UEM 2008 – verão

Questão 15
Sobre a formação das classes sociais no Brasil, no
período de transição do trabalho escravo para o livre,
assinale o que for correto.
 
01) A produção do café para exportação contou com o
emprego de uma mão-de-obra livre, a dos colonos,
mas não necessariamente assalariada.
02) A expansão da cafeicultura estimulou o crescimento
de cidades como São Paulo, que demandavam
alimentos ofertados, principalmente, pelas lavouras
dos colonos, trabalhadores livres que,
paulatinamente, substituíram o trabalho escravo.
04) Durante o período em que vigorou a escravidão, o
mercado consumidor de produtos localmente
manufaturados era grande, tornando possível
identificar uma produção industrial intensa e,
portanto, uma classe operária constituída.
08) Nos cafezais em formação, o colono tinha permissão
para cultivar alimentos entre os pés de café, sendo
essa prática uma das principais características do
regime de colonato, um estágio tido como transitório
pelo colono e por sua família.
16) A construção acelerada das estradas de ferro nas
últimas décadas do século XIX, a elevação de tarifas
aduaneiras e a substituição do trabalho escravo pelo
trabalho livre foram medidas que inviabilizaram um
modelo de desenvolvimento econômico que
conduziria à consolidação de duas classes sociais no
Brasil: a burguesia e o proletariado.
 
resposta: 11

Europa bloqueia o Trem da Dignidade

Incidente na fronteira entre França e Itália expõe xenofobia e desprezo pelos imigrantes. Mas também revela que eles mobilizam-se e têm aliados

Por Luís Nagao, colaborador de Outras Palavras

A polícia francesesa bloqueou, por várias horas, a ligação ferroviária entre seu país e a Itália, neste domingo (17/4) e provocou um incidente diplomático entre as duas nações. Motivos: impedir que um grupo de cerca de 60 imigrantes tunisianos, apoiado por centenas de ativistas, entrasse na França; deixar claro que a Europa não está aberta aos norte-africanos, mesmo após a queda de ditaduras e do relaxamento do aparato que reprimia as migrações.

Os imigrantes tentaram transpor a fronteira no trecho ferroviário que liga, através dos Alpes, Vintimiglia (Itália) e Menton (França). Tinham a solidariedade de organizações como a Associação pela Democracia de Nice, articulada por Teresa Maffeis. Com seu apoio, organizaram o chamado Trem da Dignidade. Ao tomarem conhecimento da iniciativa, os serviços policiais franceses retiveram o trem na estação de origem e cancelaram todo o tráfego proveniente da Itália.

A atitude viola dispositivos da legislação da União Europeia (UE). O acordo de Schengen (de 1997) estabelece que nenhum cidadão com residência regular num dos países do bloco pode ser barrado, ou precisa apresentar documentos, ao locomover-se para outra nação da UE. Os tunisianos haviam obtido, na Itália, visto de permanência. Por isso próprio governo italiano protestou contra a atitude francesa.

A resposta foi imediata e reveladora. Paris alegou que os imigrantes representavam “risco de distúrbio da ordem pública”. Apelou para outro dispositivo jurídico europeu – que permite às autoridades de um país barrar a entrada de viajantes que não possuam soma em dinheiro considerada necessária para sua permanência. A comissária do Interior da UE, Cecília Malmstrom, deu respaldo à posição da França. Os governos da Áustria, Reino Unido, Polônia e Eslováquia manifestaram-se de modo semelhante – e ainda criticaram a possibilidade de os imigrantes circularem sem restrições pelo bloco.

A polêmica em torno do trem reabriu a discussão acerca da xenofobia. Mais de 20 mil africanos cruzaram o Mediterrâneo nos últimos três meses, período das revoltas árabes que sacodem o norte de seu continente. Buscam melhores condições de trabalho ou são refugiados políticos (como os líbios). Parte da população europeia reage com hostilidade a sua presença.

Governadas por líderes histriônicos de direita, França e Itália travam uma disputa particular. O governo de Sílvio Berlusconi alega que Itália, localizada ao Sul da Europa, é o destino principal dos africanos – e não pode acolhê-los sozinha. Já o presidente francês Sarkozy, que enfrentará eleições no próximo ano, quer demonstrar dureza com os imigrantes, para atrair a parcela do eleitorado que flerta com a ultra-direita. Há poucas semanas, aliás, entrou em vigor, na França, lei que proíbe cobrir o rosto em espaço público – impedindo as mulheres muçulmanas de usar o hejab e expressar sua cultura.

A forte presença de ativistas (tanto italianos quanto franceses) em apoio aos imigrantes indica, contudo, que um setor da opinião pública europeia está disposto a enfrentar ativamente a onda de rejeição ao estrangeiros.

http://www.outraspalavras.net/2011/04/19/europa-bloqueia-o-trem-da-dignidade/

SÓ 11% DOS MEMBROS DO PARLAMENTO EUROPEU APROVAM MOÇÃO ITALIANA

CELSO LUNGARETTI

A descabida recomendação de que o Brasil reveja sua decisão sobre o escritor Cesare Battisti provém de uma sessão fantasma do Parlamento Europeu, com apenas 86 dos 736 membros presentes. E 77 eram italianos!!!

A Folha.com informa: “Os membros do Parlamento Europeu pediram nesta quinta-feira [19/01] que o Brasil reveja a decisão de não extraditar o ativista italiano Cesare Battisti”.

A verdadeira notícia é a seguinte: dos 736 membros do Parlamento Europeu, apenas 86 — 77 italianos e 9 de outros países — se dignaram a comparecer para votar a estapafúrdia, inconsequente e meramente propagandística moção apresentada pelo Governo Berlusconi.

Uma recomendação dessas só seria pertinente e cabível se endereçada a uma nação-membro.. . e o Brasil não integra a Europa, embora ela seja o continente do coração de alguns maus brasileiros, que não se vexam de assumir a defesa incondicional de interesses estrangeiros contra uma decisão soberana do governo de seu país.

Então, a grande imprensa vai trombetear a decisão e o placar (83 votos a favor, um contra e duas abstenções), mas esconderá que não se trata de assunto da alçada do Parlamento Europeu e que a votação se deu numa sessão fantasma, com risível comparecimento de 11,7% e anuência de 11,3% dos, repito, 736 membros. Não se mencionará que era este o universo de delegados habilitados, nem se vai fazer referência nenhuma à participação ínfima.

Em 2009, Berlusconi exerceu idêntica pressão para arrancar do Parlamento Europeu qualquer coisa que parecesse um endosso à sua vendetta. Daquela vez, o quórum foi ainda menor: 7,6% do plenário.

Isto não impediu que utilizasse descaradamente esse rato parido pela montanha como trunfo goebbeliano; nem que a mídia fizesse seu jogo, omitindo uma informação que até o mais inexperiente dos focas se lembraria de colocar no seu texto.

Celso Lungaretti é jornalista e escritor. http://naufrago- da-utopia. blogspot. com

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