UEM 2008 – inverno

15 – “Cerca de 20.000 policiais patrulhavam a cidade
italiana de Gênova e seus arredores enquanto cerca
de 50.000 pessoas realizavam nesta quinta-feira, às
véspera do início da cúpula do Grupo dos Oito (G-
8), o primeiro de uma série de protestos contra a
globalização e de maneira geral contra políticas do
Primeiro Mundo em relação aos países pobres.”
(Sociologia. Ensino médio. Curitiba: Seed-PR, 2006,
p. 186).
Sobre o tema tratado pela notícia acima, assinale o
que for correto.
 
01) Os movimentos sociais contrários à globalização
têm uma única reivindicação: que os governos
dos países desenvolvidos impeçam a entrada e a
permanência de imigrantes pobres vindos dos
países periféricos em busca de emprego e de
melhores condições de vida.
02) Embora a globalização tenha-se acentuado nas
últimas décadas, várias análises sobre o
capitalismo apontam que ele tendia àquele
fenômeno desde a sua origem.
04) Organismos internacionais como o G-8, o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e a Organização
Mundial de Comércio (OMC) têm acumulado
poder para induzir, bloquear ou reorientar
políticas econômicas nacionais.
08) O processo de globalização valoriza e promove
a circulação de idéias e de informações em
escala mundial. Entretanto esse fato não
significou o fim das culturas e dos
conhecimentos locais ou liquidou as
individualidades regionais ou religiosas.
16) Muitos críticos da globalização são contrários
ao seu caráter “neoliberal”. Eles afirmam que,
diferentemente do liberalismo clássico do século
XIX, o neoliberalismo reduz os lucros das elites
econômicas.
 
resposta: 14
 
 

O milagre econômico holandês

26/05/2012

Por José Luís Fiori

Nos séculos XVI e XVII, a Holanda foi berço do capitalismo comercial e da ciência moderna, e foi a pátria de Grotius, Spinoza, Vermeer, Rembrandt, Huygens e Sawammerdam, entre tantos outros gênios que viveram em Amsterdam, Utrecht ou Leiden, como no caso de Descartes ou Hobbes. Naquele período, a Holanda foi considerada terra por excelência do inconformismo e da liberdade do pensamento. E foi também o lugar onde se deu o primeiro “milagre econômico nacional” da história do capitalismo. Assim mesmo, costuma-se dedicar pouca atenção à história real, violenta e descontínua que está por trás desta visão estilizada e idílica da ascensão holandesa e de sua revolução capitalista.

No século XVI, os Países Baixos eram uma pequena província do Império Habsburgo, de Carlos V e Felipe II, retalhada por rios e canais, e ocupada por uma rede compacta de cidades. Naquele período, suas cidades costeiras funcionaram como um dos entrepostos mercantis do império espanhol, com um comércio de baixo valor agregado e pouco impacto sobre toda a economia da província.

A partir de 1540, entretanto, o pequeno território holandês foi transformado no epicentro geopolítico e militar da guerra entre o Império Espanhol e a França, que começou na Itália, no final do século XV, e se prolongou durante quase todo o século XVI. Deste momento em diante, aumentou enormemente a pressão tributária e a opressão política e religiosa exercida pelos espanhóis sobre sua província, provocando uma reação cada vez mais violenta, que se transformou em insurreição nacional, a partir de 1572. Seguiram-se oitenta anos de resistência e luta, até o reconhecimento espanhol da independência holandesa, na Paz de Vestfália, em 1648.

Nestes oitenta anos, as Províncias Unidas viveram cercadas e em estado permanente de guerra, dentro do seu próprio território. Em 1585, a situação havia se deteriorado de tal forma que Amsterdam chegou a oferecer a soberania holandesa aos reis da França e da Inglaterra, e viveu dois anos como protetorado da Rainha Elizabeth I. Mas em 1590, este cenário mudou de forma súbita e radical. Amsterdam centralizou o poder e impôs sua hegemonia dentro da federação, e em seguida fez um enorme esforço fiscal e organizou em poucos anos um dos maiores e mais eficientes exércitos da Europa, iniciando uma ofensiva militar impressionante e vitoriosa, que conquistou 43 cidades e 55 fortalezas espanholas, em menos de dez anos. Em seguida, criou um anel protetor de cidades fortificadas e militarizadas e manteve sua ofensiva até o estabelecimento de uma trégua de 12 anos, com a Espanha, entre 1609 e 1621.

O que chama a atenção é que foi exatamente neste período de ofensiva vitoriosa da revolução que se deu o chamado “milagre econômico holandês”, com o aumento exponencial dos seus gastos e investimentos, do seu comércio de alto valor, da sua indústria e da sua inovação tecnológica, da sua finança e da sua integração econômica nacional [1]. Foram 15 anos de expansão acelerada, e só no final deste período se pode falar de comércio de longa distancia e de império colonial, que começam com a criação da Companhia das Índias Orientais, em 1602. Além disto, foi neste mesmo período que a Holanda completou sua “revolução financeira”, com a criação de um mecanismo de financiamento de suas guerras, através de um “motor” revolucionário de multiplicação nacional da riqueza financeira, alimentado pelos seus títulos da dívida pública de longo prazo, negociados na bolsa de valores e transformados na base do sistema de crédito holandês.

A história segue e é longa, mas pode-se tirar algumas lições desta revolução holandesa:

  1. Só depois de 1590, a Holanda deixou de ser apenas um dos entrepostos mercantis do Império Espanhol para se transformar numa “economia capitalista”, de lucros extraordinários e comércio de alto valor agregado.

  2. A fronteira da economia nacional holandesa foi criada pelo próprio cerco dos exércitos espanhóis. E dentro deste território sitiado, foram a luta revolucionária e a centralização do poder que deram o primeiro impulso ao milagre capitalista da Holanda.

  3. Os economistas heterodoxos costumam dizer que o investimento cria sua própria poupança, mas no caso do modelo holandês se poderia dizer que foi a revolução que criou o seu próprio investimento, publico e privado.

  4. Assim mesmo, é interessante observar, que também houve revolução ou guerra nacional no início da expansão de todas as demais grandes potências, como no caso de Portugal e Espanha, mas também da Inglaterra, EUA, Alemanha, Japão, Rússia, ou mesmo da França, e agora também da China.

  5. Por fim, a grande lição de toda esta história é que depois da Holanda, todos os grandes “milagres econômicos” do capitalismo que se sustentaram no tempo fizeram parte constitutiva do processo de ascensão das suas grandes potências.

Maio de 2012


[1] Israel, J. I. “The Dutch Republic. Its Rise, Greatness, and Fall 1477-1806”, Clarendon Press, Oxford, 1998, pgs 307 ss.

http://www.outraspalavras.net/2012/05/26/o-milagre-economico-holandes/

Rio+20 oficial: não há consenso no “Futuro que queremos”

11 de janeiro de 2012

Por Daniela Chiaretti, no Valor Econômico

Saiu ontem o primeiro rascunho do documento que será o resultado principal da Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, no Rio de Janeiro, em junho. Oceanos, segurança alimentar, agricultura, energia e cidades sustentáveis, acesso a água, empregos verdes, trabalho decente, inclusão social e redução de risco de desastres são as áreas sugeridas para que os países tenham metas a serem cumpridas a partir de 2015.

Batizado de “The Future We Want” (“O Futuro Que Queremos” – versão integral aqui), o documento de 19 páginas também dá a indicação financeira de como o mundo pode chegar ao cumprimento dessas metas: que sejam cumpridos os compromissos de países ricos de destinar 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para a cooperação internacional às nações em desenvolvimento, assim como 0,15% a 0,20% do PIB para programas de assistência aos países mais pobres. Essa sugestão não é nova e resume decisões já tomadas em vários fóruns das Nações Unidas, mas que, nos últimos 20 anos, nem sempre decolaram.

Várias partes do texto estão entre colchetes, o que, no rito diplomático indica que são temas onde não há consenso. Tudo o que importa – finanças, energia, ciência e tecnologia, lixo, consumo e produção sustentável, educação, degradação da terra, mudança do clima, florestas e biodiversidade – aparecem entre colchetes. Na verdade, o processo de discussão do texto começa agora. Será a base da rodada informal de negociações em Nova York, no fim de janeiro. Acontecerão mais dois encontros nesse formato, onde representantes dos países discutem o documento, mas ainda não tomam decisões. No fim de março e em junho, pouco antes da cúpula da Rio+20, ocorrem duas reuniões preparatórias com poder de decisão.

O documento que saiu ontem, conhecido por “draft zero”, pretende ser um grande resumo de todas as sugestões que a ONU recebeu nos últimos meses do que deveria ser a Rio+20. Foram 6.000 páginas de contribuições vindas de governos, de ONGs, de empresas. “O documento final da Rio+20 deverá trazer aquele monte de tópicos sobre desenvolvimento sustentável, que já foram discutidos e decididos em um monte de fóruns diferentes, a um lugar único” opina Aron Belinky, coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis e participante do comitê facilitador da sociedade civil na conferência. “Eles devem ser traduzidos em uma declaração política”, prossegue, referindo-se ao documento final da cúpula.

O primeiro rascunho do texto da Rio+20 traz pontos interessantes, como o que sugere que as grandes empresas tenham relatórios de sustentabilidade. Mas não há metas no texto, em nenhuma área. O prazo também é genérico e apenas menciona o “pós-2015″.

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