UEM 2008 – inverno

15 – “Cerca de 20.000 policiais patrulhavam a cidade
italiana de Gênova e seus arredores enquanto cerca
de 50.000 pessoas realizavam nesta quinta-feira, às
véspera do início da cúpula do Grupo dos Oito (G-
8), o primeiro de uma série de protestos contra a
globalização e de maneira geral contra políticas do
Primeiro Mundo em relação aos países pobres.”
(Sociologia. Ensino médio. Curitiba: Seed-PR, 2006,
p. 186).
Sobre o tema tratado pela notícia acima, assinale o
que for correto.
 
01) Os movimentos sociais contrários à globalização
têm uma única reivindicação: que os governos
dos países desenvolvidos impeçam a entrada e a
permanência de imigrantes pobres vindos dos
países periféricos em busca de emprego e de
melhores condições de vida.
02) Embora a globalização tenha-se acentuado nas
últimas décadas, várias análises sobre o
capitalismo apontam que ele tendia àquele
fenômeno desde a sua origem.
04) Organismos internacionais como o G-8, o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e a Organização
Mundial de Comércio (OMC) têm acumulado
poder para induzir, bloquear ou reorientar
políticas econômicas nacionais.
08) O processo de globalização valoriza e promove
a circulação de idéias e de informações em
escala mundial. Entretanto esse fato não
significou o fim das culturas e dos
conhecimentos locais ou liquidou as
individualidades regionais ou religiosas.
16) Muitos críticos da globalização são contrários
ao seu caráter “neoliberal”. Eles afirmam que,
diferentemente do liberalismo clássico do século
XIX, o neoliberalismo reduz os lucros das elites
econômicas.
 
resposta: 14
 
 
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Europa bloqueia o Trem da Dignidade

Incidente na fronteira entre França e Itália expõe xenofobia e desprezo pelos imigrantes. Mas também revela que eles mobilizam-se e têm aliados

Por Luís Nagao, colaborador de Outras Palavras

A polícia francesesa bloqueou, por várias horas, a ligação ferroviária entre seu país e a Itália, neste domingo (17/4) e provocou um incidente diplomático entre as duas nações. Motivos: impedir que um grupo de cerca de 60 imigrantes tunisianos, apoiado por centenas de ativistas, entrasse na França; deixar claro que a Europa não está aberta aos norte-africanos, mesmo após a queda de ditaduras e do relaxamento do aparato que reprimia as migrações.

Os imigrantes tentaram transpor a fronteira no trecho ferroviário que liga, através dos Alpes, Vintimiglia (Itália) e Menton (França). Tinham a solidariedade de organizações como a Associação pela Democracia de Nice, articulada por Teresa Maffeis. Com seu apoio, organizaram o chamado Trem da Dignidade. Ao tomarem conhecimento da iniciativa, os serviços policiais franceses retiveram o trem na estação de origem e cancelaram todo o tráfego proveniente da Itália.

A atitude viola dispositivos da legislação da União Europeia (UE). O acordo de Schengen (de 1997) estabelece que nenhum cidadão com residência regular num dos países do bloco pode ser barrado, ou precisa apresentar documentos, ao locomover-se para outra nação da UE. Os tunisianos haviam obtido, na Itália, visto de permanência. Por isso próprio governo italiano protestou contra a atitude francesa.

A resposta foi imediata e reveladora. Paris alegou que os imigrantes representavam “risco de distúrbio da ordem pública”. Apelou para outro dispositivo jurídico europeu – que permite às autoridades de um país barrar a entrada de viajantes que não possuam soma em dinheiro considerada necessária para sua permanência. A comissária do Interior da UE, Cecília Malmstrom, deu respaldo à posição da França. Os governos da Áustria, Reino Unido, Polônia e Eslováquia manifestaram-se de modo semelhante – e ainda criticaram a possibilidade de os imigrantes circularem sem restrições pelo bloco.

A polêmica em torno do trem reabriu a discussão acerca da xenofobia. Mais de 20 mil africanos cruzaram o Mediterrâneo nos últimos três meses, período das revoltas árabes que sacodem o norte de seu continente. Buscam melhores condições de trabalho ou são refugiados políticos (como os líbios). Parte da população europeia reage com hostilidade a sua presença.

Governadas por líderes histriônicos de direita, França e Itália travam uma disputa particular. O governo de Sílvio Berlusconi alega que Itália, localizada ao Sul da Europa, é o destino principal dos africanos – e não pode acolhê-los sozinha. Já o presidente francês Sarkozy, que enfrentará eleições no próximo ano, quer demonstrar dureza com os imigrantes, para atrair a parcela do eleitorado que flerta com a ultra-direita. Há poucas semanas, aliás, entrou em vigor, na França, lei que proíbe cobrir o rosto em espaço público – impedindo as mulheres muçulmanas de usar o hejab e expressar sua cultura.

A forte presença de ativistas (tanto italianos quanto franceses) em apoio aos imigrantes indica, contudo, que um setor da opinião pública europeia está disposto a enfrentar ativamente a onda de rejeição ao estrangeiros.

http://www.outraspalavras.net/2011/04/19/europa-bloqueia-o-trem-da-dignidade/

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