Being Strong – Why Russia needs to rebuild its military.

BY VLADIMIR PUTIN | FEBRUARY 21, 2012

In a world of upheaval there is always the temptation to resolve one’s problems at another’s expense, through pressure and force.

It is no surprise that some are calling for resources of global significance to be freed from the exclusive sovereignty of a single nation. This cannot happen to Russia, not even hypothetically.

In other words, we should not tempt anyone by allowing ourselves to be weak. We will, under no circumstances, surrender our strategic deterrent capability. Indeed, we will strengthen it.

We will not be able to strengthen our international position or develop our economy or our democratic institutions if we are unable to protect Russia.

We see ever new regional and local wars breaking out. We see new areas of instability and deliberately managed chaos. There also are attempts to provoke such conflicts even close to Russia’s and its allies’ borders. The basic principles of international law are being degraded and eroded, especially in terms of international security.

Under these circumstances, Russia cannot rely on diplomatic and economic methods alone to resolve conflicts. Our country faces the task of sufficiently developing its military potential as part of a deterrence strategy. This is an indispensable condition for Russia to feel secure and for our partners to listen to our country’s arguments.

We have adopted and are implementing unprecedented programs to develop our armed forces and modernize Russia’s defense industry. We will allocate around 23 trillion rubles for these purposes over the next decade. This is not a militarization of the Russian budget, however.

Our goal should be to build a fully professional army. Servicemen must have a full package of social benefits adequate to their enormous social responsibility.

It’s clear there have been plenty of discussions over the amount and timing of this large-scale financing. The goal of creating modern armed forces and of comprehensively strengthening our defensive potential cannot be put off.

In fact, our defense centers and enterprises have missed several modernization cycles in the last 30 years. Yet we have made great strides in reforming the army. High-readiness forces manned with contract soldiers have been formed in all strategic areas. Self-sufficient units have been created. A unit of this type carried out the peace enforcement operation in Georgia in 2008 and defended the peoples of South Ossetia and Abkhazia.

Our navy has resumed its presence in strategic areas of the world’s oceans, including the Mediterranean.

So what does the future have in store for us? The probability of a global war between nuclear powers is not high, because that would mean the end of civilization. Nobody will dare launch a large-scale aggression against us.

High-precision, long-range conventional weapons will become increasingly common. An important, if not decisive, role in determining the nature of armed conflict will be played by the military capability of a country to counter space or information-related threats, especially in cyberspace.

We must also take resolute steps to strengthen our aerospace defenses. We are being pushed into action by the U.S. and NATO missile defense policies. A global balance of forces can be guaranteed either by building our own missile defense shield — an expensive and to date largely ineffective undertaking — or by developing the ability to overcome any missile defense system and protect Russia’s retaliation potential, which is far more effective. Russia’s military and technical response to the U.S. global missile defense system and its European section will be effective and asymmetrical.

Similarly, the activities that the world’s leading military powers have initiated around the Arctic are forcing Russia to secure our interests in that region.

Some people argue that rebuilding our military-industrial complex will saddle the economy with a heavy burden, the same burden that bankrupted the Soviet Union. I am sure this is profoundly delusionary.

The USSR collapsed due to the suppression of natural market forces in the economy and long-running disregard for the interests of the people. We cannot repeat the errors of the past.

The huge resources invested in modernizing our military-industrial complex and re-equipping the army must serve as fuel to feed the engines of modernization in our economy, creating real growth and a situation where government expenditure funds new jobs, supports market demand, and facilitates scientific research.

We will be resolute in eliminating corruption from the defense industry and the armed forces, ensuring that punishment for those who fall foul of the law is inevitable. Corruption in the national security sector is essentially treason.

We must rely on the very latest developments in the art of war. Falling behind means becoming vulnerable. It means putting our country and the lives of our soldiers and officers at risk.

The objective is to strengthen, not weaken, our national economy and create an army and military industry that will secure Russia’s sovereignty, the respect of our partners, and lasting peace.

Vladimir Putin is prime minister of Russia and served as president from 2000 to 2008.

http://www.foreignpolicy.com/articles/2012/02/21/being_strong?page=0,0

A longer version of this article appeared in the Russian newspaper Rossiiskaya Gazeta.

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Discurso de Dilma na 66ª Assembleia Geral da ONU

“Senhoras e senhores,

É com grande alegria que participo, na condição de copresidenta, do lançamento oficial da Parceria para o Governo Aberto. Trata-se de um importante instrumento para o fortalecimento das nossas democracias. Congratulo-me com o presidente Obama por haver levantado esse tema, de forma muito oportuna, na última reunião da Assembleia Geral da ONU.

O uso das redes digitais é essencial para a promoção de governos mais transparentes e acessíveis aos cidadãos, para a melhoria dos serviços públicos de Educação, Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Essas redes são um importante instrumento para o nosso objetivo de fortalecimento da Democracia.

O meu país, o Brasil, endossa a Declaração de Princípios sobre o Governo Aberto e apresenta também seu plano de ação nacional. Avançamos muito em nosso compromisso com a transparência, a qualidade e a abertura da gestão pública. A ideia do Governo Aberto no Brasil está associada à redemocratização do país nos anos 70.

Não se trata apenas de permitir o acesso individual à execução do orçamento do Estado ou o acompanhamento da lisura e da racionalidade da ação dos agentes públicos. Trata-se também de assegurar a prestação de contas, a fiscalização e a participação dos cidadãos, criando uma relação de mão dupla permanente entre o governo e a sociedade.

Nos últimos anos, ampliou-se o espaço de diálogo na gestão da Coisa Pública no Brasil, graças à implantação da consulta participativa. Desde 2003, o governo brasileiro realizou 70 conferências nacionais temáticas, nas mais diversas áreas, envolvendo interação com cinco milhões de pessoas, em cinco mil municípios. Evidentemente, a grande mudança social hoje vivida por meu país não seria possível sem o engajamento da própria sociedade brasileira.

Recorremos às consultas públicas para a preparação de planos e programas de governo, entre os quais o Plano Plurianual 2012/2015 e as propostas brasileiras para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio 20, que o Brasil terá a honra de sediar.

Encontra-se em discussão no Congresso Nacional um projeto de lei destinado a regulamentar o acesso às informações públicas, com regras transparentes e prazos menores para o sigilo de documentos.

Graças ao elevado grau de transparência em que se opera, é possível identificar e corrigir, com eficiência cada vez maior, os problemas de gestão, quando ocorrem. Contamos com o Ministério Público… Contamos com um Ministério, a Controladoria-Geral da União, dedicado a promover a transparência e a prevenir e combater a corrupção. Temos ainda a atuação autônoma da Procuradoria-Geral da República e da Inteligência da Polícia Federal. Conta-se também com a posição vigilante da imprensa brasileira, não submetida a qualquer constrangimento governamental. As ações do governo nessa matéria são firmes e permanentes.

Fui muito clara desde o discurso de posse, em janeiro, quando afirmei que meu governo não terá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito.

Senhoras e senhores,

A internet e as redes sociais vêm desempenhando um papel cada vez mais importante para a mobilização cívica na vida política. Vimos o poder dessas ferramentas no despertar democrático dos países do norte da África e do Oriente Médio sacudidos pela primavera árabe. Para colocar a tecnologia a serviço da transformação social, o Brasil está aperfeiçoando as ferramentas de governo eletrônico, difundindo o uso de padrões abertos e interoperáveis, e desenvolvendo uma infraestrutura nacional de dados abertos.

Inovamos na utilização de plataformas digitais colaborativas para a elaboração de projetos de lei. O nosso Portal da Transparência é hoje o símbolo dos avanços brasileiros na relação do governo com a cidadania. Por seu intermédio divulgamos na internet diariamente todos os gastos do governo. O próximo passo será disponibilizar essas informações como dados abertos, permitindo seu livre uso em diferentes análises e cruzamentos.

Estamos implementando, como um dos projetos prioritários do meu governo, o Programa Nacional de Banda Larga, que solucionará o principal gargalo da inclusão digital e do governo aberto, a insuficiência e o alto custo do acesso à internet. Com isso, o governo aberto no Brasil vai se colocar ao alcance de todos os segmentos sociais no amplo território nacional do país.

Senhoras e senhores,

O governo aberto não é apenas transparência e combate à corrupção. É cidadania, participação popular e melhor prestação de serviços públicos, que colocam a inovação a serviço dessas políticas de Educação, de Saúde e de Segurança. Trata-se, portanto, de um projeto de modernização democrática para o século XXI, e o meu país tem muito interesse pelo tema e acredito que temos como contribuir.

Com muita satisfação, confirmo e convido a todos porque o Brasil será sede do próximo encontro da parceria com o governo aberto em março de 2012. Estou certa de que, até lá, teremos mais países e atores engajados na iniciativa, prestando a sua valiosa colaboração.

Muito obrigada.”

Un momento estratégico para Sudamérica

Raúl Zibechi

En medio de la creciente turbulencia global la región sudamericana se convierte en espacio en disputa entre imperios decadentes y potencias emergentes. Las cuantiosas y crecientes reservas hidrocarburíferas y de minerales, el mayor potencial hidroeléctrico del planeta, y las reservas de agua y biodiversidad, están en el centro de esa disputa. Tres hechos recientes lo confirman.

A mediados de julio la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) informó que Venezuela sobrepasó a Arabia Saudí como poseedora de las mayores reservas del planeta. En 2010 alcanzó 296 mil 500 millones de barriles, con un crecimiento de 40 por ciento respecto de 2009, frente a 264 mil 500 millones de barriles de los saudíes, cuyas reservas permanecen estancadas. A bastante distancia les siguen Irán e Irak. Los 12 países de la OPEP detentan 81.3 por ciento de las reservas mundiales. El petróleo sudamericano se torna cada vez más relevante.

El 16 de julio la presidenta Dilma Rousseff inauguró el Programa de Desarrollo de Submarinos (Prosub), afirmando que se trata de un momento estratégico para Brasil, porque se incorpora al pequeño grupo de países que domina la construcción de submarinos, y en especial los de propulsión nuclear. El acto se realizó con la presencia de miembros del gabinete, comandantes de las fuerzas armadas, el ministro de Defensa de Francia y empresarios de la industria militar de ambos países.

La construcción de cuatro submarinos convencionales y uno nuclear, con tecnología brasileña y francesa, como consecuencia del acuerdo de cooperación militar firmado durante el gobierno de Lula, representa apenas el primer paso en una secuencia que prevé la botadura de seis submarinos nucleares y 19 convencionales hasta 2048. La transferencia de tecnología y la construcción de un astillero y una base naval en la costa de Río de Janeiro le permitirán a Brasil construir dos submarinos de forma simultánea, que se comenzarán a entregar a razón de uno cada año y medio a partir de 2017.

Sólo Estados Unidos, Rusia, Francia, Inglaterra y China son capaces de fabricar submarinos nucleares. Rousseff fue muy clara: Este país posee un valor muy grande con el descubrimiento de la capa pre-sal (de petróleo) en su plataforma continental. La Estrategia Nacional de Defensa aprobada en 2008 eligió la defensa submarina. Para 2020 Brasil habrá duplicado su producción actual de petróleo, llegando a 5.7 millones de barriles diarios, y se ubicará como cuarto productor mundial y tercer exportador, por detrás de Arabia Saudí y Rusia.

Brasil ya domina todo el ciclo nuclear y ese es el dato decisivo que modifica la relación de fuerzas en la región. Podemos estar orgullosos porque en los últimos años Brasil reafirmó su capacidad de volver a producir y dominar tecnologías que durante algunos años dejamos de lado, dijo Rousseff, en referencia al periodo neoliberal privatizador, cuando se paralizó el programa nuclear.

Un documento oficial reservado, que fue difundido por O Estado de Sao Paulo el 10 de julio, señala que los objetivos son defender el comercio marítimo, las reservas de metales pesados que están siendo mapeadas en la plataforma marítima, de alto valor para las industrias electrónica y aeronáutica, y por supuesto el petróleo en aguas profundas, donde se hacen nuevos descubrimientos todos los años.

El diario informa además que a 600 kilómetros de la base donde se construyen los submarinos, en el Centro Aramar, la marina terminó la construcción de la central de gas de uranio. Con ella Brasil pasa a realizar todo el ciclo del combustible nuclear en su propio territorio, ya que una parte del proceso de enriquecimiento se realizaba en Canadá. En septiembre la central comienza a recibir elementos sensibles, como nitrato de uranio y ácido fluorhídrico, y a partir de 2012 la central producirá 40 toneladas anuales de uranio enriquecido al 5 y al 20 por ciento en ultracentrifugadoras diseñadas por técnicos brasileños.

Por ahora Brasil cuenta con la autonomía tecnológica como para fabricar sus propios reactores para instalar en los submarinos nucleares. Cuenta además con la sexta reserva mundial de uranio, cuando aún falta explorar 70 por ciento de su territorio, y ante la certeza de que existen importantes yacimientos en la triple frontera con Venezuela y Colombia. Esa autonomía le puede permitir a Brasil construir armas nucleares. No es que ya las tenga, ni que las esté construyendo, sino que está en condiciones de hacerlo cuando lo considere necesario.

El tercer dato a tener en cuenta es la difusión del informe de UNCTAD sobre las inversiones en el mundo en 2010. Entre los datos de mayor interés surge que América del Sur fue la región del mundo que registró un mayor crecimiento de la inversión extranjera directa (IED), con un aumento de 56 por ciento respecto de 2009. La cifra total es de 86 mil millones de dólares, cerca de los 106 mil millones que ingresaron en China por ese concepto. Una parte importante de esos ingresos (unos 20 mil millones de dólares) fueron realizados por multinacionales asiáticas, sobre todo chinas e indias, que invierten en petróleo y gas.

Brasil captó en 2010 más de la mitad de las inversiones en Sudamérica, colocándose como el quinto destino de la IED en el mundo (antes ocupaba el lugar número 15), con 48 mil 400 millones de dólares. El banco central acaba de informar que en los seis primeros meses de 2011 las inversiones extranjeras directas en Brasil crecieron un estratosférico 170 por ciento (Folha de Sao Paulo, 27 de julio), y se calcula que a fin de año habrán superado los 60 mil millones de dólares.

Las tres situaciones mencionadas resaltan el papel estratégico que está jugando Sudamérica en el mundo, y de modo muy destacado el lugar que comienza a ocupar Brasil. Una vez más, conviene subrayar que son buenas noticias para la construcción de un mundo multipolar aunque la creciente presencia asiática refuerza el modelo vigente. Para los movimientos antisistémicos se abren tiempos turbulentos y plagados de peligros, como suele suceder ante cada recodo de la historia

Em meio à crise, cresce comércio de armas

Pela redação da agência Prensa Latina

Com a despesa mundial em armamentos durante 2010, seria possível manter 212 milhões de crianças de aproximadamente um ano, ao custo médio necessário em um país desenvolvido europeu. A manutenção estimada por criança ali, segundo fontes extraoficiais, é de 4715 dólares ao ano, enquanto o investimento em meios bélicos aumentou em 2010, globalmente, a um 1,63 trilhão de dólares.

Nove milhões de crianças morrem de fome anualmente no mundo, e só o protótipo do superavião britânico não tripulado Taranis acumulou um custo de 215 milhões de dólares, que bastariam para alimentar 45.599 crianças ao ano.

Nos países do sul poderiam se alimentar muitos mais crianças, se só se tratasse de cobrir as necessidades básicas para não morrer de inanição e de doenças previsíveis ou curáveis.Mas o Tiranis, nome do deus celta do trovão e qualificado como “o ápice” da engenharia britânica e do desenho aeroespacial, não é o maior exemplo bélico, pois as despesas em armamentos compreendem enormes meios com capacidade de destruição totalmente global.

O Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI) considera, em seu relatório sobre o ano passado, que as armas nucleares continuam representando um grande perigo, apesar das promessas de redução.

Como causa da pronunciada corrida armamentística, identifica a luta pelas riquezas naturais, devido ao aumento da demanda internacional e da   escassez induzida especialmente pelas mudanças climáticas.

Neil Melvin, diretor no SIPRI do programa Conflitos Armados e Gerenciamento dos Conflitos, considera que os recursos são “um fator maior de conflito”.

Em sua opinião, o petróleo tem desempenhado seu papel nas tensões no Sudão e na Líbia, onde contribui à guerra civil, ao que pode acrescentar, na opinião de analistas, que motiva também os bombardeios da OTAN.

O aumento súbito da demanda pelo consumo, segundo o SIPRI, é a causa principal de uma concorrência crescente na busca de recursos exploráveis, até no Ártico, e no aumento dos preços, sobretudo nos da alimentação.

Ante tais previsões, o alarme é maior se considera-se que os preços dos alimentos poderiam duplicar de agora a 2020.

Em relação a isto, os múltiplos atos de violência da chamada primavera árabe foram engendrados em grande parte “por distúrbios causados pela fome” e os altos “preços dos produtos alimentários”, opina.

Sobre as armas nucleares, o SIPRI explica que as reduções anunciadas no número de ogivas  foram amplamente compensadas pela modernização e multiplicação dos mísseis. Só oito países possuem mais de 20,5 mil ogivas nucleares. Desse total, “mais de 5 mil estão deslocadas e prontas para serem usadas, e 2 mil mantidas em estado de elevado alerta operacional”.

Cinco desses estados, assinantes do Tratado de não Proliferação nuclear, “ou já estão deslocando novos sistemas de armas nucleares, ou têm anunciado sua intenção de fazê-lo”.

Considera assim mesmo que as despesas mundiais em armamento, sempre encabeçadas pelos Estados Unidos, experimentaram em 2010 um crescimento de 1,3%, atingindo 1,6 triilhão de dólares.

Os cem maiores fabricantes mundiais de armamento, exceto a China, venderam 401 bilhões de dólares de produtos bélicos em 2009, com recorde para os Estados Unidos, cuja demanda governamental continua se elevando.

Seu orçamento militar para 2011 é de 708 bilhões de dólares, 42,8% da despesa mundial.

Durante a última década, duas milhões de crianças foram assassinadas nas guerras, e calcula-se que 150 milhões são exploradas como força de trabalho.

Quatro milhões de recém-nascidos, segundo meios jornalísticos, morrem em seu primeiro mês de vida, 82% não recebem antibióticos, vários milhões de menores de 14 anos têm AIDS e 500 mil mulheres falecem anualmente no parto.

Ademais, 600 milhões de crianças no mundo são vítimas da pobreza, 100 milhões vivem na rua, 150 milhões de meninas e 73 milhões de menores de 18 anos são explorados sexualmente e 1,8 milhão caíram no comércio sexual.

Expande-se a opinião de que “há muito os países poderosos… escolheram o caminho da arma e da guerra para resolver suas carências de energia e outros recursos naturais, sem pensar e analisar que podem acarretar estes fatos no futuro”.

O Taranis, capaz de empreender tanto tarefas de espionagem e vigilância como de transportar armas para atacar todo tipo de alvos, foi desenvolvido por BAE Systems, Rolls-Royce, Qinetiq e GE Aviation com o apoio do ministério de Defesa britânico, durante quatro anos, concluídos em 2010.

Gerald Howarth, o ministro para Assuntos de Defesa, declarou à BBC que “Taranis é um projeto realmente de vanguarda. Primeiro de seu tipo no Reino Unido, reflete melhor os avanços de desenho e as habilidades tecnológicas de nosso país e constitui um programa líder no cenário mundial”.

Mas “é um primeiro passo para o Reino Unido”, pois “não se trata de um avião que vá entrar em serviço, senão de uma demonstração tecnológica que provará técnicas, demonstrará capacidades e assinalará a direção na qual vamos”.

Sobretudo quando os déficits públicos se mantêm à ordem do dia, descem as despesas sociais, se privatizam bens do patrimônio, também na União Europeia, e se elevam os orçamentos militares em países aos que ninguém agride.

Seus investimentos bélicos impedem salvar aos famintos, ao mesmo tempo que provocam a morte, também em espiral.

Stuxnet: a era da guerra cibernética começou?

Como age o vírus de computador que atingiu as ultracentrífugas de urânio do Irã. Por que muitos exércitos já se preparam para uma nova geração de conflitos

Por Philippe Rivière, no Le Monde Diplomatique

O início deste ano, Dmitry Rogozin, embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), causou polêmica ao pedir a abertura de uma investigação sobre o Stuxnet, vírus de computador que atacou as instalações nucleares iranianas nos últimos meses. O vírus, diz ele, poderia levar a uma explosão termonuclear em Bushehr, central de produção de energia atômica no sul do país.

Essa é uma hipótese “virtual e completamente infundada”, retruca o especialista em segurança, o alemão Ralph Langner, que em setembro realizou o primeiro estudo detalhado sobre o vírus. “Em primeiro lugar, o Stuxnet não tinha Bushehr como alvo.”Na verdade, a área afetada foi Natanz, que tem 7 mil centrífugas fazendo enriquecimento de urânio. “Em segundo lugar, mesmo neste caso, ele não conseguiria interagir com os sistemas do circuito primário[circuito de água que fica em contato com a radioatividade].

Os responsáveis pelo vírus tiveram tempo (seu código fonte, com cerca de 15 mil linhas, teria exigido, segundo estimativas, dez “anos-engenheiro” de trabalho) e conhecimentos de ponta (o worm teria usado, para realizar sua transmissão, quatro vulnerabilidades inéditas do sistema operacional Windows). “A análise do código indica claramente que o Stuxnet não pretendia enviar uma mensagem ou demonstrar um conceito”, escreve Langner, “tratava-se de destruir alvos, com uma determinação de estilo militar”.

Tal alvo seriam as instalações nucleares iranianas? É o que acaba de afirmar um detalhadíssimo artigo do The New York Times de 16 de janeiro de 2011, revelando que o vírus foi testado e desenvolvido em uma réplica de tamanho natural da rede de centrífugas de Natanz. Uma operação de grande envergadura realizada, segundo o jornal norte-americano, dentro do complexo nuclear de Dimona, coração do programa atômico israelense no deserto de Neguev. Conclusão: “A corrida clandestina para criar o Stuxnet foi um projeto conjunto de norte-americanos e israelenses, com a assistência, consciente ou não, de alemães e britânicos1”. Os alemães em questão são os da Siemens, empresa que fabrica os sistemas informacionais de supervisão industrial (conhecidos como Scada) utilizados na usina.

O Stuxnet é um worm que deu seus primeiros passos em 2009, infectando várias dezenas de milhares de máquinas pelo mundo inteiro. Segundo um estudo do fabricante de antivírus Kaspersky, com sede em Moscou, ele se espalhou por muitos países, sendo a Índia o mais atingido, com 8.565 máquinas infectadas (setembro 2010), seguido pela Indonésia, com 5.148, e pelo Irã, que ficou em terceiro lugar com 3.062 casos detectados2.

Em alguns roteiros, o Stuxnet teria conseguido penetrar nas instalações de Natanz através de uma chave USB infectada por um fornecedor russo. A partir daí, reconhecendo traços distintivos de seu alvo (a marca de alguns controladores de frequência), o vírus teria ativado uma sequência de ataque digna de um filme de Hollywood. Enquanto exibia nas telas de segurança dos operadores dados de aparência normal, ele teria aumentado repetidamente a frequência de rotação das centrífugas, levando os rotores ao limite de sua ruptura física, provocando assim uma taxa de falhas fora do normal…

Não há provas da origem israelense do ataque. Mas o caso Stuxnet inscreve-se em um amplo leque de atos de sabotagem contra o programa nuclear iraniano. O ex-chefe do Mossad, Meir Dagan, congratulou-se recentemente por ter atrasado esse programa em muitos anos:“Os iranianos não terão capacidade nuclear antes de 20153”.

Segundo um relatório do Instituto Norte-Americano pela Paz4, Teerã teria realmente sofrido “um crescente número de reveses”: “dificuldades crescentes para obter peças indispensáveis no mercado internacional; dificuldades com o funcionamento de um grande número de centrífugas e, ao que parece, ações clandestinas de agências de inteligência estrangeiras”.  Entre os métodos utilizados: “ciberataques, sabotagem de equipamentos, invasão das redes de abastecimento e assassinato de especialistas em energia atômica”. O mais recente foi a morte do físico Majid Shahriari, no dia 29 de novembro de 2010, quando seu carro explodiu. Mas, para os autores do relatório, David Albright e Andrea Stricker, “as maiores dificuldades parecem estar ligadas ao Stuxnet, que começou a interferir nas centrífugas de Natanz em 2009”.

Para Scott Ritter, ex-chefe dos inspetores da ONU para o desarmamento do Iraque (1991-1998): “Oficiais norte-americanos e israelenses já declararam publicamente que o Stuxnet teria frustrado, por ora, o programa de enriquecimento iraniano. (…) Mas uma recente avaliação conduzida pela Federação de Cientistas Norte-Americanos5, usando dados de equipes de inspeção da ONU [das instalações de Natanz], sugere que em 2010 o Irã aumentou o alcance e a eficácia de suas atividades de enriquecimento, a despeito do ataque de Stuxnet6”.

Segundo Ritter, a tensão que reina em torno da “corrida de velocidade” disputada por Teerã e pelo grupo “P5+17” levou a uma situação em que “as avaliações factuais foram ignoradas em favor de especulações sobre potenciais cenários de invasão inimiga”. De tanto repetir, nos últimos 20 anos, que Teerã estava prestes a obter a bomba, os diplomatas “limitaram as opções políticas daqueles que adotaram essas hipóteses”, e assim limitaram suas margens de discussão.

Então, “Viva o Stuxnet!”, que teria afastado o risco de um “ataque preventivo”? Além da óbvia dessimetria entre os vizinhos – a bomba israelense é “o segredo menos bem guardado” do mundo8, enquanto o programa nuclear iraniano ainda parece longe de se completar –, operações de sabotagem em tempos de paz não se dão sem algum risco de retaliação ou acirramento dos conflitos.

A pirataria informacional é um esporte de combate, no qual o melhor defensor é um bom atacante. Washington não se esquece da invasão do Google pelos (supostamente) chineses. O presidente quer um botão que lhe permita cortar a internet, última linha de defesa em caso de “ciberataque proveniente do estrangeiro”. A Estônia, que em 2007 arcou com um “ciberataque” não elucidado (embora se creia que veio da Rússia), agora abriga o Centro de Excelência para a Cooperação em Ciberdefesa da Otan.

1  William J. Broad, John Markoff e David E. Sanger, “Israeli Test on Worm Called Crucial in Iran Nuclear Delay” [“Teste com vírus israelense foi crucial para atraso do programa nuclear iraniano”], The New York Times, 16 de janeiro de 2011.

2  Jeffrey Carr, “Reality Check: Is Stuxnet’s Iran Connection The New Iraqi WMD?” [“Ficção ou realidade: o Stuxnet iraniano é a nova arma de destruição em massa iraquiana?”], Firewall, Forbes, 28 de setembro de 2010.

3  Yossi Melman, “Outgoing Mossad chief: Iran won’t have nuclear capability before 2015” [“Do chefe do Mossad: o Irã não terá capacidade nuclear antes de 2015”], Haaretz, 7 de janeiro de 2011.

4  “Iran’s Nuclear Setbacks: A key for U.S. Diplomacy” [“Retrocessos no programa nuclear iraniano: uma chave para a diplomacia norte-americana”], 18 de janeiro de 2011, United States Institute of Peace, www.usip.org.

5  Fundada em 1945 por cientistas que participaram da fabricação da bomba atômica, a federação goza de grande credibilidade.

6  Scott Ritter, “In Perspective: The Stuxnet Effect” [“Em perspectiva: o efeito Stuxnet”], Nuclear Intelligence Weekly, New York, 31 de janeiro de 2010.

7  Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China –, mais a Alemanha.

8  É o que revela o título da obra de Avner Cohen, The Worst-Kept Secret: Israel’s Bargain with the Bomb [O segredo menos bem guardado do mundo: Israel barganha com a bomba], Columbia University Press, New York, 2010.

http://ponto.outraspalavras.net/2011/05/03/sabotagem-em-programas-nucleares/

Após Fukushima, governo alemão reavalia aval a Angra 3

DENISE MENCHEN
EM BERLIM

O acidente nuclear de Fukushima, no Japão, levou o governo alemão a reavaliar a garantia de crédito prometida para a usina de Angra 3.
O Ministério de Economia e Tecnologia do país confirmou à Folha que o assunto está sendo repensado “à luz dos acontecimentos recentes e dos parâmetros legais”.
Em fevereiro de 2010, a agência alemã Hermes, ligada ao governo, aprovou de forma preliminar uma garantia de crédito às exportações da multinacional Areva para Angra 3, um projeto da Eletronuclear.
A empresa irá fornecer equipamentos e serviços de engenharia nuclear para a usina. O contrato deve ser fechado em maio e ainda tem seu valor final negociado.
Para pagar à Areva, a Eletrobras conta com empréstimo de 1,5 bilhão (cerca de R$ 3,4 bilhões) de um pool de bancos liderado pelo Société Générale.
O garantidor da operação será o governo brasileiro. Caso a Eletrobras e o governo não honrem com as amortizações, a agência alemã o fará. O mecanismo é usado para viabilizar investimentos e fomentar as exportações e a geração de empregos.
O acidente japonês, porém, colocou a energia nuclear em xeque na Alemanha, país que conta com 17 usinas. Pressionada, a chanceler Angela Merkel determinou o desligamento temporário das sete unidades mais antigas. Nos próximos três meses, elas deverão passar por novos testes.
Atualmente, a Alemanha tem dez concessões de garantia de crédito a exportadores do setor nuclear em andamento. Em nove casos, está previsto o fornecimento de equipamentos, principalmente de segurança, para usinas já existentes.
“O outro diz respeito à conclusão da usina de Angra 3 e, por causa dos acontecimentos atuais, será novamente avaliado em conversas com o Brasil”, afirmou em nota o Ministério de Economia.
No fim de fevereiro, o Partido Social Democrata e os Verdes, da oposição, já tinham levado à votação no Bundestag uma moção para que o governo cancelasse o aval à Angra 3. O pedido não foi aprovado.
ONGs ambientalistas também tentam pressionar o governo a mudar de posição.
Um abaixo-assinado promovido pela Campact já tinha mais de 120 mil assinaturas até ontem. O material será enviado aos ministérios da Economia, das Finanças, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento alemães.
Procurada, a Eletronuclear informou que o aval expedido pela Hermes em fevereiro de 2010 tinha validade de um ano, mas foi estendido até agosto de 2011.
“No momento, a Eletronuclear não vê motivações para procurar outra agência garantidora. Até hoje, não houve nenhum comunicado ou outro tipo de manifestação da agência Hermes e/ou do governo alemão cancelando ou manifestando intenção de cancelar o aval”.

A USINA
Angra 3 tem um custo estimado de R$ 10,4 bilhões, a maior parte (R$ 6,1 bilhões) financiada pelo BNDES. Há ainda uma parcela de recursos da Eletrobras, controladora da Eletronuclear.
Quando entrar em operação, a usina terá capacidade de gerar mais de 10.000.000 MWh por ano, que é suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte.

testes nucleares

Esse vídeo do artista Isao Hashimoto ilustra os testes nucleares realizados entre 1945 e 1998.

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