ENEM 2016

(Enem 2016)

Texto I

Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro.

SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação. Pensando o Brasil: a construção de um povo. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).

 

Texto II

Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas.

SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.

 

Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da

a) concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado.

b) percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias.

c) compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados.

d) transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval.

e) visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza.

 

Resposta: C

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UEL 2012 – 2ª fase

2 – O texto a seguir narra um episódio exemplar da expansão econômica americana no Brasil, evidenciando a visão etnocêntrica da imprensa da época:
 
Em 1927, o governo do Pará cedeu a Henry Ford um milhão de hectares para o plantio de seringueiras. A Ford Motor Company precisava da borracha para fazer seus pneus, e os altos custos da importação de látex da Ásia pareciam uma boa razão para tal investimento em plena floresta amazônica. No caso de Ford, que tinha à sua disposição todos os recursos do mundo industrial, os jornalistas não tinham dúvida a respeito do resultado e falavam de sua missão civilizadora numa linguagem cheia de expectativa. A Revista Times relatou que Ford pretendia aumentar todos os anos suas plantações de seringueiras “até que toda a selva esteja industrializada”,  saudada pelos habitantes da floresta: “logo as jiboias virão, os macacos farão um grande alarido. Índios armados com pesadas lâminas liquidarão seus antigos  perseguidores para abrir caminho para limpadores de parabrisas, tapetes e pneus”. Ford estava levando a “magia do homem branco para o mundo selvagem”,   escreveu o Washington Post, “pretendendo produzir não apenas borracha, mas também os itens para os quais ela era a matéria-prima”.
(Adaptado de: GRANDIN, Greg. Fordlândia: a ascensão e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva. Rio de Janeiro: Rocco, 2010. p.18.)
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a industrialização no Brasil, explique as consequências dessas transformações econômicas e culturais.
 
QUESTÃO 2 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo: Relação homem/natureza na perspectiva do trabalho e da cultura. Os processos de industrialização e as mudanças econômicas e sua interferência no modo de vida das populações regionais.
 
Resposta esperada
O candidato deve analisar as transformações ocorridas no Brasil, no século XX, e as mudanças culturais na sociedade brasileira, aplicando e fazendo sínteses dos  conceitos de cultura, trabalho, etnocentrismo e desenvolvimento econômico. Será importante, também, explicar a concepção tradicional de desenvolvimento  econômico e a visão etnocêntrica de processo civilizatório (o etnocentrismo e a diversidade étnica.) 

UEM 2008 – verão

Questão 15
Sobre a formação das classes sociais no Brasil, no
período de transição do trabalho escravo para o livre,
assinale o que for correto.
 
01) A produção do café para exportação contou com o
emprego de uma mão-de-obra livre, a dos colonos,
mas não necessariamente assalariada.
02) A expansão da cafeicultura estimulou o crescimento
de cidades como São Paulo, que demandavam
alimentos ofertados, principalmente, pelas lavouras
dos colonos, trabalhadores livres que,
paulatinamente, substituíram o trabalho escravo.
04) Durante o período em que vigorou a escravidão, o
mercado consumidor de produtos localmente
manufaturados era grande, tornando possível
identificar uma produção industrial intensa e,
portanto, uma classe operária constituída.
08) Nos cafezais em formação, o colono tinha permissão
para cultivar alimentos entre os pés de café, sendo
essa prática uma das principais características do
regime de colonato, um estágio tido como transitório
pelo colono e por sua família.
16) A construção acelerada das estradas de ferro nas
últimas décadas do século XIX, a elevação de tarifas
aduaneiras e a substituição do trabalho escravo pelo
trabalho livre foram medidas que inviabilizaram um
modelo de desenvolvimento econômico que
conduziria à consolidação de duas classes sociais no
Brasil: a burguesia e o proletariado.
 
resposta: 11

UEM 2008 – inverno

04 – As grandes navegações européias do século XV
promoveram o contato entre povos e culturas
bastante diversos. Considerando esse fato e as
interpretações associadas à produção de diferenças
culturais, assinale o que for correto.
 
01) É amplamente aceita até os dias atuais pela
sociologia a idéia formulada no século XIX de
que as diferenças culturais existentes entre os
povos são determinadas diretamente pela
localização geográfica.
02) No século XIX, obtiveram grande prestígio as
teorias que afirmavam que a inferioridade racial
dos negros e dos índios era responsável pelo seu
atraso moral e intelectual diante dos brancos
europeus.
04) Quando chegaram ao continente americano, os
portugueses encontraram, no território que
posteriormente seria reconhecido como
brasileiro, um conjunto culturalmente
homogêneo de comunidades indígenas, que
possuíam as mesmas crenças, linguagem e
valores.
08) A perspectiva etnocêntrica prevalece quando se
atribuem valores de julgamento às crenças e aos
costumes do “outro”, tendo como referência
absoluta a própria cultura. Por isso, ela pode
promover posturas de intolerância.
16) Denominamos “relativista” a perspectiva que
nega veementemente as diferenças culturais
existentes entre os povos, salientando somente
os traços que lhes são comuns.
 
resposta: 10

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