- Observe o quadro a seguir.

* Jogadores profissionais, inscritos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
** Salários mínimos.
Fonte: Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 fev. 1999, Caderno Esporte, p. 4-12.
Assinale a alternativa que melhor interpreta os dados apresentados no quadro anterior.
a) “No Brasil, um campo de futebol ou uma quadra de tênis é formado por linhas divisórias que promovem a inclusão social, que dão chances, fazem prosperar e levam ao sucesso os jovens da ‘ralé brasileira’, num processo de mobilidade instantânea.” (colunista de um grande jornal de São Paulo)
b) “Há muito tempo me desinteressei pelo futebol. Foi quando comecei a ver aqueles latagões, ganhando fortunas e tratados como odaliscas, não conseguirem dar um passe certo no meio do campo – sem qualquer pressão do adversário. Como artista plástico, tratado daquele jeito, eu morreria de vergonha se não pintasse uma Capela Sistina por semana.” (depoimento de um escritor e teatrólogo brasileiro)
c) “Por intermédio do futebol podemos conviver com jogadores de todas as raças e de todas as classes sociais; possuidoras de todo o tipo de sonho – algumas sem sequer capacidade de sonhar – e/ou realidade […] Daí sua riqueza como experiência de vida. Foi minha maior escola.” (depoimento de um ex-jogador da seleção brasileira e, atualmente, comentarista esportivo)
d) “O futebol já serviu para formar cidadãos. Hoje, pelo jeito – e é só acompanhar as manchetes policiais –, ele só serve para formar marginais. Uma verdadeira escola de malandragem. Até presidente [de clube] aprende a matéria.” (jornalista esportivo)
e) “Existe uma grande ilusão entre o povo brasileiro de que jogador de futebol ganha bem e leva vida de milionário. Essa visão distorcida é reforçada pela propaganda que a televisão faz de alguns raros craques que assinam contratos milionários.” (editorial de um jornal de circulação nacional)
resposta: E

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