UEM 2009 – inverno

Questão 05
Leia o texto a seguir:
“O lado dramático e cruel da situação educacional
brasileira está exatamente aí. O homem da camada social
dominante tira proveito das deformações de sua
concepção de mundo. Ao manter a ignorância, preserva
sua posição de mando, com os privilégios
correspondentes. O mesmo não sucede com o homem do
Povo. As deformações de sua concepção de mundo
atrelam-no, indefinidamente, a um estado de
incapacidade, miséria e subserviência. Transformar essa
condição humana, tão negativa para a sociedade
brasileira, não poderia ser uma tarefa exclusiva das
escolas. Todo o nosso mundo precisaria reorganizar-se,
para atingir-se esse fim. No entanto, é sabido que as
escolas teriam uma contribuição específica a dar, como
agências de formação do horizonte intelectual dos
homens.” (FERNANDES, Florestan. Educação e
Sociedade no Brasil. In: TOMAZI, Nelson. Sociologia
para o Ensino Médio. São Paulo: Atual, 2007, p. 155-
156.)
Considerando o que diz o trecho acima e as
características da “instituição escolar”, assinale o que for
correto.
 
01) A escola é a instituição social responsável por
promover, por meio da reorganização intelectual das
classes dominantes, a transformação social.
02) As diferenças culturais existentes na sociedade de
classes favorecem as camadas dominantes que
encontram, na escola, o reforço e a valorização de
conhecimentos já compartilhados no espaço familiar.
04) O homem do povo encontra, na escola, um espaço de
valorização dos seus saberes, os quais se
transformam em um componente fundamental de
ingresso no mercado de trabalho na sociedade
capitalista.
08) Em uma sociedade de classes, os filhos das classes
dominantes e populares desenvolvem, por meio da
educação escolar, as mesmas competências e
habilidades.
16) Quando assumem a responsabilidade de agir sobre a
formação intelectual humana, as escolas têm um alto
potencial transformador.
 
resposta: 18

UEM 2009 – inverno

Questão 14
Utilizando seus conhecimentos sobre o conceito de
“modo de produção”, assinale o que for correto sobre
suas características no capitalismo.
01) Exige que o trabalho humano acompanhe as
constantes transformações do mundo do trabalho,
separando as unidades de concepção das de
produção.
02) Estruturou a divisão da sociedade entre proprietários
dos meios de produção e proprietários da força de
trabalho. Essa diferenciação marcou não só as
relações dentro de ambientes fabris, mas também os
locais de moradia e lazer dos trabalhadores.
04) Organizou a produção de uma forma de
conhecimento científico que propiciou a apropriação
intensa da natureza. Contudo os benefícios gerados
por tal apropriação não alcançaram a sociedade como
um todo.
08) Ao mesmo tempo em que deixou o indivíduo livre
para trocar sua força de trabalho por salário, gerou
um processo de alienação do trabalhador.
16) Procurou o aperfeiçoamento técnico constante, mais
produtividade dos operários e racionalização dos
processos produtivos, com o objetivo de expandir os
lucros e baixar os custos de produção.
 
resposta: 31

UEM 2008 – inverno

20 – “Chamamos de secularização ou laicização do
pensamento o cuidado em se desligar das
justificativas baseadas na religião, que exigem
adesão pela crença, para só aceitar as verdades
resultantes da investigação racional mediante
argumentação” (ARANHA, M. L. e MARTINS, M.
H. Temas de Filosofia. São Paulo: Moderna, 2004,
p. 106). Para muitos sociólogos, uma das
características básicas do mundo contemporâneo é a
ampliação do processo de secularização a todos os
domínios da vida social. A esse respeito, assinale o
que for correto.
 
01) O declínio acentuado das atividades religiosas
no Brasil contemporâneo, expresso pela redução
do número de fiéis nos vários grupos cristãos,
mostra que este país está vivendo intensamente
o processo de secularização.
02) O desenvolvimento industrial, o avanço das
instituições e dos conhecimentos técnicos e
científicos, as mudanças ocorridas nas
sociedades agrárias tradicionais foram alguns
dos fatores que levaram os sociólogos a
elaborarem o conceito de secularização.
04) Entre as características do processo de
secularização, está a tendência das religiões de
procurarem adaptar suas doutrinas ao mundo
moderno, assimilando integralmente os avanços
do conhecimento científico.
08) O declínio da influência política e da autoridade
intelectual da Igreja Católica na Europa dos
tempos contemporâneos bem como o
fortalecimento das idéias de cidadania e
liberdade de expressão foram fatores que
permitiram o desenvolvimento do processo de
secularização.
16) A perseguição das práticas religiosas em alguns
Estados contemporâneos mostra que o processo
de secularização não impediu a intolerância e a
discriminação.
 
resposta: 26

Para que todas as mídias sejam livres

FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO 2012
13 de Fevereiro de 2012
por Michele Torinelli

Porto Alegre, berço do Fórum Social Mundial (FSM), recebeu novamente o encontro por um outro mundo possível, dessa vez em sua versão regional e com o tema “crise capitalista, justiça social e ambiental”. Entre as várias atividades que tomaram a cidade no final de janeiro, o III Fórum de Mídia Livre(FML) foi palco para a troca de experiências de comunicação e a construção de estratégias comuns.

A programação contou com relatos e análises da Primavera Árabe, da luta pela libertação palestina, dos indignados de Espanha e da regulamentação da mídia no Brasil pós Conferência Nacional de Comunicação e na Argentina – onde a Lei dos Meios foi aprovada. Outro tema de debate foram as “redes em redes”, que partiu de experiências para chegar em perspectivas de apropriação conjunta de práticas e plataformas livres, que facilitem a conjunção das diferentes lutas por uma sociedade mais digna, justa e livre.

Apropriação tecnológica, direito à comunicação e políticas públicas de comunicação

O III FML organizou-se a partir desses três eixos complementares entre si. O primeiroabrange as práticas de comunicação e a queda da barreira entre emissor e receptor – mais do que nunca, todos produzem e recebem informação, e surgem remixes e hibridizações. O segundotrata da importância de trazermos à tona os diversos discursos sociais e de garantirmos seu reconhecimento, para que a pluralidade de nossa sociedade encontre espaço nos meios de comunicação e escapemos à ditadura do pensamento único. Já o eixo referente às políticas públicasaborda a necessidade da regulamentação da mídia no Brasil, onde temos um cenário assustador de monopólio da radiodifusão e de falta de transparência e participação social nos processos decisórios.

Os eixos se complementam porque não basta nos apropriarmos dos meios acessíveis, desenvolvermos novas linguagens e que a mobilização social aconteça de forma efetiva e horizontal se os artigos da Constituição Federal referentes à comunicação continuarem sendo ignorados e carecendo de regulamentação, mantendo a propriedade dos meios de comunicação de massa em poucas mãos. Mas também não é suficiente garantirmos a democratização da mídia se não houver mobilização, envolvimento e construção de discursos. Além disso, não podemos travar a luta pela democratização da comunicação sem ter como objetivo maior a construção desse outro mundo mais justo e digno, onde todos tenham voz.

É importante termos claros os princípios que nos unem e as práticas que podem consolidá-los. O marroquino Mohamed Legthas, do portal E-joussour, compartilhou e experiência em seu país, onde a apropriação das redes sociais para a queda do regime teve relevância, mas terminou sua fala com o seguinte questionamento: de que adianta derrubarmos governos, ou acamparmos em praças, se tais atitudes não contribuírem efetivamente para a consolidação dos anseios democráticos?

Como disse o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, em outra atividade do Fórum Social Temático, “cuidado: o resultado pode ser pior, pode levar a uma nova forma de barbárie ou barbarismo. Queremos uma democracia real e participativa, mas como construí-la?”, provocou.

Digital X Analógico e a comunicação como luta transversal

Ao mesmo tempo em que as novas tecnologias da comunicação se popularizam e ganham notoriedade em movimentos como os ocorridos no mundo árabe e na Espanha, as “velhas tecnologias” continuam tendo seu papel indispensável e não podem ser esquecidas. Exemplos disso são as rádios comunitárias e as intervenções urbanas, que utilizam os tradicionais pinceis, colas, papeis e tinta. “A mídia livre existe antes do Fórum de Mídia Livre, e existe até muito antes da internet”, enfatizou Renata Miele, do Centro de Estudos Barão de Itararé, durante o debate sobre direito à comunicação.

Entre as resoluções do III FML, estão a necessidade de superar a hegemonia da internet nas discussões acerca de mídia livre e de envolver os demais movimentos e organizações sociais. João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, defendeu na Assembleia dos Movimentos Sociaisque é necessário “fazer a disputa ideológica, enfrentar os meios de comunicação de massa” para superarmos o capitalismo. A concentração da mídia e a necessidade de articulação e debate concernem não só aos movimentos diretamente relacionados à comunicação, mas ao movimento negro, de mulheres, indígena, ecológico, pela reforma agrária e urbana etc. “O que podemos fazer juntos daqui para a frente?”, questionou Stédile.

Contudo, é importante atentar para que, ao mesmo tempo em que as ferramentas digitais ganham relevância, diversas legislações restritivas estão tramitando no mundo, a modo do SOPA (Stop Piracy Act)e PIPA (Protect IP Act) nos Estados Unidos e do “PL do Azeredo” no Brasil. As tecnologias digitais não são as únicas, mas são estratégicas – e a liberdade e o compartilhamento na rede estão em risco.

II Fórum Mundial de Mídia Livre e a Rio +20

O III FML terminou com um grande chamado à construção do II Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), que de acordo com Bia Barbosaserá “mais uma batalha internacional em defesa da comunicação como um direito e também um bem comum”. O encontro acontecerá entre os dias 16 e 18 de junho no Rio de Janeiro como uma das atividades da Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, evento da sociedade civil paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.  “A ideia é que a comunicação contribua para os processos de luta e resistência dos povos”, indicou Tica Moreno, do Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos e da Marcha Mundial de Mulheres.

A proposta do II FMML surgiu no FSM 2011 em Dakar, no Senegal. Fazem parte da organização entidades como Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária), Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias), Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada, Coletivo Soylocoporti, Intervozes, Fora do Eixo, Pontão de Cultura da ECO/UFRJ e Revista Fórum. Internacionalmente participam, entre outras organizações, a Cáritas, a WSFTV – portal de memória audiovisual do FSM – e E-joussour, uma agência de notícias colaborativa do norte da África, que está à frente da organização de um Fórum de Mídia Livre naquela região.

O intuito é dialogar com as diversas lutas para tirar uma pauta comum em torno da comunicação. “O debate que une os defensores do midialivrismo e da democratização da mídia não é um debate corporativo, mas uma luta feita por todos que querem mudanças na comunicação brasileira”, defendeu Rita Freire, da Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada. E o Fórum Mundial de Mídia Livre ocorrer na Cúpula dos Povos propicia o cenário ideal para que essa construção conjunta se consolide.

Michele Torinelli

Comunicadora e caminhante, integrante do Coletivo Soylocoporti – e da Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada – ciranda.net. Atua com comunicação compartilhada, educomunicação e cultura popular e alternativa.

 

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