Rio+20 oficial: não há consenso no “Futuro que queremos”

11 de janeiro de 2012

Por Daniela Chiaretti, no Valor Econômico

Saiu ontem o primeiro rascunho do documento que será o resultado principal da Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, no Rio de Janeiro, em junho. Oceanos, segurança alimentar, agricultura, energia e cidades sustentáveis, acesso a água, empregos verdes, trabalho decente, inclusão social e redução de risco de desastres são as áreas sugeridas para que os países tenham metas a serem cumpridas a partir de 2015.

Batizado de “The Future We Want” (“O Futuro Que Queremos” – versão integral aqui), o documento de 19 páginas também dá a indicação financeira de como o mundo pode chegar ao cumprimento dessas metas: que sejam cumpridos os compromissos de países ricos de destinar 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para a cooperação internacional às nações em desenvolvimento, assim como 0,15% a 0,20% do PIB para programas de assistência aos países mais pobres. Essa sugestão não é nova e resume decisões já tomadas em vários fóruns das Nações Unidas, mas que, nos últimos 20 anos, nem sempre decolaram.

Várias partes do texto estão entre colchetes, o que, no rito diplomático indica que são temas onde não há consenso. Tudo o que importa – finanças, energia, ciência e tecnologia, lixo, consumo e produção sustentável, educação, degradação da terra, mudança do clima, florestas e biodiversidade – aparecem entre colchetes. Na verdade, o processo de discussão do texto começa agora. Será a base da rodada informal de negociações em Nova York, no fim de janeiro. Acontecerão mais dois encontros nesse formato, onde representantes dos países discutem o documento, mas ainda não tomam decisões. No fim de março e em junho, pouco antes da cúpula da Rio+20, ocorrem duas reuniões preparatórias com poder de decisão.

O documento que saiu ontem, conhecido por “draft zero”, pretende ser um grande resumo de todas as sugestões que a ONU recebeu nos últimos meses do que deveria ser a Rio+20. Foram 6.000 páginas de contribuições vindas de governos, de ONGs, de empresas. “O documento final da Rio+20 deverá trazer aquele monte de tópicos sobre desenvolvimento sustentável, que já foram discutidos e decididos em um monte de fóruns diferentes, a um lugar único” opina Aron Belinky, coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis e participante do comitê facilitador da sociedade civil na conferência. “Eles devem ser traduzidos em uma declaração política”, prossegue, referindo-se ao documento final da cúpula.

O primeiro rascunho do texto da Rio+20 traz pontos interessantes, como o que sugere que as grandes empresas tenham relatórios de sustentabilidade. Mas não há metas no texto, em nenhuma área. O prazo também é genérico e apenas menciona o “pós-2015″.

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UEL 2011

23) Leia o texto a seguir.
Montanha abaixo, nas espremidas ruas, sem malha de esgoto de escoamento adequada, [a cidade do Rio de
Janeiro] virou um mar de lama e escombros – que colocou em colapso todo o seu sistema de funcionamento e
deixou sitiada e perplexa uma população vítima da sucessão de desmoronamentos. […] No Rio de topografia
tão especial, abençoado pela natureza, a transferência imediata das comunidades dos morros e encostas em
áreas de risco responde a uma dívida histórica provocada pela ocupação irregular.
(Adaptado de: Isto É, São Paulo, 14 abr. 2010. Editorial, p. 20.)

 

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a questão ambiental, é correto afirmar:
I. O modelo mercantil de ocupação das áreas urbanas empurra a população pobre das grandes metrópoles
para áreas de risco e contribui para a degradação ambiental.
II. O comodismo gerado pela pobreza e pelos programas sociais do governo federal é determinante para a
ocupação de áreas de risco nas grandes cidades e para o desprezo pelas questões ambientais.
III. As políticas habitacionais praticadas desde o regime militar até os governos neoliberais recentes restringiram,
no país, o acesso da população de baixa renda à moradia própria, empurrando-a para as favelas de
encosta.
IV. Os custos humanos resultantes das enchentes no Rio de Janeiro revelam, ao lado da questão ambiental, a
persistência de práticas de arrocho salarial, traço característico da formação do capitalismo no Brasil.

 

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e III são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas II e III são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

 

resposta: B

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