UEM 2009 – inverno

Questão 15
Leia o texto a seguir:
“A Sociologia não se limita ao estudo das condições de
existência social dos seres humanos. Todavia, essa
constitui a porção mais fascinante ou importante de seu
objeto e aquela que alimentou a própria preocupação de
aplicar o ponto de vista científico à observação e à
explicação dos fenômenos sociais. Ora, ao se falar do
homem, como objeto de indagações específicas do
pensamento, é impossível fixar, com exatidão, onde tais
indagações se iniciam e quais são os seus limites. Podese,
no máximo, dizer que essas indagações começam a
adquirir consistência científica no mundo moderno,
graças à extensão dos princípios e do método da ciência à
investigação das condições de existência social dos seres
humanos. Sob outros aspectos, já se disse que o homem
sempre foi o principal objeto da curiosidade humana.
Atrás do mito da Religião ou da Filosofia sempre se acha
um agente humano, que se preocupa, fundamental e
primariamente, com questões relativas à origem, à vida e
ao destino de seus semelhantes.” (FERNANDES,
Florestan. A herança intelectual da Sociologia. In:
FORACCHI, Marialice e MARTINS, José de Souza.
Sociologia e Sociedade. Rio de Janeiro: Livros Técnicos
e Científicos, 1977, p.11.)
Pode-se concluir do texto que a Sociologia
01) nasce e se desenvolve procurando compreender a
Idade Média. Os sociólogos utilizaram os recursos
explicativos gerados, sobretudo, pelas doutrinas
religiosas para analisar a organização do mundo.
02) empreende uma reflexão sistemática sobre as
transformações sociais em curso nas sociedades em
que a ciência se tornou uma poderosa ferramenta de
compreensão do mundo.
04) define, ao refletir sobre os conflitos estabelecidos nas
relações entre indivíduo e sociedade, que a função
dos sociólogos é encontrar soluções para esses
conflitos.
08) objetiva construir formas de conhecimento científico
sobre a realidade, estabelecendo teorias e
metodologias que gerem compreensão dos
fenômenos sociais.
16) elabora um estudo organizado do comportamento
humano. Logo, podem ser objetos de estudo dessa
ciência, dentre outros: as formas de exclusão social,
os novos arranjos familiares, os processos de
construção da cidadania e o fenômeno da violência
urbana.
 
resposta: 26

O milagre econômico holandês

26/05/2012

Por José Luís Fiori

Nos séculos XVI e XVII, a Holanda foi berço do capitalismo comercial e da ciência moderna, e foi a pátria de Grotius, Spinoza, Vermeer, Rembrandt, Huygens e Sawammerdam, entre tantos outros gênios que viveram em Amsterdam, Utrecht ou Leiden, como no caso de Descartes ou Hobbes. Naquele período, a Holanda foi considerada terra por excelência do inconformismo e da liberdade do pensamento. E foi também o lugar onde se deu o primeiro “milagre econômico nacional” da história do capitalismo. Assim mesmo, costuma-se dedicar pouca atenção à história real, violenta e descontínua que está por trás desta visão estilizada e idílica da ascensão holandesa e de sua revolução capitalista.

No século XVI, os Países Baixos eram uma pequena província do Império Habsburgo, de Carlos V e Felipe II, retalhada por rios e canais, e ocupada por uma rede compacta de cidades. Naquele período, suas cidades costeiras funcionaram como um dos entrepostos mercantis do império espanhol, com um comércio de baixo valor agregado e pouco impacto sobre toda a economia da província.

A partir de 1540, entretanto, o pequeno território holandês foi transformado no epicentro geopolítico e militar da guerra entre o Império Espanhol e a França, que começou na Itália, no final do século XV, e se prolongou durante quase todo o século XVI. Deste momento em diante, aumentou enormemente a pressão tributária e a opressão política e religiosa exercida pelos espanhóis sobre sua província, provocando uma reação cada vez mais violenta, que se transformou em insurreição nacional, a partir de 1572. Seguiram-se oitenta anos de resistência e luta, até o reconhecimento espanhol da independência holandesa, na Paz de Vestfália, em 1648.

Nestes oitenta anos, as Províncias Unidas viveram cercadas e em estado permanente de guerra, dentro do seu próprio território. Em 1585, a situação havia se deteriorado de tal forma que Amsterdam chegou a oferecer a soberania holandesa aos reis da França e da Inglaterra, e viveu dois anos como protetorado da Rainha Elizabeth I. Mas em 1590, este cenário mudou de forma súbita e radical. Amsterdam centralizou o poder e impôs sua hegemonia dentro da federação, e em seguida fez um enorme esforço fiscal e organizou em poucos anos um dos maiores e mais eficientes exércitos da Europa, iniciando uma ofensiva militar impressionante e vitoriosa, que conquistou 43 cidades e 55 fortalezas espanholas, em menos de dez anos. Em seguida, criou um anel protetor de cidades fortificadas e militarizadas e manteve sua ofensiva até o estabelecimento de uma trégua de 12 anos, com a Espanha, entre 1609 e 1621.

O que chama a atenção é que foi exatamente neste período de ofensiva vitoriosa da revolução que se deu o chamado “milagre econômico holandês”, com o aumento exponencial dos seus gastos e investimentos, do seu comércio de alto valor, da sua indústria e da sua inovação tecnológica, da sua finança e da sua integração econômica nacional [1]. Foram 15 anos de expansão acelerada, e só no final deste período se pode falar de comércio de longa distancia e de império colonial, que começam com a criação da Companhia das Índias Orientais, em 1602. Além disto, foi neste mesmo período que a Holanda completou sua “revolução financeira”, com a criação de um mecanismo de financiamento de suas guerras, através de um “motor” revolucionário de multiplicação nacional da riqueza financeira, alimentado pelos seus títulos da dívida pública de longo prazo, negociados na bolsa de valores e transformados na base do sistema de crédito holandês.

A história segue e é longa, mas pode-se tirar algumas lições desta revolução holandesa:

  1. Só depois de 1590, a Holanda deixou de ser apenas um dos entrepostos mercantis do Império Espanhol para se transformar numa “economia capitalista”, de lucros extraordinários e comércio de alto valor agregado.

  2. A fronteira da economia nacional holandesa foi criada pelo próprio cerco dos exércitos espanhóis. E dentro deste território sitiado, foram a luta revolucionária e a centralização do poder que deram o primeiro impulso ao milagre capitalista da Holanda.

  3. Os economistas heterodoxos costumam dizer que o investimento cria sua própria poupança, mas no caso do modelo holandês se poderia dizer que foi a revolução que criou o seu próprio investimento, publico e privado.

  4. Assim mesmo, é interessante observar, que também houve revolução ou guerra nacional no início da expansão de todas as demais grandes potências, como no caso de Portugal e Espanha, mas também da Inglaterra, EUA, Alemanha, Japão, Rússia, ou mesmo da França, e agora também da China.

  5. Por fim, a grande lição de toda esta história é que depois da Holanda, todos os grandes “milagres econômicos” do capitalismo que se sustentaram no tempo fizeram parte constitutiva do processo de ascensão das suas grandes potências.

Maio de 2012


[1] Israel, J. I. “The Dutch Republic. Its Rise, Greatness, and Fall 1477-1806”, Clarendon Press, Oxford, 1998, pgs 307 ss.

http://www.outraspalavras.net/2012/05/26/o-milagre-economico-holandes/

debate: as revoluções nos países árabes

O Centro de Estudos Árabes e o
Departamento de Letras Orientais da USP
convidam para o debate

AS REVOLUÇÕES NOS PAÍSES ÁRABES NO SÉCULO 21

Debatedores:

Profª Dra. Deisy Ventura (IRI- USP)
Profº Dr. Mamede Mustafa Jarouche (DLO/FFLCH- USP)
Profº Dr. Osvaldo Coggiola (DH/FFLCH- USP)
Profª Isabele Somma (Doutoranda em História Social FFLCH-USP)
Profº Luiz Gustavo Porfírio (Pós-graduando FFLCH- USP)

30 de Março de 2011, quarta-feira
18:00 – 22:00
Anfiteatro da História. Avenida Prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo

Blog Stats

  • 1.380.627 visitas
%d blogueiros gostam disto: