Unesp 2014

(Unesp 2014)  Os reality shows são hoje para a classe mais abastada e intelectualizada da sociedade o que as novelas eram assim que se popularizaram como produto de cultura massificada: sinônimo de mau gosto. Com uma maior aceitação das novelas na esfera dos críticos da mídia, o reality show segue agora como gênero televisivo mundial, transmitido em horário nobre, e principal símbolo da perda de qualidade do conteúdo televisivo na sociedade pós-moderna. Os reality shows personificam as novas formas de identificação dos sujeitos nas sociedades pós-modernas. Programas como o BBB são movidos pelas engrenagens de uma sociedade exibicionista e consumista, que se mantém vendendo ao mesmo tempo a proposta de que cada um pode sair do anonimato e conquistar facilmente fama e dinheiro.

(Sávia Lorena B. C. de Sousa. O reality show como objeto de reflexão cultural. observatoriodaimprensa.com.br)

 

Sobre a relação entre os meios de comunicação de massa e o público consumidor, é correto afirmar que:

a) a qualidade da programação da tv não é condicionada pelas demandas e desejos dos consumidores culturais.

b) o reality show é uma mercadoria cultural relacionada com processos emocionais de seu público.

c) os critérios estéticos independem do nível de autonomia intelectual dos consumidores.

d) no caso dos reality shows, a televisão estimula a capacidade de fruição estética do público consumidor.

e) os programadores priorizam aspectos formativos relegando o entretenimento a uma condição secundária.

 

Resposta: B

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A praga do “pensamento único”

25.08.2012 09:52

Por Claudio Bernabucci

John K. Galbraith, um dos mais importantes economistas do século XX, pronunciou-se algumas vezes sobre a “imbecilidade dos capitalistas”. A observação factual da crise sistêmica que o mundo está vivendo, sem perspectiva de solução equilibrada dentro das regras existentes, levaria a pensar que a afirmação do economista canadense tivesse fundamento.

No entanto, do ponto de vista das ideias, devemos reconhecer que, nas últimas décadas, o capitalismo neoliberal teve a capacidade de exercer uma hegemonia ímpar sobre todas as atividades humanas. Sofisticados instrumentos teóricos e culturais permitiram a esta nova ideologia eliminar qualquer resistência e crítica significativas, a ponto de se configurar como um “pensamento único”. Só recentemente, diante dos graves escândalos no coração do sistema, este primado começou a ser posto em discussão de forma incisiva.

Já mencionamos a batalha de ideias em curso e a relação de forças existentes. Vale a pena reiterar que estamos assistindo a uma autêntica guerra global dentro do sistema capitalista, da qual o neoliberalismo sairá derrotado ou vencedor. No último caso, podemos estar certos: o que resta da democracia no planeta estaria seriamente comprometido. Neste quadro, a circulação das ideias em escala planetária é fundamental para a definição do resultado. Somente por meio da difusão de pensamentos plurais e antitéticos ao dominante, poderão ser conquistadas as mentes e os corações habilitados a criar uma nova civilização para superar as injustiças de um mundo onde minorias não eleitas decidem o destino de bilhões de seres humanos.

A ferramenta principal é a mídia. A livre difusão da internet – com a grave exceção da China –, apesar de limitada, permite uma informação de baixo para cima que tem aberto brechas importantes no monólito do pensamento único. Os jornais independentes sempre foram minoria e, na chamada grande imprensa, as vozes autônomas são escassas, relegadas aos espaços de debates: espécie de reserva indígena-intelectual, que visa demonstrar o pluralismo de um jornal, enquanto a informação transmitida em todas as outras páginas defende pura e simplesmente a ordem existente. Mundo afora, o cidadão é informado sobre a crise econômico-financeira de forma predominantemente mecanicista, tecnicista e distorcida. As causas principais das convulsões em curso são eludidas: in primis a desregulamentação insensata do sistema financeiro, origem de fraudes e falências.

As análises de economistas e jornalistas alinhados ao neoliberalismo, e que ainda são maioria, chegam de hábito a um beco sem saída, a um porto das névoas, quando tocam o tema “mercados”. Neste ponto, as dúvidas desaparecem, as perguntas se extinguem – Ipse dixit! – em obséquio aos inomináveis e onipotentes titereiros donos dos “mercados”.

Sendo assim, os cortes sociais realizados pelos governos europeus, alvos de ataques especulativos, são descritos mecanicamente como respostas obrigatórias, para satisfazer às exigências ou aos humores dos “mercados”. Obviamente, isso é feito sem informar quais grupos de interesses e forças concretas estão por trás dos tais “mercados”. As imponentes transferências de riquezas provocadas pela gangorra dos spreads ou negociatas das bolsas de valores, a existência de imensas fortunas escondidas nos “paraísos fiscais”, são fatos descritos de forma fria e tecnicista, incompreensível para o cidadão comum, oferecendo uma representação da realidade absolutamente surrealista, sem análise alguma sobre as causas e consequências.

A situação da mídia brasileira cabe perfeitamente neste quadro, com algum agravante. O “pensamento único” da chamada grande imprensa é bem mais extenso aqui do que em outros países de democracia madura. A esse aspecto acrescenta-se um partidarismo acentuado, unilateralmente antigovernamental, que contrasta com uma concepção da informação como serviço pluralista à cidadania. O governo brasileiro não pode ser isento de críticas, mas o mérito de ser um dos poucos no mundo que na última década conseguiram crescimento econômico e diminuição das desigualdades, deveria ser reconhecido em homenagem aos fatos.

Em suma, a opinião pública mundial padece de uma informação parcial ou distorcida, que esconde a realidade de um planeta onde a desigualdade sem freios e a avidez do lucro estão comprometendo as possibilidades de construir um futuro comum. Esta “cegueira” é na maioria das vezes fruto de partidarismo ideológico, que esconde interesses oligárquicos supranacionais; outras vezes é consequência da incapacidade de sair do esquema prefixado de pensar e agir. Para reverter esse quadro perigoso, é preciso que se difunda o pensamento crítico, hoje minoritário. O papel da mídia independente é de informar sobre os fatos e ideias que os outros não querem ou não podem contar.

 

http://www.cartacapital.com.br/politica/a-praga-do-pensamento-unico/

Kandahar: os nomes das vítimas sem nome

19/3/2012,

Qais Azimy, Al-Jazeera, Qatar

http://blogs.aljazeera.com/asia/2012/03/19/no-one-asked-their-names

 

Nos dias que se seguiram ao assassinato de 16 civis afegãos desarmados, por um soldado norte-americano armado – talvez mais soldados, e nada se sabe sobre ‘os fatos em campo’ em Kandahar –, todos os grandes jornais-empresas do mundo, inclusive Al-Jazeera, concentraram-se no “significado” daquela ação, considerados, sempre, os interesses dos EUA.

 

Muitos veículos da mídia-empresa dedicaram-se a vasculhar todos os mais ínfimos detalhes da vida do único soldado dos EUA até agora acusado por aqueles crimes e identificado como Sargento Robert Bales. Sabe-se até onde sua esposa queria passar férias, e o que ela escreve em seu blog pessoal.

 

Mas as vítimas foram deixadas para os rodapés, sem (nem) nome. Falou-se um pouco do número: 16. Sem idade, sem rosto, sem hobbies conhecidos, sem sonhos para algumas possíveis férias. Não se conheceram sequer seus nomes.

 

Como homenagem àqueles mortos nada ‘jornalísticos’, listo aqui os nomes das vítimas dos EUA em Kandahar, e o pouco que consegui saber: que nove, daqueles 16 mortos eram crianças; e três, mulheres.

 

Os mortos são:
Mohamed Dawood, filho de Abdullah

Khudaydad, filho de Mohamed Juma

Nazar Mohamed

Payendo

Robeena

Shatarina, filha de Sultan Mohamed

Zahra, filha de Abdul Hamid

Nazia, filha de Dost Mohamed

Masooma, filha de Mohamed Wazir

Farida, filha de Mohamed Wazir

Palwasha, filha de Mohamed Wazir

Nabia, filha de Mohamed Wazir

Esmatullah, filha de Mohamed Wazir

Faizullah, filho de Mohamed Wazir

Essa Mohamed, filho de Mohamed Hussain

Akhtar Mohamed, filho de Murrad Ali

 

Os feridos são:
Haji Mohamed Naim, filho de Haji Sakhawat

Mohamed Sediq, filho de Mohamed Naim

Parween

Rafiullah

Zardana

Zulheja

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