ENEM 2015

Q40 (Enem 2015 – azul)  A crescente intelectualização e racionalização não indicam um conhecimento maior e geral das condições sob as quais vivemos. Significa a crença em que, se quiséssemos, poderíamos ter esse conhecimento a qualquer momento. Não há forças misteriosas incalculáveis; podemos dominar todas as coisas pelo cálculo.

WEBER, M. A ciência como vocação. In: GERTH, H., MILLS, W. (Org.). Max Weber: ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado).

 

Tal como apresentada no texto, a proposição de Max Weber a respeito do processo de desencantamento do mundo evidencia o(a)

a) progresso civilizatório como decorrência da expansão do industrialismo.

b) extinção do pensamento mítico como um desdobramento do capitalismo.

c) emancipação como consequência do processo de racionalização da vida.

d) afastamento de crenças tradicionais como uma característica da modernidade.

e) fim do monoteísmo como condição para a consolidação da ciência.

 

Resposta: D

“Tudo como o previsto”

27 de Maio de 2014

por Gustavo Esteves Lopes

Alguém previu de imediato, quando da escolha do Brasil como país-sede da “Copa do Mundo Fifa 2014tm, ocorrida em 2007, que haveria este rebuliço todo em torno da organização deste mega-evento esportivo, e que possivelmente ocorrerá o mesmo em relação aos “Jogos Olímpicos Rio 2016tm”? É certo que sim. Feito tradição que precede e perpassa a realização de um mega-evento, em qualquer lugar do mundo, contendas e recrudescimentos múltiplos – gerados entre sociedade civil, estado, patrocinadores e comitês organizadores – estabelecem-se como componentes essenciais próprios ao que é denominado “civilização”, em que cada parte se julga no direito e no dever de impor seus pensamentos e ações sobre outrem. Inversamente a tal condição humana que se constitui coletivamente enquanto “civilidade” – vocábulo este que está muito além de seus sinônimos diretos “cortesia” ,“polidez” e “boas maneiras” –, quanto a uma partida de futebol, o que se passa dentro das quatro linhas, e segundo as regras do jogo, presume-se como o contrário em relação ao que acontece do lado de fora, em que leis e quaisquer outras normas jurídicas existem, também, para serem desobedecidas – como o fazem os “anônimos” e as pessoas “publicamente reconhecidas”, ininterruptamente. Se a regra do jogo for desrespeitada, este não há mais razão de ser, de existir – seja este uma loteria, uma modalidade esportiva individual, bem como uma modalidade esportiva coletiva, como o futebol e outras. Corrupção, exclusão social, acidentes de trabalho, difamação, protestos, violência generalizada, e ocorrências de morte de toda a sorte, já estavam previstos nas entrelinhas do contrato assinado entre todas as partes envolvidas. Ledo engano acreditar que ninguém quis ou quer ler tanto aquilo que estava escrito no contrato (social, aliás), como também aquilo que não estava. Ainda assim, é inegável que em meio a todo este rebuliço, há espaço, tempo e circunstância para que brasileiros, e muita gente espalhada ao redor do mundo, sejam contagiados pelos mais sinceros e graciosos sentimentos inatos aos seres humanos, “civilizados ou não”, como alegria, serenidade e fraternidade, de modo a contemplar, com toda a certeza, o que já era esperado de um mega-evento esportivo. Em suma, e com franqueza, é sabido que vem ocorrendo “tudo como o previsto”, dentro e fora das quatro linhas que engendram o esporte bretão. (Dedicado a José Carlos Sebe Bom Meihy, Roberto Damatta e Marcel Diego Tonini)

Gustavo Esteves Lopes – Historiador, e Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo. Só neste ano de 2014 publicará dois livrinhos, pois ambos já estão no prelo – um sobre o tempo de ditadura militar no Brasil (1964-1985), e outro sobre a história da comunidade local onde vive e trabalha (Hortolândia-SP). É praticante contumaz daquilo que se chama “história oral”.

Como uma lei é votada no Congresso?

por Tiago Jokura

1. Câmara dos deputados – Um dos tipos de lei mais simples de serem votados no Brasil é a chamada lei ordinária. Ela começa a nascer quando um texto propondo a lei é encaminhado ou à Câmara dos Deputados ou ao Senado. Aqui a gente inicia a história na Câmara

2. Câmara dos deputados – Quem recebe o texto é a Mesa, formada pelo presidente da Câmara, dois vices e quatro secretários. Eles encaminham o projeto para comissões temáticas. Se ele trata de escolas, por exemplo, é analisado pela Comissão de Educação e Cultura

3. Câmara dos deputados – Cada comissão tem entre 18 e 60 deputados. Nela é preparado um relatório técnico, explicando como vai funcionar a nova lei e os impactos que ela pode provocar. O projeto inicial e o relatório seguem para outras comissões da Câmara

4. Câmara dos deputados – Se a lei envolve mais de um tema – educação e economia, por exemplo -, pode passar por até três comissões temáticas. Depois, ela vai para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vê se o texto não contraria a Constituição

5. Câmara dos deputados – Estando tudo certo com o projeto, a CCJ encaminha o texto de volta para a Mesa da Câmara, que em seguida manda divulgá-lo no Diário da Câmara, uma publicação oficial que mantém os deputados informados sobre todas as atividades que rolam na casa

Reprovado – Saída 1 – Lei rejeitada! / Se a lei contrariar a Constituição ou não for aprovada pelas comissões, o projeto acaba aí

6. Câmara dos deputados – Qualquer deputado tem um prazo de cinco sessões para pedir alterações ou o fim do projeto. Pra isso, precisa recolher a assinatura de 52 deputados – 10% da Câmara. Se conseguir, a lei é votada no plenário, por todos os deputados. Se não, ela vai para o Senado

Emendado – Saída 2 Antes do plenário… / Se os deputados que pediram a votação em plenário sugerirem emendas ao projeto, ele volta às comissões para ser reescrito antes de ser votado

7. Câmara dos deputados – A votação em plenário só pode acontecer quando a sessão de trabalho da Câmara tiver pelo menos 257 deputados – 50% + 1 do número total de eleitos. Com esse quórum garantido, a lei segue adiante se a maioria simples dos presentes aprová-la

Reprovado – Saída 3 – Lei rejeitada! / A mesma maioria simples em plenário também pode votar contra a lei, que aí é enterrada

8. Senado – A lei aprovada, direto nas comissões ou pelo plenário, vai então da Mesa da Câmara para a Mesa do Senado. Chegando lá, o projeto é distribuído para uma das comissões temáticas da casa, que irá revisar o texto aprovado na Câmara

9. Senado – As comissões do Senado têm de 17 a 27 membros. Como na Câmara, um projeto que trate de vários temas pode passar por mais de uma comissão temática. O texto final só é liberado por uma CCJ específica do Senado

10. Senado – Depois de passar pelas comissões, o projeto volta para a Mesa do Senado e é discutido em plenário. Dependendo das discussões e da votação, o projeto pode rumar para três caminhos bem diferentes, da “lata do lixo” ao gabinete do presidente da República

Reprovado – Saída 4 – Lei rejeitada! / O Senado pode simplesmente recusar o projeto e arquivá-lo de vez

Emendado – Saída 5 – Um remendo aqui… / Se o Senado sugerir alterações, o texto volta para as comissões da Câmara. Elas discutem as emendas seguindo os passos 4, 5 e 7. O plenário da Câmara aprova ou rejeita as emendas. Depois da votação, o texto vai direto para o presidente da República (passo 11)

11. Presidência – Se nada for mexido pelos senadores, a Mesa do Senado manda a lei para a análise do presidente da República. Ele tem duas opções: aprovar o projeto (passo 12) ou vetá-lo total ou parcialmente (passo 13)

12. Aprovação – Com a aprovação do presidente da República, a nova lei está pronta para entrar em vigor. Ela só precisa ser publicada no Diário Oficial da União para passar a valer em todo o país. Ufa!

13. Congresso – Em caso de veto do presidente, a lei precisa ser discutida pelo Congresso Nacional, que reúne todos os deputados federais e senadores. As Mesas do Senado e da Câmara se revezam na presidência das sessões

14. Congresso – Uma comissão com três deputados e três senadores é criada para analisar o veto presidencial e apresentar um relatório a todo o Congresso. Daí o veto é discutido e votado (com voto secreto) em plenário

15. Rejeitada ou emendada – Se o Congresso não conseguir a maioria absoluta dos votos de deputados (257) e senadores (41), o veto é mantido. Se o veto era para a lei toda, o projeto morre. Se era parcial, as emendas pedidas pelo presidente são feitas pelo Congresso. Depois, a lei volta para o presidente publicá-la como ele queria

16. Aprovação – Se o Congresso conseguir o número de votos necessários, o veto é derrubado e o projeto volta para a Presidência da República. Aí, não tem jeito: mesmo a contragosto, o presidente é obrigado a publicar a nova lei no Diário Oficial da União.

 

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-uma-lei-e-votada-no-congresso

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