Embaixador Ali Ghanezadeh: Presidente eleito no Irã dará postura “moderada” ao governo

27.06.2013 02:12

Há pouco mais de uma semana, 36,7 milhões de iranianos foram às urnas e escolheram o clérigo moderado Hassan Rouhani como novo presidente da República. Ele assume o governo em agosto, em substituição a Mahmoud Ahmadinejad. Em sua campanha, Rouhani prometeu aproximar o Irã do Ocidente, atenuar as diferenças e buscar a conciliação. O embaixador do Irã no Brasil, Mohammad Ali Ghanezadeh reiterou que a personalidade “moderada” do presidente eleito dará novos rumos ao país.

Dizendo-se impressionado com o dinamismo e a relevância do Brasil no cenário mundial, Ghanezadeh, em sua primeira entrevista à imprensa nacional, demonstrou que acompanha de perto todos os acontecimentos no país. Ao ser perguntado sobre as manifestações nas ruas, inclusive com atos de violência e vandalismo, ele optou por elogiar o ambiente democrático.

“É preciso olhar para as manifestações de forma positiva [como ressaltou a presidenta Dilma Rousseff] e não negativamente”, disse o diplomata. “A presença da população nas ruas demonstra o dinamismo democrático que existe no Brasil, é a oportunidade de o governo ouvir a população sobre suas demandas, de modo geral. Considero as manifestações algo positivo. [Mas] não é bom nenhum tipo de violência.” A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva do embaixador do Irã à Agência Brasil.

 

Agência Brasil – Há cerca de um ano, o senhor está no Brasil, quais são suas impressões? O senhor está impressionado com essas manifestações nas ruas de várias cidades, com alguns casos de violência e vandalismo? Isso repercute negativamente a imagem do Brasil no exterior?

Mohammad Ali Ghanezadeh – A presidenta Dilma Rousseff enfatizou que essas manifestações são a evidência do dinamismo da democracia que há em seu país. A presença da população nas ruas demonstra o dinamismo democrático que existe no Brasil, que é a oportunidade de o governo ouvir a população sobre suas demandas, considero as manifestações algo positivo. [Mas] não é bom nenhum tipo de violência. É preciso olhar para as manifestações de forma positiva [com a presidenta Dilma disse] e não negativamente. É uma questão da política interna brasileira. O Brasil é um país de economia dinâmica e variada, com um futuro cada vez mais relevante no mundo e um papel de destaque na ordem mundial. Para mim, é uma grande honra estar aqui.

 

Depois de dois mandatos seguidos do presidente Mahmoud Ahmanejad, o Irã escolhe um novo presidente. Qual o significado dessas eleições?

Não foram apenas eleições, foi uma forma de o povo iraniano demonstrar sua confiança e responder à propaganda negativa da imprensa estrangeira contra o Irã. Mais de 72% dos eleitores participaram [de um total de 50 milhões de eleitores]. É uma oportunidade de interagir com o mundo e de demonstrar o contentamento da sociedade iraniana.

 

A expectativa é que o presidente eleito Hassan Rouhani adote uma nova forma de lidar com o Ocidente. É possível acreditar nisso?

O presidente Rouhani desempenhou por 16 anos vários cargos importantes, é uma pessoa instruída, com doutorado na Universidade de Glasgow (Escócia) e muito respeitado pelas autoridades ocidentais. O modo moderado como se comunica é observado pelo Ocidente. A campanha presidencial dele tinha como slogan “Esperança e prudência”, o que conquistou a população. Com esse conjunto de características, oxalá ajude na interação com o Ocidente.

 

Em relação ao programa nuclear iraniano, alvo de sanções e suspeitas por parte de um grupo da comunidade internacional, o que pode mudar?

Certamente, o presidente Rouhani aproveitará sua experiência para chegar a um entendimento, no passado ele conseguiu um acordo com o então presidente da França Jacques Chirac [1995-2007]. Unindo sua experiência pessoal com o modo moderado como lida com as questões, isso certamente contribuirá e eu estou otimista. Mas o Irã não pretende ignorar seu direito de desenvolver um programa nuclear próprio para fins pacíficos. Certamente serão apresentadas todas as garantias [para a comunidade internacional] sobre os fins pacíficos do nosso programa.

O senhor também está otimista sobre o fim das sanções internacionais, impostas, sobretudo, devido ao programa nuclear iraniano?

Essa é uma questão muito complexa, que levará algum tempo, não será decidida rapidamente, pois alguns países ocidentais têm uma posição de arrogância em relação ao Irã. [Infelizmente], o objetivo das sanções é atingir principalmente o povo iraniano. O Irã é um poder regional, que tem uma relação positiva com os 15 países da região, um PIB [Produto Interno Bruto] superior a US$ 1 bilhão e capacidade própria de desenvolvimento. No Irã, viveram povos das antigas civilizações. Ninguém pode ignorar isso. [As sanções] mostram que até o momento conseguimos enfrentá-las. Há resistência do povo iraniano em relação ao embargo [como os iranianos chamam os efeitos das sanções]. Mas tudo isso não ocorrerá da noite para o dia, levará tempo.

 

O presidente Mahmoud Ahmadinejad viajou algumas vezes para a América Latina e visitou o Brasil também. O presidente eleito Rouhani pretende vir ao Brasil nos próximos meses?

O Brasil é um líder econômico não apenas na sua região. O presidente eleito [Rouhani] disse, em entrevista coletiva, que pretende desenvolver as relações com a América Latina, apesar da propaganda explícita dos Estados Unidos de forçar cada vez mais o isolamento do Irã. O Brasil, a Venezuela e vários países da região [América Latina] ignoram isso. A realidade mostra que a América Latina conseguiu sobrepor essa vontade imposta pelos Estados Unidos, conquistando suas próprias aspirações e objetivos. Nesse sentido, as relações do Irã com a América Latina devem continuar. Por enquanto, não há planos de ele [Rouhani] visitar o Brasil, mas certamente no futuro serão programadas visitas.

Há uma curiosidade sobre o futuro do presidente Ahmadinejad: ele deixará a vida política?

O presidente Ahmadinejad é um professor universitário e indicou que pretende retornar à universidade. Mas isso não quer dizer que ele pretenda abandonar a vida política.

 

Fonte: Agência Brasil

http://port.pravda.ru/mundo/27-06-2013/34827-moderado_ira-0/#

Stuxnet: a era da guerra cibernética começou?

Como age o vírus de computador que atingiu as ultracentrífugas de urânio do Irã. Por que muitos exércitos já se preparam para uma nova geração de conflitos

Por Philippe Rivière, no Le Monde Diplomatique

O início deste ano, Dmitry Rogozin, embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), causou polêmica ao pedir a abertura de uma investigação sobre o Stuxnet, vírus de computador que atacou as instalações nucleares iranianas nos últimos meses. O vírus, diz ele, poderia levar a uma explosão termonuclear em Bushehr, central de produção de energia atômica no sul do país.

Essa é uma hipótese “virtual e completamente infundada”, retruca o especialista em segurança, o alemão Ralph Langner, que em setembro realizou o primeiro estudo detalhado sobre o vírus. “Em primeiro lugar, o Stuxnet não tinha Bushehr como alvo.”Na verdade, a área afetada foi Natanz, que tem 7 mil centrífugas fazendo enriquecimento de urânio. “Em segundo lugar, mesmo neste caso, ele não conseguiria interagir com os sistemas do circuito primário[circuito de água que fica em contato com a radioatividade].

Os responsáveis pelo vírus tiveram tempo (seu código fonte, com cerca de 15 mil linhas, teria exigido, segundo estimativas, dez “anos-engenheiro” de trabalho) e conhecimentos de ponta (o worm teria usado, para realizar sua transmissão, quatro vulnerabilidades inéditas do sistema operacional Windows). “A análise do código indica claramente que o Stuxnet não pretendia enviar uma mensagem ou demonstrar um conceito”, escreve Langner, “tratava-se de destruir alvos, com uma determinação de estilo militar”.

Tal alvo seriam as instalações nucleares iranianas? É o que acaba de afirmar um detalhadíssimo artigo do The New York Times de 16 de janeiro de 2011, revelando que o vírus foi testado e desenvolvido em uma réplica de tamanho natural da rede de centrífugas de Natanz. Uma operação de grande envergadura realizada, segundo o jornal norte-americano, dentro do complexo nuclear de Dimona, coração do programa atômico israelense no deserto de Neguev. Conclusão: “A corrida clandestina para criar o Stuxnet foi um projeto conjunto de norte-americanos e israelenses, com a assistência, consciente ou não, de alemães e britânicos1”. Os alemães em questão são os da Siemens, empresa que fabrica os sistemas informacionais de supervisão industrial (conhecidos como Scada) utilizados na usina.

O Stuxnet é um worm que deu seus primeiros passos em 2009, infectando várias dezenas de milhares de máquinas pelo mundo inteiro. Segundo um estudo do fabricante de antivírus Kaspersky, com sede em Moscou, ele se espalhou por muitos países, sendo a Índia o mais atingido, com 8.565 máquinas infectadas (setembro 2010), seguido pela Indonésia, com 5.148, e pelo Irã, que ficou em terceiro lugar com 3.062 casos detectados2.

Em alguns roteiros, o Stuxnet teria conseguido penetrar nas instalações de Natanz através de uma chave USB infectada por um fornecedor russo. A partir daí, reconhecendo traços distintivos de seu alvo (a marca de alguns controladores de frequência), o vírus teria ativado uma sequência de ataque digna de um filme de Hollywood. Enquanto exibia nas telas de segurança dos operadores dados de aparência normal, ele teria aumentado repetidamente a frequência de rotação das centrífugas, levando os rotores ao limite de sua ruptura física, provocando assim uma taxa de falhas fora do normal…

Não há provas da origem israelense do ataque. Mas o caso Stuxnet inscreve-se em um amplo leque de atos de sabotagem contra o programa nuclear iraniano. O ex-chefe do Mossad, Meir Dagan, congratulou-se recentemente por ter atrasado esse programa em muitos anos:“Os iranianos não terão capacidade nuclear antes de 20153”.

Segundo um relatório do Instituto Norte-Americano pela Paz4, Teerã teria realmente sofrido “um crescente número de reveses”: “dificuldades crescentes para obter peças indispensáveis no mercado internacional; dificuldades com o funcionamento de um grande número de centrífugas e, ao que parece, ações clandestinas de agências de inteligência estrangeiras”.  Entre os métodos utilizados: “ciberataques, sabotagem de equipamentos, invasão das redes de abastecimento e assassinato de especialistas em energia atômica”. O mais recente foi a morte do físico Majid Shahriari, no dia 29 de novembro de 2010, quando seu carro explodiu. Mas, para os autores do relatório, David Albright e Andrea Stricker, “as maiores dificuldades parecem estar ligadas ao Stuxnet, que começou a interferir nas centrífugas de Natanz em 2009”.

Para Scott Ritter, ex-chefe dos inspetores da ONU para o desarmamento do Iraque (1991-1998): “Oficiais norte-americanos e israelenses já declararam publicamente que o Stuxnet teria frustrado, por ora, o programa de enriquecimento iraniano. (…) Mas uma recente avaliação conduzida pela Federação de Cientistas Norte-Americanos5, usando dados de equipes de inspeção da ONU [das instalações de Natanz], sugere que em 2010 o Irã aumentou o alcance e a eficácia de suas atividades de enriquecimento, a despeito do ataque de Stuxnet6”.

Segundo Ritter, a tensão que reina em torno da “corrida de velocidade” disputada por Teerã e pelo grupo “P5+17” levou a uma situação em que “as avaliações factuais foram ignoradas em favor de especulações sobre potenciais cenários de invasão inimiga”. De tanto repetir, nos últimos 20 anos, que Teerã estava prestes a obter a bomba, os diplomatas “limitaram as opções políticas daqueles que adotaram essas hipóteses”, e assim limitaram suas margens de discussão.

Então, “Viva o Stuxnet!”, que teria afastado o risco de um “ataque preventivo”? Além da óbvia dessimetria entre os vizinhos – a bomba israelense é “o segredo menos bem guardado” do mundo8, enquanto o programa nuclear iraniano ainda parece longe de se completar –, operações de sabotagem em tempos de paz não se dão sem algum risco de retaliação ou acirramento dos conflitos.

A pirataria informacional é um esporte de combate, no qual o melhor defensor é um bom atacante. Washington não se esquece da invasão do Google pelos (supostamente) chineses. O presidente quer um botão que lhe permita cortar a internet, última linha de defesa em caso de “ciberataque proveniente do estrangeiro”. A Estônia, que em 2007 arcou com um “ciberataque” não elucidado (embora se creia que veio da Rússia), agora abriga o Centro de Excelência para a Cooperação em Ciberdefesa da Otan.

1  William J. Broad, John Markoff e David E. Sanger, “Israeli Test on Worm Called Crucial in Iran Nuclear Delay” [“Teste com vírus israelense foi crucial para atraso do programa nuclear iraniano”], The New York Times, 16 de janeiro de 2011.

2  Jeffrey Carr, “Reality Check: Is Stuxnet’s Iran Connection The New Iraqi WMD?” [“Ficção ou realidade: o Stuxnet iraniano é a nova arma de destruição em massa iraquiana?”], Firewall, Forbes, 28 de setembro de 2010.

3  Yossi Melman, “Outgoing Mossad chief: Iran won’t have nuclear capability before 2015” [“Do chefe do Mossad: o Irã não terá capacidade nuclear antes de 2015”], Haaretz, 7 de janeiro de 2011.

4  “Iran’s Nuclear Setbacks: A key for U.S. Diplomacy” [“Retrocessos no programa nuclear iraniano: uma chave para a diplomacia norte-americana”], 18 de janeiro de 2011, United States Institute of Peace, www.usip.org.

5  Fundada em 1945 por cientistas que participaram da fabricação da bomba atômica, a federação goza de grande credibilidade.

6  Scott Ritter, “In Perspective: The Stuxnet Effect” [“Em perspectiva: o efeito Stuxnet”], Nuclear Intelligence Weekly, New York, 31 de janeiro de 2010.

7  Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China –, mais a Alemanha.

8  É o que revela o título da obra de Avner Cohen, The Worst-Kept Secret: Israel’s Bargain with the Bomb [O segredo menos bem guardado do mundo: Israel barganha com a bomba], Columbia University Press, New York, 2010.

http://ponto.outraspalavras.net/2011/05/03/sabotagem-em-programas-nucleares/

O que Egito e Tunísia dizem sobre Irã?

Por Pouya Alimagham, do Informed Comment | Tradução: Bruno Cava

Tem havido muito debate sobre se as recentes revoluções na Tunísia e Egito, especialmente a última, vão produzir um sistema semelhante àquele nascido da Revolução Islâmica no Irã, em 1979. Contudo, ao focar nesta que é, de fato, uma questão importante, dois pontos cruciais passam despercebidos. A velocidade com que essas duas revoluções aconteceram dizem-nos alguma coisa sobre a durabilidade do regime no Irã; ao mesmo tempo que contestam a narrativa da Revolução Islâmica sobre o discurso revolucionário no Oriente Médio.

Nitidamente, o regime egípcio — com todo o apoio regional e internacional, décadas de construção institucional e massivo aparato de segurança — colapsou depois de enfrentar somente 18 dias de um movimento de protesto, todavia incansável e articulado, que não admitiria qualquer compromisso menor do que a expulsão de Mubarak.

A inabilidade do governo egípcio em sobreviver ao movimento de protesto contrasta com a contínua manutenção do poder pelo governo iraniano. Depois de 12 de junho, durante a eleição presidencial de 2009, grandes frações da sociedade iraniana moldaram a campanha eleitoral de Mousavi como um protesto popular que cresceu rapidamente e alcançou cerca de três milhões de pessoas só em Teerã, três dias depois do anúncio dos resultados. A velocidade com que floresceram os protestos provocou o Líder Supremo Ali Khamanei a ordenar a repressão uma semana depois. Através do uso de coerçãop em massa e acionamento de seus próprios grupos de apoio, um número considerável, o regime sistematicamente recuperou o controle das ruas, depois de meses de manifestações intermitentes. A eficácia com que o regime exerceu a sua vontade nos manifestantes e sua habilidade de mobilizar centenas de milhares de simpatizantes significam a sua habilidade de subsistir em face de ameaças explosivas e prolongadas à autoridade.

Que um governo relativamente isolado como do Irã foi capaz de acalmar tão prolongada tempestade, durando oito meses no total, enquanto o regime poderoso do Egito, que desfrutava de suporte regional e internacional, em especial dos EUA, caiu depois de apenas 18 dias atesta a durabilidade do governo iraniano. Este é um ponto importante que merece consideração, quando se calcula como promover uma mudança não-violenta e democrática no Irã.

Quer dizer, marchas e demonstrações sozinhas não serão suficientes para uma mudança pacífica do regime no Irã. Enquanto a oposição iraniana tenta reavivar seu próprio movimento ao aproveitar o ímpeto das revoluções no Egito e Tunísia, a sua estratégia não deveria limitar-se à atividade nas ruas, como ocorreu no passado, mas expandi-la numa abordagem mais ampla, incluindo greves, acampamentos na Praça da Libertação do próprio Irã e, mais importante, estocar apoios das forças armadas do Irã — tudo isso que foram táticas vitais ao sucesso do Egito.

Além de solapar a capacidade da Revolução Islãmica em durar, e sublinhar a necessidade de uma estratégia mais ampla à ação não-violenta no Irã, as revoluções na Tunísia e Egito também apresentam um desafio ideológico ao discurso iraniano sobre a revolução. Especificamente, essas recentes revoluções trazem dúvida sobre a narrativa do regime que a Revolução Islâmica é o único caminho pelo qual é possível derrubar ditadores profundamente estabelecidos na região e com patrocínio estrangeiro. Até então, a Revolução Iraniana de 1979 tinha sido a única revolução popular no Oriente Médio. A Revolução Egípcia de 1952 e a Iraquiana de 1958 não foram revoluções no sentido tradicional, mas golpes militares com respaldo popular contra monarcas odiados. Como o único país a orquestrar uma revolução popular, o governo iraniano argumentou que a revolução é possível no Oriente Médio somente nos moldes do Revivalismo Islâmico [NT. Para mais a respeito: http://pt.wikipedia.org/wiki/Revivalismo%5D, colocando essa história como testamento para a contenção [dos protestos]. Argumentando que somente a crença do povo no Islã como ideologia conferiu força ao movimento revolucionário para derrubar o regime pró-ocidente do Xá, tal narrativa da Revolução Iraniana marginaliza outros fatores e grupos que contribuíram à emergência e sucesso revolucionários.

Embora permaneça incerta qual direção será afinal tomada, simplesmente por emergir de moldes seculares e nacionalistas, o triunfo atual das revoluções tunisiana e egípcia fornecem uma alternativa à teoria da revolução do governo iraniano. Assim, elas inadvertidamente destacam-se do escopo da Revolução Islâmica, que o governo iraniano há tempos é especialista. Noutras palavras, a Revolução Islâmica não pode mais reclamar ser o único caminho à revolução. Essa contestação ao discurso do governo iraniano sobre a revolução explica por que as autoridades no Irã, conquanto não convincentemente, tentam representar as revoluções recentes no Egito e Tunísia como parte de um Despertar Islâmico alargado.

Portanto, além das discussões repisadas sobre a improbabilidade dessas revoluções seguirem numa trajetória similar à do Irã em 1979, os dois pontos relacionados à durabilidade do regime iraniano e a contestação colocada à narrativa revolucionária demandam atenção, pelo insight crucial que oferecem aos observadores iranianos. A rapidez com que as ditaduras no Egito e Tunísia caíram ergue-se em contraste brilhante à sobrevivência do governo do Irã depois do tumulto pós-eleição em 2009 — um ponto crítico que precisa ser considerado quando se elaboram estratégias sobre como promover uma mudança democrática não-violenta no Irã.

Concomitantemente, essas revoluções recentes trazem à baila uma alternativa que desafia a narrativa do governo iraniano sobre a revolução, revelando que a revolução não precisa ser necessariamente islamista, de maneira a obter a vitória sobre um regime autoritário aparentemente invencível.

Pouya Alimagham é estudante Ph.D. na Universidade de Michigan, edita o blogue iPouya e é colunista do Informed Comment, mantido por Juan Cole.

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