UEM 2009 – inverno

Questão 20
Leia o seguinte texto:
“Muitos trabalham ilegalmente nas oficinas de costura no
centro da cidade ou em atividades ligadas ao comércio.
Geralmente as jornadas de trabalho são de até 12 horas e,
lógico, estão completamente desprovidos do acesso à
saúde e educação. São, na maioria, homens, na faixa
etária de 20 a 40 anos, sem qualificação profissional, que
enfrentam uma longa viagem de ônibus em busca de uma
vida melhor. As principais portas de entrada são a
fronteira brasileira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu, no
Estado do Paraná e a fronteira da Bolívia com o Brasil,
em Corumbá, Estado do Mato Grosso do Sul. A
intermediação da imigração ilegal é feita por
agenciadores de mão-de-obra que cobram cerca de 400
dólares para facilitar a entrada e a colocação destes
imigrantes no mercado de trabalho.” (Revista Sociologia,
ano I, no.6, p. 66.)
A respeito do trecho acima e do tema por ele tratado,
assinale o que for correto.
01) Devido às dificuldades na travessia da fronteira
norte-americana, os mexicanos buscam o Brasil
como forma de oficializar seu movimento imigratório
e ingressar legalmente nos países de economias
desenvolvidas, como Portugal ou Canadá.
02) O elemento mediador da imigração moderna é o
trabalho. Por meio dele, produz-se o processo de
inserção ou de exclusão social e justifica-se a
presença na sociedade receptora e a ausência na
sociedade de origem.
04) O Brasil recebe atualmente um número significativo
de imigrantes oriundos de outros países da América
Latina, principalmente bolivianos e paraguaios, que,
ao ingressarem ilegalmente no país, passam a viver
em condições precárias de trabalho e de habitação.
08) No Brasil, historicamente, os movimentos de
imigração de populações têm sido essenciais no
suprimento da demanda de mão-de-obra empregada
em diferentes ramos das atividades produtivas.
16) As estruturas sociais da sociedade capitalista tendem
a se reproduzir na atividade imigratória
intrarregional. Assim, o grau de inserção social do
imigrante latino-americano está intimamente ligado à
sua condição de classe e escolarização.
 
resposta: 30

UEL 2011

24) Observe a charge.

 

(Haiti. Le Monde Diplomatique Brasil. Ano 3. n. 31. fev. 2010.)

 

A charge remete ao recente problema vivido pelo Haiti, onde um terremoto fez milhares de vítimas.
Com base na charge e nos conhecimentos sobre a América Latina, assinale a alternativa correta.
a) As catástrofes naturais estão na origem da pobreza em diversos países da América Latina, sendo o exemplo mais recente o Haiti.
b) Graças à ajuda humanitária oferecida pelas nações desenvolvidas aos países afetados pelas tragédias naturais, rompe-se o tradicional círculo vicioso da pobreza.
c) Os países da América Latina têm, na base de sua miséria social, a forma atrelada com a qual neles se
desenvolveu o capitalismo, isto é, suas origens coloniais.
d) O exemplo do Haiti revela que a miséria da população resulta da tendência dos pobres em optar por ter vários filhos para se beneficiar dos programas sociais do estado.
e) Na América Latina, as recentes tragédias naturais vividas pelo Haiti, Peru e Chile são agravadas pela ausência de movimentos sociais que reivindiquem direitos de cidadania.

 

resposta: C

 

UEL 2009

31) De acordo com alguns analistas políticos, o populismo ressurgiu na América Latina, nos anos 2000, com as
eleições de Hugo Chaves, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia. O mesmo tipo de argumento foi utilizado
por ocasião da realização do segundo turno das eleições para Prefeito em Londrina. Segundo o jornalista:
“Londrina reelege [um prefeito] pela quarta vez, após uma depuração surpreendente na Câmara Municipal em
aberta simetria com a pressão da sociedade, o que apresenta um contraponto, mas não é. Populistas viscerais
têm uma resistência surpreendente”.
(Folha de Londrina, 28 out. 2008, p. 4.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema populismo, assinale a alternativa correta.
a) O discurso populista se apóia, efetivamente, em uma elaboração teórica orgânica e sistemática, direcionado às elites locais, que formam sua base de existência.
b) É fundamental para a prática populista clássica resgatar a compreensão, no eleitor, de que a sociedade está dividida em classes sociais e, portanto, o conflito entre elas é inevitável.
c) O populismo é a forma mais avançada de realização da política partidária, uma vez que mobiliza as massas,
infundindo-lhes clareza de consciência sobre o que é o fundo público.
d) Diferentemente das práticas nazistas e fascistas, o populismo encontra no povo um elemento real para a efetivação do combate contra os interesses defendidos pelas elites locais.
e) Dois princípios fundamentais das práticas populistas são a idéia de supremacia da vontade do povo e a existência de uma relação direta entre este e o líder.
resposta: E

Um século do invencível general Giap

Hanói (Prensa Latina) Vo Nguyen Giap parece desconhecer o significado de render-se ou retroceder: nem sequer o tempo pôde vencer este mítico general vietnamita, que recentemente celebrou seu 100 aniversário.

Chegar a um século de existência é espantoso, ainda mais se se trata de um protagonista da história, sagrada relíquia das lutas vietnamitas contra japoneses, franceses e estadunidenses.

Gênio logístico, convincente político e firme condutor de massas, a lenda rodeia a vida deste filho de camponeses que acabou sendo um grande amigo e aprendiz do legendário presidente Ho Chi Minh.

Quase tão venerado como o Tio Ho, Giap redefiniu vários conceitos da luta armada, em particular o de guerra de guerrilhas, e explorou como poucos esses detalhes que fazem o vietnamita tão peculiar.

De fato, assim lho disse pessoalmente Robert MacNamara, o ex-secretário estadunidense da Defesa durante a guerra: “Vocês perderam no Vietnã, porque vocês não conhecem o vietnamita”.

Forte crítico dos projetos de extração de bauxita, este diminuto homem ainda é uma voz respeitada no Vietnã, ainda que tenha saído há anos das altas esferas do poder para se retirar em seu vilarejo.

Com grande sagacidade, o também chamado Napoleão Vermelho supriu suas lacunas como tático com um afinco à prova de balas, a ponto de suas contribuições estratégicas serem estudadas em academias militares.

Mas sobretudo, legou um exemplo de vontade inquebrantável de avançar a qualquer preço em prol da vitória, ensinando que nada importa mais que a Pátria, nem sequer a própria vida.

As sempre lubrificadas guilhotinas francesas decapitaram a sua cunhada e sua primeira esposa, a tailandesa Dang Thi Quang, morreu enquanto cumpria prisão perpétua, mas a França não rendeu o incômodo Giap.

Ele mesmo experimentou a prisão por sua militância política e sua ativa participação nas conspirações contra a metrópole gala, que inclusive matou seu pai quando Giap era uma criança de oito anos.

Pouco depois morria uma irmã, vítima de humilhações e torturas sofridas na prisão, bem como uma cunhada que tinha acabado de voltar de uma viagem de estudos na antiga União Soviética.

Homem extremamente inteligente, que fala francês com fluência, Giap foi um autodidata que levou durante quase quatro décadas as rédeas do exército vietnamita, e portanto do povo.

Admirador de Napoleão, forjou-se na doutrina guerreira de Mao e adaptou-a à insondável idiossincrasia do vietnamita, fortaleza que explorou quase tão magistralmente como as debilidades inimigas.

Além disso, por vezes um revés militar redundou em contundente vitória política que acabava por inclinar a balança a seu favor, como ocorreu durante a Ofensiva do Tet, em 1968.

Talvez toda a ebulição interna que ocultava seu rosto sereno lhe valeu o apelido “Ge Luo” ou “Vulcão sob a neve”, como chamavam ao herói de Dien Bien Phu e da fuga ianque de Saigon.

Licenciado em Direito e professor de História, admirou as lutas nacionalistas de seu país, vencedor ante as recorrentes invasões chinesas graças à liderança de generais como Tran Hung Dao.

Em junho de 1940 conhece na China a Ho Chi Minh, quem lhe confiou o braço armado do movimento Viet Minh, impressionado por seus vastos conhecimentos de história militar e seu caráter.

Em 1945, o Viet Minh lutava simultaneamente contra a ocupação japonesa e o colonialismo francês, com cerca de cinco mil combatentes que foram o núcleo do Exército de Libertação Nacional.

Já promovido a general, Giap é ministro do interior do primeiro governo democrático do Vietnã, a 2 de setembro de 1945.

O fracasso das negociações de Fontainebleu reativa a guerra com a França e Giap volta ao campo de batalha, onde derrota generais de elite, como Le Cler, Revair e De Lattre de Tassigny, o único que pôde vencer em vários combates.

Os franceses perderam mais de 300 mil homens nessa guerra, e Paris apostou no general Navarre para guiar a legião na Indochina, e seu maior confronto ainda estava por vir.

A 13 de março de 1954, os vietnamitas abriram fogo contra o bastião francês de Dien Bien Phu, lançando várias ofensivas cuja última, a primeiro de maio, aniquilou um inimigo já desmoralizado.

A 7 de maio, o general Giap aceitou a capitulação do general Christian de Castries, tomando prisioneiros 16 mil homens e depois de derrubar 62 aviões inimigos.

O movimento genial de Giap foi dispersar 70 dos 84 batalhões móveis que tinha a França na Indochina, lhes impedindo de apoiar as proximidades em Dien Bien Phu, numa paciente guerra de desgaste.

Depois viria a guerra contra o governo fantoche de Saigon, e de novo Giap, como comandante-em-chefe do Exército Popular, teve que enfrentar tropas mais bem equipadas e as derrotou.

A realidade demonstrou-lhe que o confronto direto não era a solução, e retomou a guerra de guerrilhas, pondo a natureza ao serviço da luta contra um invasor incapaz de se adaptar.

Depois da vitória de 30 de abril de 1975, Giap admitia que “o armamento norte-americano era o mais moderno do mundo, mas o fator determinante na guerra é o homem”.

O herói de Dien Bien Phu organizou a defesa do Norte e dirigia as operações no Sul, ampliou a rota de fornecimentos Ho Chi Minh e preparou minuciosamente a grande ofensiva do Ano Novo Lunar.

Ainda que as graves perdas humanas sugiram uma derrotar militar, a Ofensiva do Tet advertiu aos Estados Unidos e ao mundo que os “viet cong” jamais seriam derrotados e a guerra se eternizaria.

Em 1972, Giap organizou a Ofensiva da Páscoa e depois começou a ceder protagonismo ao general Van Tien Dung, quem comandou a Ofensiva de Primavera e a tomada de Saigon em 1975.

Seis anos depois, Giap volta à tona ao dirigir o ataque à Kampuchea Democrática para derrotar o regime genocida de Pol Pot, líder do Khmer Rouge, e em 20 dias controlava o reino vizinho.

Em 1980, depois de derrotar a invasão chinesa às províncias de Cao Bang, Loa Cai e Lang, Giap sai do Ministério de Defesa e um ano depois do Bureau Político do Partido Comunista, dedicando-se a escrever.

Em julho de 1992, recebe a ordem de Estrela de Ouro, a honra mais alta do Vietnã, como reconhecimento a suas contribuições históricas à independência, reunificação e defesa da soberania nacional.

Agora o consideram-no o “irmão maior” do Exército Popular, o que o dotou de tal prestígio que chegou a se dizer que tentar freá-lo era como tentar tirar sangue de uma pedra”.

Em seus 100 anos, o mítico general ainda nega se render, ainda que a morte somente possa conseguir uma vitória aparente levando seu corpo, pois há muito tempo Giap conquistou a imortalidade histórica.

* Corresponsável da Prensa Latina no Vietnã.

Texto: / Postado em 03/09/2011 ás 21:21

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=58c58f9c6366538eaa0dde3624592b81&cod=8602

Un momento estratégico para Sudamérica

Raúl Zibechi

En medio de la creciente turbulencia global la región sudamericana se convierte en espacio en disputa entre imperios decadentes y potencias emergentes. Las cuantiosas y crecientes reservas hidrocarburíferas y de minerales, el mayor potencial hidroeléctrico del planeta, y las reservas de agua y biodiversidad, están en el centro de esa disputa. Tres hechos recientes lo confirman.

A mediados de julio la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) informó que Venezuela sobrepasó a Arabia Saudí como poseedora de las mayores reservas del planeta. En 2010 alcanzó 296 mil 500 millones de barriles, con un crecimiento de 40 por ciento respecto de 2009, frente a 264 mil 500 millones de barriles de los saudíes, cuyas reservas permanecen estancadas. A bastante distancia les siguen Irán e Irak. Los 12 países de la OPEP detentan 81.3 por ciento de las reservas mundiales. El petróleo sudamericano se torna cada vez más relevante.

El 16 de julio la presidenta Dilma Rousseff inauguró el Programa de Desarrollo de Submarinos (Prosub), afirmando que se trata de un momento estratégico para Brasil, porque se incorpora al pequeño grupo de países que domina la construcción de submarinos, y en especial los de propulsión nuclear. El acto se realizó con la presencia de miembros del gabinete, comandantes de las fuerzas armadas, el ministro de Defensa de Francia y empresarios de la industria militar de ambos países.

La construcción de cuatro submarinos convencionales y uno nuclear, con tecnología brasileña y francesa, como consecuencia del acuerdo de cooperación militar firmado durante el gobierno de Lula, representa apenas el primer paso en una secuencia que prevé la botadura de seis submarinos nucleares y 19 convencionales hasta 2048. La transferencia de tecnología y la construcción de un astillero y una base naval en la costa de Río de Janeiro le permitirán a Brasil construir dos submarinos de forma simultánea, que se comenzarán a entregar a razón de uno cada año y medio a partir de 2017.

Sólo Estados Unidos, Rusia, Francia, Inglaterra y China son capaces de fabricar submarinos nucleares. Rousseff fue muy clara: Este país posee un valor muy grande con el descubrimiento de la capa pre-sal (de petróleo) en su plataforma continental. La Estrategia Nacional de Defensa aprobada en 2008 eligió la defensa submarina. Para 2020 Brasil habrá duplicado su producción actual de petróleo, llegando a 5.7 millones de barriles diarios, y se ubicará como cuarto productor mundial y tercer exportador, por detrás de Arabia Saudí y Rusia.

Brasil ya domina todo el ciclo nuclear y ese es el dato decisivo que modifica la relación de fuerzas en la región. Podemos estar orgullosos porque en los últimos años Brasil reafirmó su capacidad de volver a producir y dominar tecnologías que durante algunos años dejamos de lado, dijo Rousseff, en referencia al periodo neoliberal privatizador, cuando se paralizó el programa nuclear.

Un documento oficial reservado, que fue difundido por O Estado de Sao Paulo el 10 de julio, señala que los objetivos son defender el comercio marítimo, las reservas de metales pesados que están siendo mapeadas en la plataforma marítima, de alto valor para las industrias electrónica y aeronáutica, y por supuesto el petróleo en aguas profundas, donde se hacen nuevos descubrimientos todos los años.

El diario informa además que a 600 kilómetros de la base donde se construyen los submarinos, en el Centro Aramar, la marina terminó la construcción de la central de gas de uranio. Con ella Brasil pasa a realizar todo el ciclo del combustible nuclear en su propio territorio, ya que una parte del proceso de enriquecimiento se realizaba en Canadá. En septiembre la central comienza a recibir elementos sensibles, como nitrato de uranio y ácido fluorhídrico, y a partir de 2012 la central producirá 40 toneladas anuales de uranio enriquecido al 5 y al 20 por ciento en ultracentrifugadoras diseñadas por técnicos brasileños.

Por ahora Brasil cuenta con la autonomía tecnológica como para fabricar sus propios reactores para instalar en los submarinos nucleares. Cuenta además con la sexta reserva mundial de uranio, cuando aún falta explorar 70 por ciento de su territorio, y ante la certeza de que existen importantes yacimientos en la triple frontera con Venezuela y Colombia. Esa autonomía le puede permitir a Brasil construir armas nucleares. No es que ya las tenga, ni que las esté construyendo, sino que está en condiciones de hacerlo cuando lo considere necesario.

El tercer dato a tener en cuenta es la difusión del informe de UNCTAD sobre las inversiones en el mundo en 2010. Entre los datos de mayor interés surge que América del Sur fue la región del mundo que registró un mayor crecimiento de la inversión extranjera directa (IED), con un aumento de 56 por ciento respecto de 2009. La cifra total es de 86 mil millones de dólares, cerca de los 106 mil millones que ingresaron en China por ese concepto. Una parte importante de esos ingresos (unos 20 mil millones de dólares) fueron realizados por multinacionales asiáticas, sobre todo chinas e indias, que invierten en petróleo y gas.

Brasil captó en 2010 más de la mitad de las inversiones en Sudamérica, colocándose como el quinto destino de la IED en el mundo (antes ocupaba el lugar número 15), con 48 mil 400 millones de dólares. El banco central acaba de informar que en los seis primeros meses de 2011 las inversiones extranjeras directas en Brasil crecieron un estratosférico 170 por ciento (Folha de Sao Paulo, 27 de julio), y se calcula que a fin de año habrán superado los 60 mil millones de dólares.

Las tres situaciones mencionadas resaltan el papel estratégico que está jugando Sudamérica en el mundo, y de modo muy destacado el lugar que comienza a ocupar Brasil. Una vez más, conviene subrayar que son buenas noticias para la construcción de un mundo multipolar aunque la creciente presencia asiática refuerza el modelo vigente. Para los movimientos antisistémicos se abren tiempos turbulentos y plagados de peligros, como suele suceder ante cada recodo de la historia

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