UEL 2011

22) No dia 16 de junho de 2010, o Senado brasileiro aprovou o Estatuto da Igualdade Racial.
Os senadores […] suprimiram do texto o termo “fortalecer a identidade negra”, sob o argumento de que não
existe no país uma identidade negra […]. “O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes,
o preconceito e a discriminação não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e
miscigenada”, defende o relatório de Demóstenes Torres.
(Folha.com. Cotidiano, 16 jun. 2010. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/751897-sem-cotas-estatuto-da-igualdaderacial-e-aprovado-na-ccj-do-senado.shtml&gt;. Acesso em: 16 jun. 2010.)
Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre a questão da identidade, é correto afirmar:
a) A identidade nacional brasileira é fruto de um processo histórico de realização da harmonia das relações sociais entre diferentes raças/etnias, por meio da miscigenação.
b) A ideia de identidade nacional é um recurso discursivo desenraizado do terreno da cultura e da política, sendo sua base de preocupação a realização de interesses individuais e privados.
c) Lutas identitárias são problemas típicos de países coloniais e de tradição escravista, motivo da sua ausência em países desenvolvidos como a Alemanha e a França.
d) Embora pautadas na ação coletiva, as lutas identitárias, a exemplo dos partidos políticos, colocam em segundo plano o indivíduo e suas demandas imediatas.
e) As identidades nacionais são construídas socialmente, com base nas relações de força desenvolvidas entre
os grupos, com a tendência comum de eleger, como universais, as características dos dominantes.
 
resposta: E

UEL 2009

38) Leia o texto IV.
 
Texto IV
Kino ouviu a leve batida das ondas da manhã na praia. Como era bom… Tornou a fechar os olhos para escutar
a música dentro dele. Talvez só ele fizesse isso, talvez todos os homens da sua raça também fizessem.
Tinham sido em outros tempos grandes fazedores de cantigas, de modo que tudo o que viam, pensavam,
faziam ou ouviam virava cantiga. Era assim havia muito, muito tempo. As cantigas haviam ficado e Kino as
conhecia, mas não havia cantigas novas. Não era que não houvesse cantigas pessoais. Naquele momento
mesmo, havia na cabeça de Kino uma cantiga clara e terna e, se ele pudesse dar voz aos seus pensamentos,
iria chamar-lhe a Cantiga da Família.
(STEINBECK, J. A Pérola. São Paulo: Circulo do Livro, p. 8.)
 
De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.
a) A cultura se mantém pela tradição, contudo ela pode ser continuamente recriada com a finalidade de exprimir as novas realidades vividas por indivíduos e grupos sociais.
b) A cultura herdada torna-se desnecessária à medida que os anos passam, sendo, portanto, salutar que os homens do presente esqueçam seus antepassados.
c) A música é o ponto de partida da formação de um povo, pois é a partir do momento em que os homens compõem e transmitem sonoramente suas idéias que passam a ter cultura.
d) São indivíduos isolados cujos valores se desenvolvem com independência em relação à base material que têm diante de si que constituem o ponto de partida para a formação da cultura de um determinado povo.
e) Certas raças não conseguem se desenvolver culturalmente, razão pela qual se limitam a exprimir sua história pela música em vez de o fazerem pela linguagem.

 

resposta: A

 

UEL 2008

32) Leia o texto a seguir:
Uma notável virada na história do casamento teve início na década final do século XX, com a institucionalização oficial do casamento homossexual, ou “parceria”. […] O reconhecimento da homossexualidade como forma legítima de sexualidade foi parte da revolução sexual do ocidente. Ela está agora descriminalizada onde era ainda um delito, e em 1973 foi retirada da lista de desordens mentais da Associação Psiquiátrica Americana. Em 1975, a Comissão de Serviços Civis dos EUA retirou sua interdição à contratação de homossexuais. Logo, a discriminação dos homossexuais é que passou a ser considerada um delito. A igualdade em relação à “orientação sexual” esteve nas normas para a nomeação de prefeitos na Holanda na década de 1980, por
exemplo. Grande avanço internacional foi sua inclusão na Constituição Sul-Africana pós-apatheid [em 1996]. […] Entretanto, o que é interessante nesse nosso contexto particular são as reivindicações de gays e lésbicas pelo direito ao casamento e a aceitação parcial de sua exigências. O maior progresso aconteceu no norte da Europa […]. […] as parcerias de mesmo sexo foram inicialmente institucionalizadas na Escandinávia como tantas outras coisas da moderna mudança da família. Desde 1970, as autoridades suecas reconheciam alguns direitos gerais de coabitação dos parceiros do mesmo sexo, reconhecimento sistematizado em 1987 no Ato dos Coabitantes Homossexuais. A primeira legislação nacional sobre parcerias registradas entre casais do mesmo sexo foi aprovada na Dinamarca, em 1989, e serviu de modelo para outros países escandinavos.
Na Holanda, a lei sobre parcerias registradas está em efeito desde 1998, na França desde 1999, abrangendo também relações pessoais solidárias que não apenas homossexuais. […] No Brasil, um projeto de lei do Partido dos Trabalhadores, então na oposição, foi apresentado antes das eleições de 2002, mas não foi ainda votado. O casamento não está desaparecendo. Está mudando.
(THERBORN, G. Sexo e poder: a família no mundo, 1900-2000. São Paulo: Contexto, 2006. p.329-331.)
Os direitos dos homossexuais relatados no texto constituem-se em demandas expostas pelos
a) “clássicos” movimentos operários organizados em vários países desde o século XIX, voltados para os problemas de classes sociais, direitos trabalhistas, participação política e sindical, fortemente impulsionados pelos líderes sindicais.
b) “tradicionais” movimentos religiosos da América Latina e outros países no século XX, voltados pela humanização das relações sociais, direitos humanos, inclusão social e política, fortemente impulsionados pelos líderes eclesiásticos.
c) “recentes” movimentos sociais surgidos em vários continentes na década de 2000, voltados para a manutenção dos direitos civis, fortalecimento do casamento como instituição familiar sólida e eficaz na preservação da estrutura social patriarcal.
d) “modernos” movimentos sociais surgidos em todo o mundo na década de 1930, voltados para a consolidação dos laços de solidariedade, união e civilidade, fortemente impulsionados pelos líderes do sindicalismo corporativo.
e) “novos” movimentos sociais surgidos em vários países a partir dos anos de 1960, voltados para os problemas identitários de grupos, gênero, etnias e políticas do corpo, fortemente impulsionados pelas ativistas feministas.
resposta: E

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